segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

No final vai parar tudo na Caesb

Não bastasse a afetação ao longo do ano inteiro, chega o 31 de dezembro e o brasiliense resolve jogar suas oferendas a Iemanjá no lago Paranoá.

Esta cidade precisa de uma praia urgentemente, avisem o Roriz.

P.S.: cansado de ver naufragarem, desde a infância, minhas esperanças de ano novo, desta vez resolvi adotar a estratégia da psicologia reversa. O que significa que, oficialmente, não estou nem aí pra 2008. Espero que o mundo finalmente acabe, que o Flamengo perca todos seus jogos e que meu pai não me dê um coelho no próximo natal.

Feliz ano novo.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Sucedâneas da paixão

Veja o leitor se procedi de forma correta. Tudo começou quando o telefone aqui da firma tocou:

- O Furor Blog e Serviços Metereológicos ltda. , boa tarde.

-Oi, eu queria falar com o presidente da empresa, por favor.

-É ele.

-Nossa, não reconheci sua voz! Também, faz tanto tempo...

-A senhora deve ser de alguma fornecedora. Olha, você poderia ligar mais tarde e falar diretamente com o almoxarifado, por gentileza? Agora eu estou meio ocupado, o conselho deliberativo está me esperando pra uma reunião. Obrigado e tenha um feliz ano novo. (mentira, eu não tinha reunião nenhuma)

-Não, não, não! Espera... Sou eu. Esmeralda.

-Perdão, madame. Deve ser algum engano.

-Não lembra de mim?

-Não.

-Paris, alguns verões atrás. No átrio da Notre-Dame. Uma cabra amestrada dançando com os ciganos. A gente se divertiu tanto. Não lembra?

-Ah, é você então.

-Sou eu, Esmeralda. Escuta, estive pensando. Vou largar a França. Não faz sentido ficar aqui nem mais um minuto. Quero morar com você aí no Brasil. Demorei pra tomar essa decisão porque andava muito confusa, mas agora eu sei que é disso que preciso na vida.

-Tudo bem.

-Outra coisa. A cabra vai junto, não consigo me separar dela.

-Hum, hum.

-E o Quasímodo também.

Então desliguei o telefone na cara da moça. Há concessões que nem o amor pode fazer.

Teria agido mal?

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Nem só de presentes é feito o Natal

Nesse Natal, aprendi uma lição para todo o sempre:

Primeiro o salpicão, depois o lombo e só então proceder à leitoa.

Em hipótese alguma o inverso.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Um pouco de Ciência

Todas as mulheres fatais do mundo se chamam Natasha.

No nome ou no espírito.

A primeira Natasha que conheci foi no Jardim III. Era a professora. Chamava-se Cândida.

Desde então, estudo a raça a fundo (a parte teórica).

Longos cabelos negros, eternamente esvoaçantes, como se o Desconhecido lhe tivesse providenciado um vento particular. Sotaque russo. Um violoncelo a tira-colo.

Tal é uma Natasha.

Mantenha as crianças longe.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

A poeira dos séculos

Niemeyer, com sua arquitetura, mostra que a arte pode atravessar gerações.

Deus, com Niemeyer, quer provar que também é capaz de obras duradouras.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Uma palavra mais sobre os mortos-vivos

A família tem uma fazenda, dessas com montanhas e onde se costuma passar os fins-de-semana.

Era um recanto pacato, até sobrevirem os acontecimentos sinistros dos últimos meses.

Primeiro uma bezerra amanheceu morta, ensagüentada do rabo aos chifres, toda seca e retorcida. No pescoço, duas marcas circulares, dois pequenos furos. O alarmista diria que se tratavam de feridas causadas por presas pontiagudas.

Depois foi a vez de dois cabritos gêmeos. Os sinais foram exatamente os mesmos encontrados na vítima anterior.

E então vieram os leitões, o cachorro velho e o gato da cozinha. De novo muito sangue e as duas perfurações no pescoço.

