domingo, 26 de dezembro de 2010

O banquete anual dos escritores

Em 2010 o banquete anual dos escritores foi diferente. No lugar do tradicional amigo-oculto, tiveram a ideia de organizar um desafio. Cada um dos mestres deveria levar para o jantar um objeto qualquer que representasse a essência de toda a sua obra. Aquele que desse conta da tarefa com mais poesia seria declarado o vencedor.

O primeiro escritor levantou-se com uma caveira na mão. Os colegas logo entenderam. Sua literatura versava sobre o ser e o não ser. Todos na mesa aplaudiram.

Depois foi a vez de um jovem romancista que mostrou aos convivas a caixa de um tarja-preta. O rapaz escrevia por e sobre o amor. Mais aplausos.

Um senhor grisalho e de ar austero apresentou uma boneca inflável. A solidão era a linha-mestra de seus romances. Dessa vez os colegas não só aplaudiram, como alguns não conseguiram conter uma lágrima.

Em seguida um dos acadêmicos levantou-se com um de seus próprios livros na mão. Claro, sua literatura era sobre o óbvio. De alguma maneira, todos os colegas sabiam que esse seria o objeto que ele iria apresentar, mas nem por isso deixaram de felicitá-lo pela ideia.

O próximo escritor, com muito garbo e dignidade, abriu a carteira e exibiu aos presentes um maço de notas de cem dólares. Os colegas, que em geral torciam o nariz para o membro mais bem-sucedido da Academia, não puderam deixar de lhe reconhecer a sinceridade e propuseram um brinde em sua homenagem.

Um veterano ficcionista, muito apreciado no meio univesitário, empunhava um frango assado de padaria. É que, segundo a crítica, sua literatura não tinha pé nem cabeça. Um acadêmico quis ler um desagravo em favor do colega. Mas foi interrompido pelo próprio veterano, que gostava de ser visto como gênio incompreendido.

Houve ainda um intelectual recém saído da universidade que levantou-se, mostrou as mãos espalmadas e tornou a sentar. Sua obra era sobre o nada. O confrade ao lado, com quem tinha estreita afinidade poética, repetiu o mesmo gesto, só que com um pouco mais de veemência. O vácuo era seu grande tema. Aplausos e aplausos.

Quando todos os escritores já haviam apresentado seus objetos e estavam bastante satisfeitos com a própria inteligência, um sujeito de aparência questionável deu um chute na porta do salão e caminhou rumo à mesa dos artistas. Ficaram todos surpresos. O homem então disse:

- Vocês me conhecem. Eu sou o ghost writer de muitos sentados aqui. O intelectual ao seu lado também me contratou, não foi só você que teve a ideia. Os seus parágrafos são meus parágrafos. Já escrevi dezenas de livros e ao mesmo tempo nenhum. Mas pelo menos tenho direito de participar da brincadeira. Querem saber a essência da minha literatura? É esta!

O homem sacou um revólver do bolso, mirou contra o próprio peito e, para horror dos acadêmicos, disparou. Mas a arma estava descarregada. Ele então desatou numa risada lunática e foi embora da mesma forma súbita com que entrou, não sem antes deixar um gesto obsceno de lembrança.

Fora esse, o jantar seguiu sem mais incidentes. O prêmio da noite, por unanimidade, foi entregue ao escritor da boneca inflável. Para 2011, a Academia estuda voltar com o amigo-oculto, ou talvez nem isso.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

O sorriso do destino

Amigos, esta é uma vida bonita e não fica bem pensar o contrário. Por mais que às vezes andemos meio desiludidos e em dúvida sobre o que viemos fazer aqui, sempre tem um acontecimento que nos faz perceber a graça de estar sob o céu. Podem ser coisas pequenas: uma ligação no celular que nunca toca, cigarras cantando no seu banheiro, um amigo que subitamente aparece de bigode. Ou pode ser o que aconteceu comigo hoje.


Estava à toa em casa, perdido em maquinações não muito saudáveis, e decidi caminhar um pouco lá fora, para dar ao destino uma oportunidade de me surpreender. É preciso que a gente também faça nossa parte, pensei, a vida não trabalha com entregas em domicílio. E era um fim de tarde clássico, tinha acabado de chover, várias cores no céu. Lá fui eu. Mas nem bem tinha começado a caminhada, um sujeito me interrompeu. (Releiam o título do texto, por gentileza, é a este fato a seguir que ele se refere). Automaticamente, como bem me ensinaram as autoridades, levei os olhos ao crachá do homem. Depois de me certificar do que estava escrito, tive a consciência de que este dia entraria para a história.

