terça-feira, 27 de novembro de 2007

Antes que alguém o diga

Kasparov no xadrez

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Um Domingo para a Memória

A Natureza tem seus prenúncios.

Andorinha voando baixo é sinal de chuva. Formiga fugindo da praia preludia tsunami. Da mesma forma, se uma girolanda mugir à meia-noite da segunda lua cheia do outono, a safra será boa para o trigo (mas não para a aveia).

Quem se habitua a ler essa sorte de indícios antevê o Destino.

Ontem acordei com uma leve dor nas costas, chovia a cântaros e um gato com touca de papai Noel me encarava da rua. "Vem aí um domingo memóravel", foi o que interpretei.

E não estava enganado.

Os leitores decerto vão achar que me casei, tive um filho ou, na pior das hipóteses, topei com uma nota de cem no quintal. Lamento decepcionar. Foi o futebol que fez do 25 de novembro de 2007 um dia para sempre.

Onze sujeitos que nunca te viram na vida correndo atrás de uma bola. Eventualmente fazem gols.

"Quanto mais inexplicável o ardor, mais comovente".

(Ninguém disse isso, o único motivo das aspas é dar profundidade à coisa)

P.S.: Fui dormir, já de madrugada. O gato continuava lá.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Sonhava com música

"Por que não ti, Callas?"

Foi o que pensou em voz alta o rei da Espanha, enfadado na cúpula Ibero-Americana, considerando que seria muito melhor ouvir um recital de sua soprano predileta do que as arengas intermináveis dos colegas políticos.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Mas o que é aquilo?

O leitor leal de " O Furor" vai ter notado que não se escreve nada aqui faz um bom tempo. Há um rumor no mundo virtual - falácia certamente fermentada pelos blogs rivais - que o motivo da prolongada ausência seria uma eventual morte do indivíduo responsável pelos textos . Hipótese infundada, o destino não é assim tão romântico. Esses dias todos estive trabalhando, o que é bem menos glorioso.

Esta não será a última vez que a repulsa ao trabalho aparecerá aqui. Trata-se - junto com a luta contra o banho diário - de uma das grandes bandeiras de "O Furor". O trabalho traz perdas irrecuperáveis. Não falo nem dos danos físicos, esses óbvios, eis aí as olheiras, os nervos esfrangalhados. Mais lamentáveis ainda são os prejuízos de ordem intelectual. Bastaram poucos meses acumulando jornada tripla para que se esvaíssem toda minha criatividade, meu senso de humor e meu proto- lirismo. O trabalho nos deixa menos inteligentes, porque ocupa a cabeça com assuntos insignificantes.

Minha mais recente perda foi a da capacidade contemplativa. Nos dias de ócio, passava horas sentado à frente de um objeto qualquer e aquela visão me suscitava idéias. Surpreender-se com o comum, admirar-se com o ordinário - isso é saber contemplar. (Já não sei mais qual é o seu gosto)

Foi-se o dom, fica a inspiração. Um cantor, chamado Robert Wyatt, compôs a canção "Pigs (in there)". É o ápice na arte de enxergar poesia em cada pequenice da vida. A música começa com um pequeno diálogo em que o sujeito, viajando pelo campo, topa com uma pocilga e pergunta a um caipira:

- Mas o que é aquilo?

-É uma pocilga. Porcos vivem ali.

O sujeito fica intrigado e então entra a melodia. Junto com ela, um único verso, que será cantado a música inteira:

-Pigs... in there...

Observe a que ponto de abstração chega a mente livre das preocupações do trabalho. Quantas coisas bonitas o ser humano produziria se todos nós tívessemos tempo para nos intrigar com cada miudeza. Emocionar-se com amor, pobreza e morte é primitivo e fácil, qualquer bronco consegue. Comover-se com pouco: isso já cabe apenas ao feliz vagabundo.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Finados

O poeta.

O ladrão de galinhas.

A lambada.