Decidido a desvendar o mistério, Van Helsing, o caseiro, montou vigília na copa de um pé de manga. Foram três madrugadas sem que nada anormal sucedesse. Na quarta noite, já desesperançoso, Helsing ouviu um barulho estranho vindo do galinheiro. Correu pra lá e finalmente ficou frente a frente com as criaturas que estavam espalhando o terror pela propriedade.

Eram os perus. Ou melhor, vamperus.

Caninos afiados projetando-se para fora do bico. Asas negras que gotejam sangue. Uma expressão maligna cravada nos olhos.

Só quem encarou um vamperu conhece o horrível da situação.

Meu avô - dono do lugar -, Van Helsing e o cão pastor se lançaram numa cruzada implacável contra as aves do mal. Dia e noite revirando ninhos e cravando estacas. O Sr. Nilson promete servir todos os vamperus na ceia de Natal.

Há complicadores, todavia. Os vamperus estão tranformando outras aves e aliciando companheiros.

Cresce o contigente de vampintinhos.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Da série "Endereços a Serem Evitados".

Detrás da Lua Cheia

no ângulo de um beco escuro com uma rua abandonada

cheirando a pelagem de morcego e absinto

na terceira porta da esquerda pra direita

ali mora um vampiro.

Não falta mais nada

O Brasil já tinha astronauta.

Santo.

E uma Maravilha do mundo.

Agora tem também terremoto.

Não falta absolutamente mais nada.

Aliás: falta nevar em Brasília.

Mas tudo bem, não temos pressa.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

O insuperável barulho da furadeira quando tudo o que se deseja é dormir um pouco mais

Nada como um título auto-explicativo.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Ainda sobre a postagem anterior

Já tem turista querendo tirar foto comigo.

Agora eu sei com se sente o Cristo Redentor.

E pensar que até ontem era só um estudante

A prefeitura do Rio de Janeiro proclamou, hoje mesmo, a torcida do Flamengo como patrimônio cultural carioca.

O que me eleva, por força de decreto, à condição de bem tombado.

Doravante, exijo tratamento especial.

E que a UNESCO se mire na sensatez do César Maia.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Antes que alguém o diga

Kasparov no xadrez

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Um Domingo para a Memória

A Natureza tem seus prenúncios.

Andorinha voando baixo é sinal de chuva. Formiga fugindo da praia preludia tsunami. Da mesma forma, se uma girolanda mugir à meia-noite da segunda lua cheia do outono, a safra será boa para o trigo (mas não para a aveia).

Quem se habitua a ler essa sorte de indícios antevê o Destino.

Ontem acordei com uma leve dor nas costas, chovia a cântaros e um gato com touca de papai Noel me encarava da rua. "Vem aí um domingo memóravel", foi o que interpretei.

E não estava enganado.

Os leitores decerto vão achar que me casei, tive um filho ou, na pior das hipóteses, topei com uma nota de cem no quintal. Lamento decepcionar. Foi o futebol que fez do 25 de novembro de 2007 um dia para sempre.

Onze sujeitos que nunca te viram na vida correndo atrás de uma bola. Eventualmente fazem gols.

"Quanto mais inexplicável o ardor, mais comovente".

(Ninguém disse isso, o único motivo das aspas é dar profundidade à coisa)

P.S.: Fui dormir, já de madrugada. O gato continuava lá.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Sonhava com música

"Por que não ti, Callas?"

Foi o que pensou em voz alta o rei da Espanha, enfadado na cúpula Ibero-Americana, considerando que seria muito melhor ouvir um recital de sua soprano predileta do que as arengas intermináveis dos colegas políticos.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Mas o que é aquilo?

O leitor leal de " O Furor" vai ter notado que não se escreve nada aqui faz um bom tempo. Há um rumor no mundo virtual - falácia certamente fermentada pelos blogs rivais - que o motivo da prolongada ausência seria uma eventual morte do indivíduo responsável pelos textos . Hipótese infundada, o destino não é assim tão romântico. Esses dias todos estive trabalhando, o que é bem menos glorioso.