Sim, senhores, era um pesquisador do Ibope. Um pesquisador do Ibope, com tudo que isso significa, seu peso místico, sua aura inquisitória, seu questionário fumegante, decisivo para os rumos da pátria, quiçá do universo. Tudo isso diante de mim. E pensar que milhões de pessoas país afora duvidam da existência desse paladino das pesquisas eleitorais, só porque nunca viram um. Eu também, pobre tolo, já começava a colocá-lo na conta dos seres sub judice, como duendes e et´s. Mas nunca cheguei a descrer completamente e hoje minha fé foi premiada.

Prestarei meu testemunho, que considero valioso já que muitos de vocês passarão o resto da vida sem o privilégio da experiência que eu tive (culpem o destino, não a mim). Um pesquisador do Ibope é um sujeito simpático nos modos e no trato, tem uma aparência discreta, se bem que levemente abaulada no baixo ventre. Chama-se Diego e sacode um pouco, mas não demais, a mão do interlocutor na hora de cumprimentar. Apenas o necessário para mostrar firmeza sem intimidação e cordialidade sem intimidade. O pesquisador do Ibope é um gentleman.

Agora, aos trâmites. Nome? Vítor - sem o "c", por favor. Ah, já escreveu com "c"? Não tem problema. Assim fica como Victor Hugo, tremendo poeta. Já leu o Corcunda de Notre Dame? (Inventei a parte da conversa literária. O resto se passou como o descrito). Se eu me considero muito satisfeito, satisfeito, insatisfeito ou muito insatisfeito com a vida? Satisfeito. Fez ainda outras perguntas sócio-econômicas, quanto eu ganho, qual é a renda lá de casa, qual é a minha profissão, minha religião e meu sexo.

Não perguntou o sexo, deve ter deduzido. Estou só romanceando a história.

Perguntou, também, claro, em quem eu vou votar para governador e presidente. Aqui era a minha grande chance de detonar todo o sistema. Responder tudo errado sobre minhas intenções de voto só para ver o caos instalado, numa espetacular reação em cadeia, que iria desde o instituto de pesquisa, passando pela imprensa e terminando no Palácio do Planalto. Mas na hora eu estava tão feliz que nenhum pensamento revolucionário me ocorreu. Tudo bem, não me arrependo. Depois de cinco minutos que merecerão pelo menos dois capítulos na minha biografia, tinha chegado ao fim a entrevista.

Quais são as chances de eu ter sido vítima de um golpe ou pegadinha? Bem concretas, vamos ser sinceros. Rememorando os detalhes, a prancheta do pesquisador não me soou muito profissional e ele próprio parecia conter um riso de canto de boca de vez em quando. Mas que importa? Julgar-se amado é, no fundo, ser amado de fato. Já basta. Se foi uma ficção o que vivi, não faz diferença, porque para mim funcionou como vida real .

Para terminar, um tópico delicado. As pessoas desconfiadas - sei que há delas entre meus melhores leitores - devem ter estranhado a brevidade da pesquisa. Provavelmente, acham que eu omiti alguma parte. Na cabeça delas, existe um rito secreto entre pesquisador e entrevistado para que itens da pesquisa permaneçam sigilosos. Os desconfiados acham que o agente tem uma planilha confidencial de questionário - talvez denominada "Páginas P."-, onde estão as perguntas que realmente contam para o sucesso da pesquisa e que não podem chegar aos ouvidos da concorrência, por isso convencem o entrevistado, de algum modo desconhecido, a não falar nada a respeito. É uma tese respeitável, mesmo assim não vou me meter no assunto.

Mas se estivesse na sua pele, leitor, depois de descobrir que pesquisadores do Ibope realmente existem, e em carne e osso, eu não duvidaria de mais nada neste mundo.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Ficha Limpa às duas da manhã

Depois de ficar até esta hora assistindo à TV Justiça, e ainda por cima ver frustrada a minha expectativa de que acontecesse alguma baixaria entre os ministros, me dou o direito de opinar sobre a polêmica.


Acho que não é a fórceps que se vai moralizar o país. Se uma iniciativa, por mais bem intencionada que seja, não respeita as regras estabelecidas, ela não pode seguir adiante. É o que ocorre com a Ficha Limpa. A impressão que me causa é a de uma investida de paladinos da justiça atuando pelo que julgam ser o bem da nação. O problema é que decidiram reparar o mal por uma via arbitrária, e isso não pode ser saudável. Aberto o precedente, as garantias legais que asseguram os direitos de pessoas e instituições correm o risco de não valerem mais nada.

Quando Roriz renunciou em 2007, não havia previsto em lei nenhum outro prejuízo direto senão a perda do mandato de senador. Três anos depois, imputar àquele gesto uma penalidade que antes não existia soa estranho até para quem, como eu, não tem familiaridade com o Direito. E se amanhã o Congresso resolve editar uma norma prevendo sanções para todos que tiverem assistido Titanic mais de uma vez no cinema? Muita gente estaria perdida, mas na época que cometeram o ato não poderiam prever que ele se tornaria ilegal, porque, se pudessem, teriam se contido, ou não, mas pelo menos teriam a opção de decidir arcar com as consequências.

