segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

O belo também não tem vez

No Oscar de domingo eu estava torcendo por duas coisas: que Desejo e Reparação ganhasse o melhor filme e que Onde os Fracos não têm Vez não saísse do teatro como o grande vencedor da noite.

(Na verdade eu torci também - e fervorosamente - para que a mocinha da tradução simultânea conseguisse acompanhar o que era dito na festa).

Perdi em todas. Desejo e Reparação peca por ser bonito. O cinema (as artes, em geral) está enamorado da aspereza. A busca pela racionalidade e a aversão ao sentimentalismo exagerado levam a crítica a condenar tudo aquilo que não apresente doses cavalares de secura e crueza.

Só que retratar o lado animalesco do ser humano com um filme animalesco não chega a ser um golpe genial.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Talvez não seja uma idéia tão má assim

A independência de Kosovo gera precedentes perigosos, inclusive para o Brasil.

Aposto que tem gaúcho achando que abriu-se uma brecha para pôr em prática o ideal farroupilha.

De imediato, vejo uma desvantagem em seperar o Rio Grande do Sul do resto do Brasil: perderíamos o Ronaldinho na seleção.

E uma grande vantagem: o Dunga iria embora junto.

Colocando na balança, até parece um bom negócio.

Mas não vamos nos precipitar.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

O Outono de Fidel

O que faz um ditador quando se aposenta?

Compra uma terrinha em Minas? Leva os netos à escola? Arrepende-se?

Em dezembro de 2002, eu, meus irmãos e meus primos assistíamos televisão quando o noticiário mostrou o Fidel Castro num daqueles discursos centenários.

Meu primo, que devia contar uns 15 anos na época, surpreendeu-se:

- Olha lá! Aquele sujeito parece o Gandalf!

(O Gandalf é o mago barbudo do Senhor dos Anéis).

Foi então que eu percebi que os dias de Fidel estavam contados. O tempo já não solapava apenas sua saúde; começava a fazer estragos também no mito.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

As brumas do meio-dia

Ciente de que o ser humano não suportaria viver se ficasse constantemente imerso na realidade, a natureza nos dotou da capacidade de dormir.

Feliz de quem dá a esse dom o devido mérito.

E mais bem-aventurado ainda é o homem que, gozando de suas plenas férias, consegue descobrir as belezas de se acordar ao meio-dia: o sol a pino invadindo o quarto, o cheiro do bife pela casa e a inconfundível música de abertura do noticiário esportivo alertando que já são horas.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Feliz ano-novo

Que eu me lembre, nunca o ano-novo chinês e o brasileiro caíram no mesmo dia.

Um belo motivo para que esta quarta-feira de cinzas seja duplamente festejada.

2008 promete.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Eu já desconfiava

O veto ao carro alegórico da Viradouro que retrata o holocausto só veio confirmar aquilo que há muito já se alardeava neste país: tem alemão no samba.

Essa besta insaciável, a ganância

Os países do primeiro mundo, no ínício, nos levaram a madeira, o açúcar, o ouro.

Depois os cientistas, os jogadores de futebol e sempre o dinheiro.

E quando finalmente não há mais nada para sugar, eles nos levam os amigos.

Só que nesse caso o tiro deverá sair pela culatra.

A Austrália não sabe em que encrenca está se metendo.

*O leitor deve ter percebido que esta é uma piada interna. De fato. Sei que não é certo ficar de segredinhos com o público, mas acontece que dois companheiros estão de partida para a Austrália e foi irresistível homenageá-los aqui neste espaço, onde afinal ainda possuo algum arbítrio. Além disso, quis preservar a dupla de viajantes. Qualquer tipo de informação mais concreta - como dizer que seus interesses no outro lado do mundo se resumem a coalas e suecas (jamais para os mesmos fins) - poderia lhes ferir a privacidade, e esse nunca foi meu objetivo.