Esta não será a última vez que a repulsa ao trabalho aparecerá aqui. Trata-se - junto com a luta contra o banho diário - de uma das grandes bandeiras de "O Furor". O trabalho traz perdas irrecuperáveis. Não falo nem dos danos físicos, esses óbvios, eis aí as olheiras, os nervos esfrangalhados. Mais lamentáveis ainda são os prejuízos de ordem intelectual. Bastaram poucos meses acumulando jornada tripla para que se esvaíssem toda minha criatividade, meu senso de humor e meu proto- lirismo. O trabalho nos deixa menos inteligentes, porque ocupa a cabeça com assuntos insignificantes.

Minha mais recente perda foi a da capacidade contemplativa. Nos dias de ócio, passava horas sentado à frente de um objeto qualquer e aquela visão me suscitava idéias. Surpreender-se com o comum, admirar-se com o ordinário - isso é saber contemplar. (Já não sei mais qual é o seu gosto)

Foi-se o dom, fica a inspiração. Um cantor, chamado Robert Wyatt, compôs a canção "Pigs (in there)". É o ápice na arte de enxergar poesia em cada pequenice da vida. A música começa com um pequeno diálogo em que o sujeito, viajando pelo campo, topa com uma pocilga e pergunta a um caipira:

- Mas o que é aquilo?

-É uma pocilga. Porcos vivem ali.

O sujeito fica intrigado e então entra a melodia. Junto com ela, um único verso, que será cantado a música inteira:

-Pigs... in there...

Observe a que ponto de abstração chega a mente livre das preocupações do trabalho. Quantas coisas bonitas o ser humano produziria se todos nós tívessemos tempo para nos intrigar com cada miudeza. Emocionar-se com amor, pobreza e morte é primitivo e fácil, qualquer bronco consegue. Comover-se com pouco: isso já cabe apenas ao feliz vagabundo.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Finados

O poeta.

O ladrão de galinhas.

A lambada.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Pizicato

Beliscam o violino

Pr'ele ver que não está sonhando.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Só faltava nevar

Convecionaram que conversas sobre o clima pertencem ao repertório de quem não tem assunto.

Antigamente essa era uma falácia que me ofendia apenas no plano moral. Agora causa feridas também profissionalmente.

São três - não mais - os temas dignos de ocupar uma mente : futebol(aquele com os pés, não com as mãos), pirataria (aquela com navios, não com filmes) e clima.

O que me dá todo o direito de louvar, sem constrangimento, a chuva que amanheceu sobre a cidade hoje de manhã.

O final do ano em Brasília é uma época bonita. Reúne as vantagens do verão tropical e do inverno escandinavo:

-Chove, mas não faz frio.

-O céu fica cinza. A grama, verde.

-Somos todos acometidos por impulsos artísticos - as cigarras, no entanto, é quem declamam.

Fica-se bem. Não há melhor painel para emoldurar os lamentos. Nem cenário mais adequado para os dias felizes.

Chove, há o Natal, as esperanças do Ano-Novo e o horário de verão (que tem o mérito de deixar o crepúsculo -ente sagrado - mais perto da meia-noite - outro ente sagrado).

Só faltava nevar.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

A Causa do Rombo

Mais uma bonita tarde de ócio no trabalho se descortina.

Legal, porque vem somar às igualmente bonitas e não menos ociosas manhãs que passo na faculdade.

Faz bem ter uma rotina equilibrada. Dá padrão.

Considerando - com o perdão do gerúndio - que o governo federal paga tanto meus estudos quanto meu salário, acho que tenho um mecenas excêntrico. (Se os artistas da Renascença precisavam pintar madonas como contrapartida ao dinheiro neles investido, tudo o que eu faço é "O Furor").