A sanha de extirpar os muitos Rorizes da política, que é uma bela bandeira, não pode estar acima das regras do jogo. A triste verdade é uma só. Se fosse um país de gente educada, não precisaria de lei alguma para evitar que políticos da espécie do ex-governador voltassem ao poder. Mas como somos incapazes de fazer uma escolha minimamente razoável perante as urnas, os tribunais, com destaque para o TSE, sentem-se na obrigação de fazer valer os mecanismos que impedem o eleitor de, mais uma vez, levar a corja ao poder.

Mas é democrático barrar a candidatura de alguém que tem uma condenação da qual ainda cabe recurso? Antes de ser considerado culpado, o sujeito já paga pelo crime?

Fiz uma analogia na madrugada: estamos nas nossas salas de aula na quinta série e a professora anuncia que vai haver votação para escolha do representante de classe. Mas há uma condição. Alunos que ela considerar indisciplinados não poderão concorrer. A professora sabe que a turma do fundão, com promessas de lazer e anarquia, seduz o eleitorado. Então ela cria mecanismos para alijar esses personagens do processo eleitoral. Mas até que sejam expulsos da escola ou considerados inaptos pela direção, a máxima instância, os alunos da turma do fundão ainda tem seus direitos. Ou não?

Isso me faz lembrar que na quinta série o representante fui eu, que tinha a ficha limpa, pelo menos na visão dos professores. Não atrasava os deveres, tirava boas notas e zelava pela ordem na sala. Em pouco tempo minha gestão conservadora entrou em conflito com as tendências do partido do fundão. Antes que o golpe, àquela altura iminente, adviesse, abdiquei. Não quero fazer prognósticos sombrios, ainda mais a dez dias da eleição, mas desde então aprendi que certo tipo de político, por estar em plena consonância com os valores (ou falta de) de grande parte da população, não são combatidos apenas com leis.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

O pedido

Hoje o Brasil dorme acossado pela dúvida. Nos últimos segundos da entrevista ao Jornal Nacional, o candidato José Serra começa uma frase, mas não chega a concluí-la, porque seu tempo se esgota justamente no momento crucial . A todos nós, que morreremos sem saber qual seria o fatal desfecho daquele (a partir de agora histórico) pronunciamento, resta a especulação. Quando foi interrompido por Bonner, Serra dizia: " Eu gostaria de pedir às pessoas que...":


1: perdoem estas olheiras.

2: devolvam meu suéter, caso o encontrem. Perdi em uma passeata na semana passada, não sei se em Barbacena ou se em Paulínia.

3: amem umas às outras como se não houvesse amanhã.

4: não deixem de colaborar com o Criança Esperança. Para doar cinco reais, disque 0300...

5: ...o que eu ia pedir mesmo? Achei que não ia dar tempo, por isso nem decorei.

sábado, 24 de julho de 2010

O submundo desnudado

O crime organizado tomou conta da cidade, exatamente como eu temia. O próximo passo é nossas vidas sofrerem profundas alterações para se adaptar à nova realidade. Um amigo meu, por exemplo, resolveu comprar um canivete para o caso de qualquer desentendimento com um bandido, e olha que ele é um jovem pacato, não o reconheço mais. Onde vai parar a ascensão do submundo? Para mim, a questão é muito simples: enquanto as autoridades há décadas utilizam os mesmos métodos de combate ao crime, os bandidos se modernizam periodicamente e hoje dispõem das mais criativas e sofisticadas técnicas que podemos imaginar.


Um exemplo é o que ocorre na rua embaixo da minha janela. Há cerca de dois meses comecei a ouvir uns latidos estranhamente pontuais, sempre por volta de meia-noite, às terças e quintas. "Cachorro incrível!", pensei comigo. Uma noite montei vigília na janela e vi, que na verdade, se tratava do fornecedor de drogas chamando o pequeno traficante. Emitia um latido, o traficante aparecia e eles trocavam abraços como se fossem velhos amigos que tinham se encontrado por um feliz acaso naquela esquina. (Essa pequena encenação, muito convincente e até emocionante, era necessária para despistar qualquer desconfiança). Depois trocavam algumas palavras amistosas e finalmente o fornecedor passava para o outro um pacote daquelas balas de gelatina levemente azedas chamadas "minhocas cítricas", acho. Ali estavam não as minhocas, mas as pedras de droga, que o traficante analisava rapidamente, antes de dar umas notas de dinheiro amassadas para o colega. Então os dois se despediam e, invariavelmente, quando já tinham se distanciado alguns passos, o fornecedor se virava para trás e gritava: "temos que marcar aquele futebol!" (sempre a encenação).

