quarta-feira, 26 de setembro de 2007

D de Devaneio

Debaixo das dunas douradas de Damasco, Douglas domava dragões.

Dois:

Diogo.

Dorval.

Dengoso Diogo! Dormia direitinho.

Dorval, delinqunte, destruía demais.

Douglas desistiu da didática. Dopou Dorval.

Deus, diante daquilo, denotou decepção.

"Douglas, definharás durante duzentos dias".

Desagradável.

Douglas decidiu driblar Deus.

Despediu depressa das dunas.

Deserto, distritos, docas. Disparava desesperadamente.

Deboche do destino: discreto desnível derruba Douglas.

Diria Drummond:

Detrito duro depositado diante do .... ?..... ???... ??.....

?...

?..

...(caminho).

Droga.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

O Transgressor

A faculdade na calada da noite. Ninguém nos corredores.

Entrei no banheiro feminino.

Entrei - e urinei - no banheiro feminino.

De porta aberta.

Riar, Riar, Riar, Riar.

sábado, 22 de setembro de 2007

Ética do dia-a-dia

Alguém feio e chato te pede em casamento. Você:

a) Aceita por educação, mas não comparece no dia da cerimônia.

b) Responde pelo orkut.

c) Aproveita o momento de fraqueza do interlocutor para anunciar um assalto.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Segunda-feira(ou o dia mundial para uma vida nova)

Você não vai recomeçar a dieta.

Você não vai parar de fumar.

Você não vai passar a se dedicar aos estudos.

E, antes do meio-dia, já vai ter amaldiçoado a hora em que levantou da cama umas cinco vezes.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

R.I.P.

Tudo começou com o seguinte delírio, do moribundo Álvares de Azevedo:

"Descansem o meu leito solitário
Na floresta dos homens esquecida,
À sombra de uma cruz, e escrevam nela:
Foi poeta - sonhou - e amou na vida."

Desde então, ocupo grande parte do meu dia pensando em epitáfios.

Na lápide do Rei Artur, por exemplo, está gravado “The Once and Future King”.

E o lendário Frei Duque, cavaleiro de espada e de letras, seriamente atingido por uma flecha durante a batalha, aproveitou seus minutos derradeiros para compor uma redondilha digna de seu túmulo de filósofo. Mas era tão forte a hemorragia que não pôde completar a obra. Do poema que tencionava escrever (“Ripa de madeira/ penas brancas de bem-te-vi/Veio voando e certeira/A flecha que me atravessou aqui”), – pôs no papel apenas as três primeiras letras do verso inicial. Seus seguidores tomaram aquilo como mais um vanguardismo do mestre e inauguraram, sem saber, uma larga tradição nos cemitérios anglo-saxônicos.

Nenhuma dessas maravilhas, no entanto, se compara a “Foi poeta – sonhou – e amou na vida.”

Não descanso enquanto não superar o Álvares de Azevedo. A busca da minha vida é por um epitáfio melhor que o dele.

De tanto treinar, fui ganhando notoriedade. Virei epitafiógrafo da família.

Para a tia Natasha, vitimada de overdose, assim escrevi: “Ao pó não voltarás”.

E pratico também com os famosos:

Pavarotti: “O solo é mio”.

Mas estou longe da excelência.

“Foi poeta – sonhou – e amou na vida”.

Se me ocorrer, como no caso de Frei Duque, o infortúnio de ir ter com São Guinefort antes de parir o próprio epitáfio, estejam meus coveiros à vontade para recorrer ao plágio.

domingo, 9 de setembro de 2007

Utilidade Pública

Estimado amigo Marechal Alegre,

a respeito de nossa última visita ao colega Ramalho Ortigão, na quinta de Santa Olávia, confesso que voltei pra casa acossado pela dúvida (imagino que com o senhor tenha se dado o mesmo) : O que ele quis dizer quando usou a palavra "desenxabido" para falar do nosso tílburi?

Então fui me encontrar com outro compadre, o Aurélio de Holanda, indivíduo que, segundo dizem, possui um conhecimento inexprimível da língua portuguesa. De fato. O compadre não demorou um só minuto para me explicar o significado, etimologia e possíveis usos do misterioso vocábulo.

Pasme o senhor, desenxabido quer dizer sem-graça, insosso!

Francamente, gostava mais do amigo Ortigão quando ele era menos traquinas.


Cumprimentos,
Frei Duque.


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Promoção

As primeiras cinco pessoas que fizerem um comentário nesta postagem vão ganhar uma homenagem especial de "O Furor".