É um blog honesto, claro, mas talvez não valha o patrocínio. Segundo meu amigo Sapão, - que além de gourmet é contador - eu custo, mensalmente, cerca de 50 mil reais aos cofres públicos.

É por minha causa que não podem abrir mão da CPMF.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Ética cinéfila

Quando um estranho chama, você:

a) Retruca o chamado

b) Dá o grito

c) Come água para chocolate

Mais Uma da Série Epitáfios

"Saindo desta e indo para uma melhor".

Gerúndio.
* ?
+ 1/10/2007

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Pra não dizer que não falei das flores

Será que os monges de Mianmar, em seus protestos contra a Ditadura, entoam Vandré?

Quando os sonhos viram realidade

"Levante de monges desafia poderoso e tirano governo militar"

E eu pensava que para ler esse tipo de notícia era necessário ter nascido oito séculos atrás.

Obrigado, Mianmar, antiga Birmânia.

P.S.: Corre à boca miúda que alguns dos monges rebeldes figuram no coral que canta o hino de " O Furor", logo ali, à direita no seu monitor.

Foi-se

Alonguei a lua-de-mel o máximo que pude. Agora, quando chega o momento, é difícil evitar as lágrimas.

A partir de hoje, D de Devaneio não é mais a primeira postagem, o cartão de visitas, d´O Furor.

Deixa a vida para entrar pra história.

Dura despedida. Dói.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

D de Devaneio

Debaixo das dunas douradas de Damasco, Douglas domava dragões.

Dois:

Diogo.

Dorval.

Dengoso Diogo! Dormia direitinho.

Dorval, delinqunte, destruía demais.

Douglas desistiu da didática. Dopou Dorval.

Deus, diante daquilo, denotou decepção.

"Douglas, definharás durante duzentos dias".

Desagradável.

Douglas decidiu driblar Deus.

Despediu depressa das dunas.

Deserto, distritos, docas. Disparava desesperadamente.

Deboche do destino: discreto desnível derruba Douglas.

Diria Drummond:

Detrito duro depositado diante do .... ?..... ???... ??.....

?...

?..

...(caminho).

Droga.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

O Transgressor

A faculdade na calada da noite. Ninguém nos corredores.

Entrei no banheiro feminino.

Entrei - e urinei - no banheiro feminino.

De porta aberta.

Riar, Riar, Riar, Riar.

sábado, 22 de setembro de 2007

Ética do dia-a-dia

Alguém feio e chato te pede em casamento. Você:

a) Aceita por educação, mas não comparece no dia da cerimônia.

b) Responde pelo orkut.

c) Aproveita o momento de fraqueza do interlocutor para anunciar um assalto.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Segunda-feira(ou o dia mundial para uma vida nova)

Você não vai recomeçar a dieta.

Você não vai parar de fumar.

Você não vai passar a se dedicar aos estudos.

E, antes do meio-dia, já vai ter amaldiçoado a hora em que levantou da cama umas cinco vezes.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

R.I.P.

Tudo começou com o seguinte delírio, do moribundo Álvares de Azevedo:

"Descansem o meu leito solitário
Na floresta dos homens esquecida,
À sombra de uma cruz, e escrevam nela:
Foi poeta - sonhou - e amou na vida."

Desde então, ocupo grande parte do meu dia pensando em epitáfios.

Na lápide do Rei Artur, por exemplo, está gravado “The Once and Future King”.

E o lendário Frei Duque, cavaleiro de espada e de letras, seriamente atingido por uma flecha durante a batalha, aproveitou seus minutos derradeiros para compor uma redondilha digna de seu túmulo de filósofo. Mas era tão forte a hemorragia que não pôde completar a obra. Do poema que tencionava escrever (“Ripa de madeira/ penas brancas de bem-te-vi/Veio voando e certeira/A flecha que me atravessou aqui”), – pôs no papel apenas as três primeiras letras do verso inicial. Seus seguidores tomaram aquilo como mais um vanguardismo do mestre e inauguraram, sem saber, uma larga tradição nos cemitérios anglo-saxônicos.