Isso quando era um latido só, porque já houve casos de serem dois. Nessas ocasiões, o pequeno traficante não aparecia, mas trinta segundos depois, uma viatura da polícia passava fazendo a ronda. Quando eram três latidos, o pequeno traficante vinha com um guarda-chuva. Logo em seguida começava a chover. Tudo mais transcorria como nas noites de um latido só.

Teve um dia que eu ouvi um diálogo diferente. Foi na hora que o traficante recebia o pacote de minhocas cítricas do fornecedor. Olhou lá dentro e se deparou com um produto inesperado:

- Que brincadeira é essa, cavalheiro?

- Prove.

- Mas são balinhas de gelatina!

- Só peço que prove.

O traficante deu uma mordida em uma das minhocas.

- Sublime!

- Perceba a textura.

- Estou percebendo. E derrete na boca.

- Sem dúvida.

- E como fazem para ser doces e azedas ao mesmo tempo?

- É inquietante. Não sei.

- Tenho clientes que pagariam uma fortuna por isso.

- Podemos dar um jeito. Recebo o carregamento de Honk Kong toda semana, sem intermediários.

- Fechado. Você me entrega às quartas-feiras?

- Às quartas-feiras. Um latido e meio?

- Era o que eu ia propor.

Apertaram as mãos solenemente e se separaram.

- Ah, e temos que marcar aquele futebol!

terça-feira, 20 de julho de 2010

Se tudo fosse quicar e correr

Há três anos, eu já andava seriamente desconfiado de que as pessoas davam mais importância aos problemas do que eles realmente mereciam. Mas, como não conhecia um modelo alternativo fora daquele que me rodeava, mais ou menos me convenci que a vida fosse assim mesmo, cheia de questões sérias pedindo uma solução urgente. Até que a revelação me veio através de uns amigos que fiz na faculdade.


Eles não se preocupavam com nada (melhor, se preocupavam em não arrumar preocupações). Ou pelo menos assim me parecia, pode ser que eu tenha idealizado a imagem deles para se ajustar às necessidades que eu tinha na época e tenho até hoje. O fato é que, na minha cabeça, aqueles amigos eram heróis da libertação, que vieram para mostrar que meus receios com relação à universidade, vida profissional, às expectativas que a sociedade deposita na gente, não valiam mais do que um churrasco no campus no meio da tarde ou uma partida de sinuca. Exatamente como, lá no fundo, eu já suspeitava.

A vida para eles obedecia a uma lógica que eu nunca tinha visto antes, e isso era o que mais me fascinava. O que era prioritário para todo resto, para esses amigos não passava de uma questão menor. Não sentiam necessidade de provar para o mundo que eram alunos brilhantes, jovens promissores, cidadãos exemplares. Tinham o único compromisso de serem fiéis às próprias verdades, mesmo que elas apontassem numa direção oposta à da maioria, como frequentemente ocorria.

Eu me sentia vingado quando eles faziam pouco caso de uma disciplina, porque minha grande vontade era mandar passear todos aqueles professores e sua enganação acadêmica, só que não tinha coragem. Também era um deleite quando meus amigos desobedeciam solenemente regras impostas por nossos colegas politicamente corretos, que confundiam civilidade com carolice. Claro que esse comportamento lhes renderam sanções e até jubilamentos, o que só contribuía para que eu os visse cada vez mais como mártires.

O mais curioso é que não havia nada de anti-natural na maneira deles agirem. Nasceram assim ou tinham se transformado, mas não se esforçavam para sê-lo. Pareciam exóticos para todo o resto e talvez não se dessem conta do quanto. Estavam sempre alegres e maquinando alguma ideia mirabolante , fosse para levantar dinheiro, fosse exclusivamente para se divertir. Nisso me lembravam personagens saídos das revistas em quadrinhos.

Um dia, um deles passou em frente a uma loja de material esportivo e viu uma bola de basquete. Juntou o dinheiro que tinha no bolso (que lhe faria falta, porque morava sozinho e estávamos no fim do mês) e resolveu comprar a bola, ainda que, até o minuto anterior, a ideia de jogar basquete não lhe passasse pela cabeça. Quando veio contar a novidade para a gente, todos os outros concordaram com a compra, como se dissessem "sim, você tomou uma decisão muito razoável". Só eu achei que não tinha o menor sentido.

Dali em diante começamos a jogar basquete todas as noites em quadras públicas da cidade. Foi uma época feliz, já faz três anos. Eu me sentia, de alguma maneira, tocando um pouco aquele mundo à parte em que meus amigos viviam e que eu invejava. Enquanto colegas de classe se preocupavam com estágios e tudo que tivesse a ver com um futuro respeitável, eu jogava basquete à meia-noite, um esporte do qual eu nunca gostei, e ainda por cima acordando os vizinhos e correndo o risco de ser abordado pela polícia. Parecia uma loucura das mais saudáveis e eu era grato aos amigos por tomar parte nela. Mas eu sabia que, por mais que me esforçasse, não conseguiria ser um deles e que minha participação naquela realidade estava com os meses contados, o que de fato aconteceu.

