segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Uma alma em html

"O Furor" completa um ano por esses dias. Que a data coincida com o centenário da morte de Machado de Assis é só mais um desses interessantes acasos que a posteridade estudará mais tarde na escola.

O importante é que este espaço virtual me divertiu bastante ao longo dos últimos meses. Ainda que o mesmo não possa garantir com relação aos leitores. Sim, inimigos globo afora, eu tenho leitores. Por volta de oito diariamente, segundo o Google Analytics. Se levarmos em conta que um desses leitores sou eu próprio acessando o site do estágio e o outro sou eu acessando de casa, o número que era até satisfatório cai para módicos seis internautas. Considerando ainda que, se um amigo meu qualquer também acessar de casa e do trabalho, então somos apenas quatro heróicos freqüentadores. As possibilidades são infinitas.

Hoje escrever no blog é uma das minhas atividades de lazer prediletas. Tanto que quando estou sozinho, principalmente dirigindo, tomando banho e naquela hora mágica que por falta de nome melhor vou chamar de ante-sala do sono, fico pensando em possíveis textos para colocar aqui. Minha intenção é fazer as pessoas rirem com o que eu escrevo. Aqueles quatro leitores, no caso. Muita gente pode achar é perda de tempo, bobagem, alienação, e eles talvez estejam certos. Mas eu prefiro achar que essa é a minha maneira de ajudar a salvar a humanidade. Pelo menos é a que dá menos trabalho.

E já que entrei na seara das confissões, aqui vai outra: estou cansado de não fazer sucesso na blogosfera. Por muito tempo achei que poderia ser bem recebido pelo público escrevendo sobre pensamentos e histórias que eventualmente me viessem à cabeça. Mas a realidade se mostrou cruel. Os internautas querem ver sentimento num blog, eles têm sede de confissões açucaradas. Demorei um ano, mas finalmente entendi o recado, eu me rendo. Estou pensando em abrir um novo blog, uma espécie de filial sensível de 'O Furor'. Nele eu colocaria textos delicadinhos e poesias róseas, invocando amores partidos e convidando o leitor a mergulhar nesse oceano profundo de tristeza que é a vida. Vocês verão se assim eu não consigo audiência. O novo blog se chamaria ' A Lágrima do Anjo', em conformidade com o turbilhão de emoções que ele deve causar.

Brincadeiras à parte, recomendo que todo mundo monte seu próprio blog. É uma maneira eficiente de organizarmos nossos próprios pensamentos e até de nos conhecermos melhor. E, anos mais tarde, temos a possibilidade de reler as postagens antigas e morrer vergonha. Não sei o que pode ser mais construtivo. E se você acha que não tem assunto sobre o qual escrever num blog, faça como eu. Um conhecido tem uma frase assim: "não tem o que dizer, não coloque isso em palavras". Ele deve se contorcer ao ler 'O Furor'. Paciência. Torçamos para que estejamos melhores no segundo aniversário.

domingo, 21 de setembro de 2008

O mato e eu

Imagem captada pelas lentes do fotógrafo e lenhador Marcelo Camargo

Vêem a foto acima? Sou eu bebendo água de córrego. Ela é um cala-boca a todos aqueles que duvidavam do meu apego à natureza. Tomem isto, críticos! Tinha muita gente achando que meu discurso pró vida selvagem era da boca para fora. Quero ver como vão reagir agora.

"Como saberemos se é você mesmo na foto se não dá nem pra ver o rosto?" Ah, por favor! Olhem a cor da camisa! Só três pessoas encaram uma trilha sob o sol da Chapada dos Veadeiros de preto: Batman, Drácula e eu. Três morcegos.

Enquanto saciava minha sede debruçado sobre o colo da Mãe Natureza, escutei alguns comentários de turistas ao redor:

- Meu Deus, ele vai pegar um verme.

Quer dizer: a luta continua, mais urgente do que nunca. Urbanização geográfica, tudo bem. Da alma, jamais!

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Queria poder te abraçar - mas não dá

Outro dia li no jornal um dado curioso. Falava do ideal de beleza num desses países africanos, eu acho que é a Namíbia. Lá, completamente diferente daqui e do resto do mundo ocidental, a mulher bonita é a obesa. E quanto mais dobras tiver, melhor. Tanto que um dos costumes dos pais e mães locais é empanturrar as filhas de comida desde cedo na infância - num sistema de engorda muito semelhante ao aplicado em gansos destinados a virar foie gras, sempre segundo o jornal. A gravidade da coisa chega ao ponto de as autoridades nacionais precisarem espalhar cartazes e outdoors nas ruas explicando que gordura não faz bem à saúde e que bom mesmo, por mais absurdo que possa parecer, é ser magra.

Uma das imagens líricas mais evocadas pelos poetas daquele país, principalmente entre os de maior verve, é a da mulher obesa lutando para tentar subir num camelo. O belo supremo.

Inspirado pelos bardos da Namíbia, aqui vou eu:

Queria poder te abraçar - mas não dá (é o título do poema)

Meu amor,
quando te vi rotunda e vacilante
a custo alçando-se às corcovas
Doravante
meu corpo como nunca ardeu
perto do redondo teu
a cada instante

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

A galinha saiu do galinheiro

Vivemos tempos difíceis no Brasil, em que já não é mais possível conversar ao telefone sem tomar o máximo de cautela. Felizmente somos um povo criativo:

- Alô?

- Está chovendo em Sarajevo.

- Sei. É chuva forte?

- Chovendo granizo.

- Tá. Vou levar o guarda-chuva, então.

- Não, não. Guarda-chuva, não. Vem de capote.

- Beleza. Capote.

- Só tem um problema: a galinha saiu do galinheiro.

- Droga!

- Pois é.

- Saiu com o ovo?

- Foi.

- Droga!

- Então é isso, cara. Feliz Natal pra você e pra toda a sua família.

- Pra família também?

- Também, também.

- Tá bom. Até mais, Januário.

- Até ma... Peraí. Você falou meu nome, pô!

- Falei não.

- Falou sim. Você disse: "até mais, Januário".

- Agora foi você quem falou.

- M...!

- Sossega, cara. Devem ter muitos Januários no mundo.

- Mas em Brasília provavelmente são poucos... Aliás, Brasília não. Sarajevo. Estou em Sarajevo. Ouviram bem? Sa-ra-je-vo. Sa-ra-je-vo.

Tum. Tum. Tum...