Nenhuma dessas maravilhas, no entanto, se compara a “Foi poeta – sonhou – e amou na vida.”

Não descanso enquanto não superar o Álvares de Azevedo. A busca da minha vida é por um epitáfio melhor que o dele.

De tanto treinar, fui ganhando notoriedade. Virei epitafiógrafo da família.

Para a tia Natasha, vitimada de overdose, assim escrevi: “Ao pó não voltarás”.

E pratico também com os famosos:

Pavarotti: “O solo é mio”.

Mas estou longe da excelência.

“Foi poeta – sonhou – e amou na vida”.

Se me ocorrer, como no caso de Frei Duque, o infortúnio de ir ter com São Guinefort antes de parir o próprio epitáfio, estejam meus coveiros à vontade para recorrer ao plágio.

domingo, 9 de setembro de 2007

Utilidade Pública

Estimado amigo Marechal Alegre,

a respeito de nossa última visita ao colega Ramalho Ortigão, na quinta de Santa Olávia, confesso que voltei pra casa acossado pela dúvida (imagino que com o senhor tenha se dado o mesmo) : O que ele quis dizer quando usou a palavra "desenxabido" para falar do nosso tílburi?

Então fui me encontrar com outro compadre, o Aurélio de Holanda, indivíduo que, segundo dizem, possui um conhecimento inexprimível da língua portuguesa. De fato. O compadre não demorou um só minuto para me explicar o significado, etimologia e possíveis usos do misterioso vocábulo.

Pasme o senhor, desenxabido quer dizer sem-graça, insosso!

Francamente, gostava mais do amigo Ortigão quando ele era menos traquinas.


Cumprimentos,
Frei Duque.


* Com os serviços "O Furor Postal" ficou muito mais fácil fazer sua carta chegar ao destinatário. São milhares de acessos por dia, de todas as partes do mundo. Um deles vai ser o seu amigo(a). Não perca mais tempo, cadastre-se agora mesmo no "O Furor Postal".

Promoção

As primeiras cinco pessoas que fizerem um comentário nesta postagem vão ganhar uma homenagem especial de "O Furor".

(Vale xingamentos).

Chance de ouro

Falando nisso (leia a postagem abaixo para saber o que é "isso"), o FBI está pagando 25 milhões de dólares para quem lhes entregar o Osama, vivo ou morto.

Oportunidade única para todos nós que nunca vamos ganhar na Mega-Sena, não sabemos jogar futebol e temos preguiça de estudar para um concurso público.

Direto de Foz do Iguaçu

Nenhuma espera é tão cercada de ansiedade quanto a que precede a estréia de seu filme predileto.

Os fãs de Star Wars - indivíduos, em geral, razoabilíssimos - são um caso extremo. Precisaram agüentar mais de vinte anos para verem concluída a saga de seus heróis.

E haja expectativa, unhas roídas, noites em claro.

Comigo se passa extamente o mesmo: Espero anos a fio pelo lançamento de um vídeo novo do Bin Laden.

Semana passada, fui recompensado. Osama reapareceu em toda sua verve. Esbanjou ameaças, idolatrou o Islã, incutiu medo e curiosidade no telespectador. Isso tudo sem alternar um só plano de câmera. Talvez o último bastião do cinema-arte na atualidade.

E trouxe duas novidades - a barba pintada de preto e um recado para a humanidade: precisamos reduzir a emissão de gases poluentes senão o efeito estufa vai acabar com o planeta.

Osama quer essa primazia só para ele.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

O Grito do Ipiranga

Independência?

Ou morte?

Obina

Deus, em algumas oportunidades, envia seus representantes à Terra.

Em outras, desce pessoalmente.

E ainda faz gols.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Biocombustível

I
De tanto mendigar
Viu- se Pedro em euforia
Cada moeda na cartola
Era uma dose que bebia



II
Mas no céu azul de Pedro
Negras nuvens tampam o sol
O júbilo virou choro
E a cachaça, etanol

domingo, 2 de setembro de 2007

Despedida 2

(continuação da postagem abaixo)

Não nos é permitido assistir ao próprio enterro.