Hoje os mestres teriam muito pouco a se orgulhar deste discípulo aqui. Ainda me preocupo em excesso com qualquer bobagem e, pior, dou muita importância a coisas que reconheço não terem a menor importância para mim. A diferença é que agora guardo na memória o exemplo de que é possível construir a vida fundamentada naquilo que nos é realmente prioritário, sem medo do fracasso ou da censura, porque convivi com gente assim. Essa lembrança serve de alento. E quando me vejo tomando uma atitude que não me significa nada, só por obrigação ou para corresponder ao que as pessoas esperam que eu faça, me esforço rapidamente para levar o pensamento para alguma quadra noturna, longe das verdades padronizadas e convenções do dia-a-dia, onde minhas únicas preocupações eram quicar a bola e correr ao mesmo tempo, o que, por si só, convenhamos, já era um desafio.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

A Copa dá o que pensar

Quando houve o show de abertura da Copa, no Soweto, e a Fifa levou uma série de artistas internacionais para o palco, mas nem mesmo se deu ao trabalho de justificar por que a banda de pagode brasileira que leva o nome do histórico bairro de Joanesburgo não estava entre as atrações, eu disse para mim mesmo: "esta Copa vai dar o que pensar."


Quase duas semanas depois, vejo que não errei na previsão. Muita gente diz que o futebol praticado dentro de campo tem sido de má qualidade, mas acho que essa questão é secundária. A Copa extrapola o jogo. Que o diga o jogador norte-coreano chorando feito bebê durante a execução do hino de seu país. O que passava pela cabeça dele naquela hora? Ou o atacante que, depois de marcar um gol, corre desesperado para confraternizar com os compatriotas na arquibancada. A turba enlouquecida comemora um gol, mas parece que acabaram de expulsar o exército inimigo do território pátrio. Ou que ganharam todos na loteria ao mesmo tempo.

Muitos dos sentimentos humanos são escancarados numa Copa. Fica mais fácil de entender a nossa própria frustração depois que vemos a frustração estampada nos rostos daqueles que acabaram de ser eliminados do torneio e vêem o sonho ruir. Mas também o medo está ali, a loucura, o equilíbrio, a ousadia. Alguém que não conhecesse o gênero humano poderia se informar assistindo a uma Copa.

Isso porque não só as emoções estão representadas, os mais diversos tipos também. Tem o Dunga, que remete à ignorância, ao mal que o sujeito consegue fazer a si mesmo quando abdica da cultura e da educação. Numa outra extremidade, o Maradona, que não chega a ser um poeta, mas tem mostrado uma presença de espírito que, a despeito de todas as bobagens que já disse e já fez, está contribuindo para que ele se torne uma das figuras mais queridas desses dias. Se o Dunga resolveu declarar guerra ao planeta, o Maradona parece querer se reconciliar com ele.

Mas de todas as reflexões que a Copa instiga, nenhuma tem me intrigado tanto quanto a que surge dos resultados dos bolões. Quem mais acerta os placares dos jogos são justamente as pessoas que menos acompanham e menos entendem de futebol. Já percebeu isso? Fiquei pensando que, assim como nos bolões, também na vida se dá melhor quem pouco entende do assunto e joga mais com a intuição do que com a razão. Será possível? Eu sempre achei que consciência demais atrapalhava, mas daí a imaginar, por exemplo, que a Espanha perderia para a Suíça, extrapolava em muitos quilômetros a barreira do bom senso. Não foi o que a Copa mostrou. Talvez seja essa uma grande lição.

P.S.: feliz inverno para todos. Se não nevar em Brasília desta vez, nem por isso devemos desanimar. Depois da prisão do Arruda e da chapa Agnelo-Filipelli, é lícito imaginar que a neve esteja bem cotada na lista de excentricidades por vir. Torçamos.

sábado, 8 de maio de 2010

Ética no dia-a-dia

Você está num restaurante. Na mesa vizinha, senta um deputado que ficou famoso no país inteiro por ter se envolvido no mais recente escândalo de corrupção. Você:

a) pede um autógrafo.

b) verifica a possibilidade de sair um cargo comissionado para aquela prima de Campo Grande.

c) sobe na mesa e faz um emocionado discurso de desagravo ao parlamentar.

d) na hora de pagar a conta, finge que vai tirar o cartão de crédito da meia, só para ver a reação dele.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

50 anos depois

Minhas previsões para o centenário de Brasília. Podem cobrar quando for o dia.

- O Memorial JK terá dado lugar ao Memorial Roriz. Natural, porque pai é quem cria, não quem bota no mundo.