(Vale xingamentos).

Chance de ouro

Falando nisso (leia a postagem abaixo para saber o que é "isso"), o FBI está pagando 25 milhões de dólares para quem lhes entregar o Osama, vivo ou morto.

Oportunidade única para todos nós que nunca vamos ganhar na Mega-Sena, não sabemos jogar futebol e temos preguiça de estudar para um concurso público.

Direto de Foz do Iguaçu

Nenhuma espera é tão cercada de ansiedade quanto a que precede a estréia de seu filme predileto.

Os fãs de Star Wars - indivíduos, em geral, razoabilíssimos - são um caso extremo. Precisaram agüentar mais de vinte anos para verem concluída a saga de seus heróis.

E haja expectativa, unhas roídas, noites em claro.

Comigo se passa extamente o mesmo: Espero anos a fio pelo lançamento de um vídeo novo do Bin Laden.

Semana passada, fui recompensado. Osama reapareceu em toda sua verve. Esbanjou ameaças, idolatrou o Islã, incutiu medo e curiosidade no telespectador. Isso tudo sem alternar um só plano de câmera. Talvez o último bastião do cinema-arte na atualidade.

E trouxe duas novidades - a barba pintada de preto e um recado para a humanidade: precisamos reduzir a emissão de gases poluentes senão o efeito estufa vai acabar com o planeta.

Osama quer essa primazia só para ele.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

O Grito do Ipiranga

Independência?

Ou morte?

Obina

Deus, em algumas oportunidades, envia seus representantes à Terra.

Em outras, desce pessoalmente.

E ainda faz gols.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Biocombustível

I
De tanto mendigar
Viu- se Pedro em euforia
Cada moeda na cartola
Era uma dose que bebia



II
Mas no céu azul de Pedro
Negras nuvens tampam o sol
O júbilo virou choro
E a cachaça, etanol

domingo, 2 de setembro de 2007

Despedida 2

(continuação da postagem abaixo)

Não nos é permitido assistir ao próprio enterro.

Para corrigir esse lamentável lapso da natureza, o ser humano criou as festas de despedida.

Uma festa de despedida é um velório com o protagonista vivo.

Bela forma de ver todo mundo chorando por sua causa.

E o melhor é que depois de alguns meses a pessoa volta sem ter que apelar para a ressurreição.

Tudo isso me veio à cabeça depois observar a quantidade de festas de despedida que acontecem hoje em dia. (Conheço um indivíduo cuja partida já foi celebrada cinco vezes e ele ainda não foi)

Decidi que quero uma também.

E, para isso, nem vou precisar forjar - como estava inicialmente em meus planos - um intercâmbio na Finlândia. Em dezembro, se tudo der certo, eu realmente estarei partindo para uma temporada de três meses fora.

Big Brother.

Despedida 1

Quem nunca quis assistir ao próprio enterro?

Dezenas, com sorte centenas de pessoas se debulhando em lágrimas por um único motivo: você.

E olha que surpresa agradável: O pessoal da firma todo compareceu, inclusive quem só falava com você pela Internet. A vizinha, cujo poodle você tentou envenenar na terça-feira, aparentemente te perdoou e tava lá também (com o poodle). E até o Obina, quem diria, você nem sabia que ele te conhecia, não só deu uma passadinha como ainda fez discurso.

Isso sem falar nela.

O vestido preto realçando a pele clara. O cabelo revolto, de quem chorou a noite inteira. Abraçada ao caixão, ela suplicava que a enterrassem junto.

E gritava:

"Por quê?"

"Por que ele tinha que enfrentar sozinho todos aqueles brutamontes armados até os dentes?"

"Por que ele tinha que colocar o corpo no caminho dos disparos?"

"Dos 27 disparos simultâneos?"

"Por quê?"

Ela sabia a resposta. Foi tudo por ela.

E lágrimas. E pétalas. E uma gaita de foles ao fundo.

Mas você não pôde ver esse espetáculo.

(continua acima)

Utilidade pública

Juliano,

hoje tem videogame lá no Sapão.

O El Loco e o Roseta já estão avisados.

Discutiremos a vida alheia, futebol e, com muita nostalgia, nossas aventuras. Prepare-se.

Comida é problema, porque provavelmente o Sapo não vai liberar as pizzas congeladas. Compremos alguma coisa (o chinês não está descartado) para evitar mais uma madrugada à barra de cereal.

Leve o baralho.

P.S.: Não se iluda. Eu, você, Sapo, El Loco e Roseta. Qualquer coisa além disso é dar asas à imaginação.