Para corrigir esse lamentável lapso da natureza, o ser humano criou as festas de despedida.

Uma festa de despedida é um velório com o protagonista vivo.

Bela forma de ver todo mundo chorando por sua causa.

E o melhor é que depois de alguns meses a pessoa volta sem ter que apelar para a ressurreição.

Tudo isso me veio à cabeça depois observar a quantidade de festas de despedida que acontecem hoje em dia. (Conheço um indivíduo cuja partida já foi celebrada cinco vezes e ele ainda não foi)

Decidi que quero uma também.

E, para isso, nem vou precisar forjar - como estava inicialmente em meus planos - um intercâmbio na Finlândia. Em dezembro, se tudo der certo, eu realmente estarei partindo para uma temporada de três meses fora.

Big Brother.

Despedida 1

Quem nunca quis assistir ao próprio enterro?

Dezenas, com sorte centenas de pessoas se debulhando em lágrimas por um único motivo: você.

E olha que surpresa agradável: O pessoal da firma todo compareceu, inclusive quem só falava com você pela Internet. A vizinha, cujo poodle você tentou envenenar na terça-feira, aparentemente te perdoou e tava lá também (com o poodle). E até o Obina, quem diria, você nem sabia que ele te conhecia, não só deu uma passadinha como ainda fez discurso.

Isso sem falar nela.

O vestido preto realçando a pele clara. O cabelo revolto, de quem chorou a noite inteira. Abraçada ao caixão, ela suplicava que a enterrassem junto.

E gritava:

"Por quê?"

"Por que ele tinha que enfrentar sozinho todos aqueles brutamontes armados até os dentes?"

"Por que ele tinha que colocar o corpo no caminho dos disparos?"

"Dos 27 disparos simultâneos?"

"Por quê?"

Ela sabia a resposta. Foi tudo por ela.

E lágrimas. E pétalas. E uma gaita de foles ao fundo.

Mas você não pôde ver esse espetáculo.

(continua acima)

Utilidade pública

Juliano,

hoje tem videogame lá no Sapão.

O El Loco e o Roseta já estão avisados.

Discutiremos a vida alheia, futebol e, com muita nostalgia, nossas aventuras. Prepare-se.

Comida é problema, porque provavelmente o Sapo não vai liberar as pizzas congeladas. Compremos alguma coisa (o chinês não está descartado) para evitar mais uma madrugada à barra de cereal.

Leve o baralho.

P.S.: Não se iluda. Eu, você, Sapo, El Loco e Roseta. Qualquer coisa além disso é dar asas à imaginação.

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Que, enfim, me ouçam.

Ser visionário tem seu ônus:

*As senhoras te apontam na rua.

*Sua avó quer te benzer.

*Daqui a duzentos anos, seus livros serão cultuados por universitários sujismundos.

Que seja. Um dia a verdade restitui a justiça.

Há quanto tempo venho me batendo pela total substituição dos meios de transporte motorizados pela força animal, já nem sei.

Riram, aliás gargalharam.

Os recentes eventos no Brasil mostram o quanto estive certo esses anos todos.

Cavalos, além de mais ecológicos e elegantes, não se envolvem em catástrofes.

Fora automóveis, aviões, trens e similares!

Viva cavalos, jumentos e pôneis!

E é uma pena que os elefantes e camelos ainda não tenham se adaptado ao nosso país.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Démodé

Resolvi mostrar "O Furor" pra namorada de um amigo.

Ela odiou.

Disse que faltavam, basicamente, duas coisas.

Tipo assim: graça e sentimento.

O que significa que eu devo acrescentar fotos e vídeos divertidos ao blog, além, é claro, de confissões pessoais.

Tentei explicar que não é esse o objetivo, há outros aspectos mais interessantes, São Guinefort não iria aprovar, etc, etc, etc.

