segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

No final vai parar tudo na Caesb

Não bastasse a afetação ao longo do ano inteiro, chega o 31 de dezembro e o brasiliense resolve jogar suas oferendas a Iemanjá no lago Paranoá.

Esta cidade precisa de uma praia urgentemente, avisem o Roriz.

P.S.: cansado de ver naufragarem, desde a infância, minhas esperanças de ano novo, desta vez resolvi adotar a estratégia da psicologia reversa. O que significa que, oficialmente, não estou nem aí pra 2008. Espero que o mundo finalmente acabe, que o Flamengo perca todos seus jogos e que meu pai não me dê um coelho no próximo natal.

Feliz ano novo.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Sucedâneas da paixão

Veja o leitor se procedi de forma correta. Tudo começou quando o telefone aqui da firma tocou:

- O Furor Blog e Serviços Metereológicos ltda. , boa tarde.

-Oi, eu queria falar com o presidente da empresa, por favor.

-É ele.

-Nossa, não reconheci sua voz! Também, faz tanto tempo...

-A senhora deve ser de alguma fornecedora. Olha, você poderia ligar mais tarde e falar diretamente com o almoxarifado, por gentileza? Agora eu estou meio ocupado, o conselho deliberativo está me esperando pra uma reunião. Obrigado e tenha um feliz ano novo. (mentira, eu não tinha reunião nenhuma)

-Não, não, não! Espera... Sou eu. Esmeralda.

-Perdão, madame. Deve ser algum engano.

-Não lembra de mim?

-Não.

-Paris, alguns verões atrás. No átrio da Notre-Dame. Uma cabra amestrada dançando com os ciganos. A gente se divertiu tanto. Não lembra?

-Ah, é você então.

-Sou eu, Esmeralda. Escuta, estive pensando. Vou largar a França. Não faz sentido ficar aqui nem mais um minuto. Quero morar com você aí no Brasil. Demorei pra tomar essa decisão porque andava muito confusa, mas agora eu sei que é disso que preciso na vida.

-Tudo bem.

-Outra coisa. A cabra vai junto, não consigo me separar dela.

-Hum, hum.

-E o Quasímodo também.

Então desliguei o telefone na cara da moça. Há concessões que nem o amor pode fazer.

Teria agido mal?

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Nem só de presentes é feito o Natal

Nesse Natal, aprendi uma lição para todo o sempre:

Primeiro o salpicão, depois o lombo e só então proceder à leitoa.

Em hipótese alguma o inverso.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Um pouco de Ciência

Todas as mulheres fatais do mundo se chamam Natasha.

No nome ou no espírito.

A primeira Natasha que conheci foi no Jardim III. Era a professora. Chamava-se Cândida.

Desde então, estudo a raça a fundo (a parte teórica).

Longos cabelos negros, eternamente esvoaçantes, como se o Desconhecido lhe tivesse providenciado um vento particular. Sotaque russo. Um violoncelo a tira-colo.

Tal é uma Natasha.

Mantenha as crianças longe.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

A poeira dos séculos

Niemeyer, com sua arquitetura, mostra que a arte pode atravessar gerações.

Deus, com Niemeyer, quer provar que também é capaz de obras duradouras.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Uma palavra mais sobre os mortos-vivos

A família tem uma fazenda, dessas com montanhas e onde se costuma passar os fins-de-semana.

Era um recanto pacato, até sobrevirem os acontecimentos sinistros dos últimos meses.

Primeiro uma bezerra amanheceu morta, ensagüentada do rabo aos chifres, toda seca e retorcida. No pescoço, duas marcas circulares, dois pequenos furos. O alarmista diria que se tratavam de feridas causadas por presas pontiagudas.

Depois foi a vez de dois cabritos gêmeos. Os sinais foram exatamente os mesmos encontrados na vítima anterior.

E então vieram os leitões, o cachorro velho e o gato da cozinha. De novo muito sangue e as duas perfurações no pescoço.

Decidido a desvendar o mistério, Van Helsing, o caseiro, montou vigília na copa de um pé de manga. Foram três madrugadas sem que nada anormal sucedesse. Na quarta noite, já desesperançoso, Helsing ouviu um barulho estranho vindo do galinheiro. Correu pra lá e finalmente ficou frente a frente com as criaturas que estavam espalhando o terror pela propriedade.

Eram os perus. Ou melhor, vamperus.

Caninos afiados projetando-se para fora do bico. Asas negras que gotejam sangue. Uma expressão maligna cravada nos olhos.

Só quem encarou um vamperu conhece o horrível da situação.

Meu avô - dono do lugar -, Van Helsing e o cão pastor se lançaram numa cruzada implacável contra as aves do mal. Dia e noite revirando ninhos e cravando estacas. O Sr. Nilson promete servir todos os vamperus na ceia de Natal.

Há complicadores, todavia. Os vamperus estão tranformando outras aves e aliciando companheiros.

Cresce o contigente de vampintinhos.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Da série "Endereços a Serem Evitados".

Detrás da Lua Cheia

no ângulo de um beco escuro com uma rua abandonada

cheirando a pelagem de morcego e absinto

na terceira porta da esquerda pra direita

ali mora um vampiro.

Não falta mais nada

O Brasil já tinha astronauta.

Santo.

E uma Maravilha do mundo.

Agora tem também terremoto.

Não falta absolutamente mais nada.

Aliás: falta nevar em Brasília.

Mas tudo bem, não temos pressa.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

O insuperável barulho da furadeira quando tudo o que se deseja é dormir um pouco mais

Nada como um título auto-explicativo.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Ainda sobre a postagem anterior

Já tem turista querendo tirar foto comigo.

Agora eu sei com se sente o Cristo Redentor.

E pensar que até ontem era só um estudante

A prefeitura do Rio de Janeiro proclamou, hoje mesmo, a torcida do Flamengo como patrimônio cultural carioca.

O que me eleva, por força de decreto, à condição de bem tombado.

Doravante, exijo tratamento especial.

E que a UNESCO se mire na sensatez do César Maia.