- Em vez de "capital do Rock", seremos a "capital do Gospel".

- Alguém vai lembrar que Brasília é maior que seus escândalos políticos, ainda que nunca os escândalos políticos tenham sido maiores do que então.

- A Catedral vai estar fechada para reforma.

- Haverá grande polêmica em torno da construção do setor Su-Sudeste (teremos quase esgotado a rosa-dos-ventos).

- Moradores das satélites precisarão de visto para trabalhar no Plano. Aqueles que forem partidários do governador vão conseguir.

- Os bares e restaurantes continuarão fechando as portas pontualmente à meia-noite.

- E, finalmente, o Niemeyer vai falar mal da cidade em alguma entrevista rabugenta. Mas ninguém vai dar muita bola.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Vou começar a torcer pelos apagões

Instalaram uns postes de iluminação novos no gramado em frente ao meu prédio. No primeiro dia, achei que estavam preparando algum evento, talvez um jogo de futebol, de tão intensa que era a luz. Depois descobri que vão ficar ali em definitivo, aqueles postes e sua iluminação exagerada, e que as noites daqui para frente serão mais claras do que nunca. Situação dramática para quem, como eu, prefere as madrugadas como elas nasceram para ser, sombras e trevas. Outro dia li no jornal que cientistas britânicos afirmavam que o direito ao céu noturno deveria ser inviolável. Eu sempre soube disso. Mas, se na cidade já é difícil ver as estrelas, por causa das luzes artificiais, no meu caso especial ficou mais complicado ainda. Com esses postes novos, não dá para distinguir direito se anoiteceu ou se é o dia que ficou meio nublado. Claro que uma anomalia dessas traz sérias consequências para quem vive ao redor.


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Eu, por exemplo, para manter meu quarto escuro - não bastava para o poder público colocar um sol da meia-noite lá fora, era preciso que a luz invadisse o meu quarto também - tive que recorrer ao expediente da cortina fechada. Justo eu, que nunca gostei de véus entre meu sono e a madrugada. Vá lá, com isso a gente se acostuma. Mais triste tem sido testemunhar o esgotamento gradual de toda minha inspiração. Era o breu da noite - minha verdadeira musa, agora eu sei -que alimentava meu lirismo. O fim de um decretou a morte do outro e já não tenho ideias além de razoáveis. Pelo menos é um desfecho poético para essa carreira de bardo.

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Curioso é que Brasília, graças aos escândalos políticos, não tem governo para decidir sobre os assuntos da cidade desde o início do ano. Obras estão abandonadas, projetos foram suspensos e a máquina pública só não parou completamente porque tem funcionado por inércia. Mas alguém para resolver instalar postes novos em frente ao meu prédio o governo tem. Os integrantes do GDF que não foram presos, pediram afastamento ou estão envolvidos com as eleições indiretas. Fico imaginando que tenha sobrado só um funcionário, em alguma secretaria distante, engajado no projeto da "nova iluminação pública". Deve ser um idealista.

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Mudanças causam grande transtorno também à Fauna, podem alertar especialistas
O que vai ser das corujas, seres noturnos, que se acostumaram à escuridão do gramado aqui em frente? E os morcegos? E se tiver algum galo nas redondezas, será que continuará cantando antes de amanhecer ou vai se confundir com a luminosidade e começará a cantar em horários completamente absurdos?

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Lamento muito. Alguém vai falar que a iluminação é para evitar assaltos. Mas eles já ocorrem durante o dia, sem muito constrangimento por parte do bandido ou infrator, se for menor (tem diferença). E sabem do que mais? Não se substitui um assalto por outro. Mas se for para substituir, que se faça a escolha certa. O que é ter uma carteira batida de vez em quando perto de ter nosso céu noturno surrupiado para sempre?

domingo, 7 de março de 2010

Um escafandro, por favor

Noite passada eu tive um sonho que custarei a esquecer. Pode ser que ele represente algo de alvissareiro operando dentro de mim ou pode ter sido só uma piada da minha cabeça mesmo. Não sei. Quando as coisas acontecem comigo não consigo ter uma opinião muito razoável a respeito.

No sonho eu estava numa sala de aula. A julgar pelo estado das cadeiras e por um e outro rosto conhecido, era a minha faculdade. A professora tinha pedido para a gente escrever um texto que depois teríamos que ler para a turma. Eu fui o primeiro aluno escolhido. Levanto e começo a ler meu texto em voz alta. Começava assim:

"O mar é um sujeito profundo."

"O mar é um sujeito profundo"? Que charlatanice! Soa a pseudo-lirismo descarado. E pior, tem certas pretensões filosóficas. De onde eu posso ter tirado isso, não faço a menor ideia. Sei que no sonho brindo com esta pérola meus colegas de classe, minha professora e a mim mesmo - que, espectador, não sabia o que estava por vir: "o mar é um sujeito profundo".