A mocinha soltou um profundo "ninguém merece" e disse que tudo bem, tem maluco pra tudo no mundo mesmo, mas ela nunca mais acessaria "O Furor".

E nem chegou a ver o canto gregoriano.


domingo, 26 de agosto de 2007

Sertão

Quer pieguice maior do que aquele sujeito que fica fazendo comentários sobre o clima, a paisagem e as fases da lua?

Brasília tem três estações no ano, a propósito.

Chuva, frio seco e calor seco.

Ontem foi o primeiro dia do calor seco.

É nesse período do ano que a cidade conhece suas maiores temperaturas, a umidade do ar atinge níveis mínimos e o cerrado ganha ares de caatinga.

Sem esquecer a poeira.

E o céu, completamente desimpedido de nuvens: azul durante o dia, vermelho no crepúsculo e estrelado à noite.

(O mar de Brasília está acima de nossas cabeças)

A cidade fica agreste, mas bonita, nesta época do ano.

E amanhã tem lua cheia.

sábado, 25 de agosto de 2007

Fim dos tempos

E agora essa história do chinesinho que entrou pra universidade aos nove anos de idade.

Das duas uma:

a) o vestibular na China é muito fácil

b) tem alguma coisa errada com este planeta.

As crianças me assustavam menos na época em que não eram tão intelectuais.

Por isso tanto recall de brinquedos: ninguém mais os usa.

Sem pressa

A Justiça tarda, mas não falha.

No Brasil, levaram a primeira parte do dito muito a sério.

A segunda, nem tanto.

Impressão minha ou esse julgamento no STF corresponde a crimes que vieram à tona há mais de dois anos?

Relaxa e goza. Só institucionalizaram o que a tradição já tinha perpetuado.

No meu caminho rotineiro tem um pardal eletrônico. Segunda-feira, vi um funcionário tentando consertá-lo. Nem dei bola.

Na terça, eram dois funcionários.

Três, na quarta.

Sexta-feira, uma junta técnica estava reunida em torno da máquina.

O conserto de pardais e os julgamentos demandam tempo.

Estou aproveitando para furar o sinal vermelho.

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Fantasmas de 29

O chato nessas crises financeiras mundiais é que de repente a vida pode virar de cabeça pra baixo e a gente mal sabe explicar o por quê.

A economia tem meios intrincados de levar à ruína.

Lembra o matrimônio.

Dizem que o governo Lula só apresenta bons resultados na área econômica porque não conheceu momentos de turbulências externas.

FHC - oh, quantos infortúnios! - não teria entregado a economia brasileira em frangalhos (inflação, real desvalorizado, juros exorbitantes, crescimento anêmico) tivesse o Destino sido menos cruel com ele.

Sorte é o encontro da oportunidade com o talento. O azar abarca infortúnio e incompetência.

Prova de fogo para Lula mostrar que sabe navegar também em mares revoltosos.


quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Brasília em Chamas

Sempre achei o título portentoso.

Agora ele é também apropriado.

Arde o Parque Nacional.


Um apresentador de telejornal local sentenciou: " Uma guimba de cigarro criminosamente atirada está causando a morte de inocentes filhotes. Filhotes!"

Filhotes...

Animais adultos também queimam. E árvores. E gramíneas. E todos os outros seres da floresta.

A Santa Inquisição da Natureza

Cansei

Quanto ao Piauí, tenho algumas dúvidas.

No que toca ao Dunga, esse com certeza não fará falta a ninguém.

As ruas do Brasil são como coração de mãe: já estão tomadas pelos sindicalistas, madames e camponeses. Nada impede que também nós, os amantes do futebol, saiamos à luta.

Nossa causa não é menos legítima: volta Zagallo.

Nasceu

Nada de diário, poesia, confissões cor-de-rosa ou dramas existenciais.

O Furor.

Que seja minimamente digno das mentes que o inspiraram.