domingo, 29 de novembro de 2009

Gerúndio vai à forra

Até hoje me lembro do dia em que o Arruda demitiu o gerúndio. Foi um ato arrojado aquele. Ali ficou claro que o governador não permitiria que nada atrapalhasse seus planos para o DF, nem mesmo a gramática. Eis agora o troco. No dia do impeachment, haverá, certamente, muita gente que "vai estar se divertindo".

Em toda essa lamentável tragédia que se abateu sobre a cúpula do governo distrital, há uma questão quase cômica com a qual devemos começar a nos preocupar: a dificuldade que será estabelecer, pelas vias costumeiras, um substituto para o Arruda. O vice-governador, primeiro na linha sucessória, também está envolvido no escândalo. O mesmo acontece com o presidente da Câmara, a segunda opção. Acho que a terceira alternativa é o presidente do Tribunal de Justiça, mas bonito mesmo seria se os juízes cravassem uma espada em uma pedra na frente do Buriti e dessem o governo para o primeiro bravo que conseguisse retirá-la. Já deu certo em imbróglios parecidos.

Ou então o Arruda pode tentar levar adiante a história de que o dinheiro era para comprar panetone para os pobres, que nem é tão inverossímil assim. Eu mesmo estou inclinado a acreditar nessa versão. Se ele tivesse dito que compraria pão e leite, aí ficaria na cara que estava mentindo. Pão e leite é muito óbvio, qualquer macaco velho pensaria nisso. Mas panetone não. Se for uma desculpa esfarrapada, pelo menos que se reconheça que tem certo refinamento.

Lastimável mesmo é que agora não vai sobrar ninguém para negociar o show do McCartney no aniversário da cidade. Pena, porque seria um acontecimento histórico. Fica para os 60 anos. Imagino que em algum lugar de Nova York um telefone esteja tocando neste momento.

- Hello?

- Sir Mccartney ! É sobre o show que o senhor faria aqui em Brasília...

- Yes?

- Estaremos adiando o evento.