Não sei se havia outras frases ou se o texto se resumia a essa única. Logo após minha leitura, lembro que a professora ficou visivelmente indignada. Eu devo ter ofendido seus mais caros valores estéticos. Na visão dela, aquela frase era descabida, vazia, e não fazia sentido sob nenhum ponto de vista.

Eu ainda tentei argumentar em favor da minha obra, dizendo que havia ali um certo vanguardismo que estava passando despercebido. (Logo se vê que o eu do sonho era bem mais desembaraçado que o eu real). Mas não lembro de como terminou o caso todo. Acordei e fiquei com a frase na cabeça.

Vocês já ouviram falar em certa tendência da psicologia que analisa os sonhos. Parece que, de acordo com estudiosos da área, quando sonhamos estamos, na realidade, dando voz aos impulsos mais puros do nosso subconsciente. É um contato direto com o estado bruto de nosso ser. Mas não só isso. Dizem que todos os personagens dos nossos sonhos representam nós mesmos. Percebem a gravidade da situação?

Se essa análise for verdadeira, se todos os personagens do sonho forem, no fundo, nós mesmos, então a frase "o mar é um sujeito profundo" fica ainda mais intrigante. Vejam, todos os personagens são uma representação minha ou de um lado da minha personalidade. Eu sou a professora, eu sou os meus colegas de classe, eu sou eu mesmo(aquele que lê o texto), mas eu também sou o mar. Por que não? Quando digo: "o mar é um sujeito profundo", só agora enxergo, é como se quisesse revelar para mim mesmo "o Vítor é um sujeito profundo". Que louco.

Não profundo como sinônimo de complexo ou sábio. Profundo no sentido de que há um Vítor que não vem à superfície, que dorme nas profundezas, talvez muito abaixo do pré-sal. E quer aflorar, levando em conta a veemência com a qual defendi meu texto no sonho. Por outro lado, a viagem à tona deve ser cheia de obstáculos, ilustrados pela recusa da professora em aceitar o discurso.

“O mar é um sujeito profundo...” Olhando assim, até que não é tão má frase. Será que dormindo sou melhor escritor do que acordado?

Atualizado 5 minutos após a publicação: um amigo leu o texto e acha que matou a charada. Eu teria escrito, na verdade, "Omar é um sujeito profundo", e não "O mar...". Essa nova interpretação faz pouco sentido para mim. Juro.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

A questão da tatuagem

O preso-celebridade é disparado o que dá mais trabalho. Que gente! Eles têm essa mania de questionar as regras da cadeia, como se estivessem em um hotel ou na própria casa. Díficil colocar na cabeça deles o conceito de estar encarcerado. E quando resolvem pedir comida de fora, pizza ou fast-food? O pessoal da cozinha fica muito ofendido, e não é para menos. Eu também ficaria.

No entanto, ninguém sofre mais com o preso-celebridade do que o carcereiro. É esse profissional abnegado que aguenta todos os caprichos, os chiliques, os ataques de estrelismo e, principalmente, os fingidos princípios de infarto do preso-celebridade. Tudo isso com paciência e serenidade tibetanas. O carcereiro sabe que zela não só por um preso, mas pela boa reputação da casa. Os bandidos passam, a cadeia fica.

Esta é a história, verdadeira, de um carcereiro e um preso-celebridade. Desse último vocês provavelmente já ouviram falar, foi preso, se não me engano, na semana passada mesmo. Os jornais devem ter dado.

Tão logo esse preso foi acomodado em suas dependências, mandaram chamar o seu Leomir. O seu Leomir era o carcereiro com mais tempo de serviços prestados na cadeia, funcionário exemplar, quase um mito, chamava os delegados pelos apelidos e era a referência para os mais novos. Por tais motivos, e também por alguns outros, logo se verá, cabiam a ele os presos-celebridade.

Parece que tinha um método para lidar com os famosos, ninguém sabia muito bem no que consistia. Fato é que, sob os cuidados do seu Leomir, os presos célebres se comportavam incrivelmente bem. Houve até uma vez que ele estava viajando e um outro rapaz teve que vigiar um cantor que tinha se desentendido com o fisco. Para encurtar a história, ao cabo de três dias o carcereiro estava preso por maus-tratos e o tal cantor tinha recebido uma indenização de não sei quantos mil reais, além de se ver livre de todas as acusações anteriores. Não deixaram mais o seu Leomir se afastar por muito tempo.

Então, como eu dizia, chegou esse preso novo, um homem poderoso, e mandaram chamar o seu Leomir. Assim que ficaram a sós, o carcereiro fez as apresentações de praxe:

- Esta é sua cela. A TV fica desligada o tempo todo, exceto quando passa futebol. Aqui vemos campeonato carioca e jamais o paulista, jogos do Flamengo prioritariamente. À sua direita fica o banheiro, pode usá-lo à vontade a qualquer hora do dia, mas nunca por mais de cinco minutos de cada vez, porque aí já se configuraria um cárcere dentro do cárcere e nós não queremos problemas. A roupa de cama é trocada toda semana, assim como a de banho, mas as toalhas da mesa não são trocadas nunca, por uma questão de superstição minha. Visitas íntimas são permitidas nos finais de semana, uma de cada vez. Já padres, pastores e similares em hipótese alguma são admitidos, pelo mesmo motivo que a toalha de mesa não é trocada, etc, etc, etc...

O preso, extremamente abatido com sua nova condição, ouviu toda a explicação de seu Leomir e assentiu com a cabeça, primeiro porque tinha entendido bem, depois porque achou que era tudo muito razoável e justo.

As coisas transcorreram mais ou menos dentro da normalidade até a noite do primeiro dia. Foi quando, após o jantar, o seu Leomir apareceu com um objeto que lembrava uma agulha, só que de proporções maiores.

- O que é isso? - perguntou o preso, levemente abalado.

- A questão da tatuagem - respondeu seu Leomir.

A cadeia tem suas regras, que valem para os criminosos comuns, mas também para os renomados. Uma delas, talvez a mais tradicional, é que todo preso, para marcar sua passagem pela instituição, tem que sair de lá com uma tatuagem no corpo. Não só pela tradição, isso também ajuda na reintegração ao meio social. Uma vez posto em liberdade, o detento pensaria duas vezes antes de incorrer em erros que pudessem trazê-lo de volta, porque veria em sua própria pele uma marca que nunca o deixaria esquecer da pena cumprida. A tatuagem, portanto, era um favor e não um castigo. Além do mais, o preso poderia escolher o desenho que gostaria de tatuar.

- Desde que não seja legenda de partido político - acrescentou seu Leomir.

- Mas eu devo ser solto em poucos dias! - quis argumentar o preso.

- Por isso sugiro que escolha logo o seu desenho.

O preso refletiu por alguns segundos. Seu Leomir, imóvel, tinha a expressão grave de alguém que só deseja cumprir seu dever com o máximo de correção. Finalmente o preso perguntou:

- E dói?

Acho difícil que um dia venhamos realmente a saber se o preso consentiu ou não em fazer a tatuagem. Como eu disse no início, presos-celebridade são cheios de melindres e sempre têm um advogado de quem podem dispor para quase tudo. Por outro lado, eu também não descartaria o talento de seu Leomir para questões dessa natureza. Uma maneira eficiente de tirarmos a prova da tatuagem é observar se o preso em questão, que certamente não terá sossego da imprensa nas próximas semanas, vai aparecer sem camisa em frente às câmeras. Se não aparecer, bem, é de se desconfiar. Talvez esteja querendo esconder algo.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Explicação aos irmãos em armas

Muitos companheiros do Movimento têm me perguntado por que eu não fui à passeata “Fora Arruda” ontem de manhã. Minha ausência é realmente lamentável, ainda mais que nesses últimos meses acabei me tornando uma das principais vozes da sociedade civil não-organizada no combate à corrupção. Reconheço que dessa vez deixei os irmãos desamparados. Mas felizmente tenho uma boa justificativa.

Acontece que, se por um lado eu repudio a corrupção com toda veemência, também tenho na mesma conta o ato de acordar cedo. Não sei qual dessas duas atrocidades mais me incomoda. Uma se caracteriza por tirar o dinheiro do trabalhador para patrocinar a riqueza de um grupo de malfeitores alojados no poder. A outra obriga o cidadão de bem a abdicar de horas sagradas de seu sono em favor de prioridades discutíveis da sociedade burguesa, como trabalho, estudo e outras obrigações.

Como, apesar de muito refletir, eu não conseguia escolher em qual das duas frentes minha revolta deveria ser empenhada, acabei, mais por inércia do que outra coisa, ficando na cama mesmo, que aliás estava de um aconchego embriagante.

Mas, se serve de compensação, enquanto dormia tive um sonho. Nele o Arruda e o Paulo Octávio pediam renúncia depois de três dias e três noites de protestos intensos da população nas ruas. Esse tipo de visão é o estímulo esotérico de que todo movimento social precisa para se sentir mais confiante em busca das suas metas. É como o sonho de Dom Bosco para os candangos. Se eu tivesse saído da cama mais cedo, hoje não teríamos esse triunfo na manga. O importante na luta é isso, cada um batalhando na sua área de atuação. Dessa pluralidade de contribuições, faz-se um todo vencedor. Avante.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

A doença é outra

O FHC se mantém firme no diagnóstico. Não é hipertensão o problema do Lula. É sub-peronismo.