quinta-feira, 28 de abril de 2011

Conto de Fadas

Se Deus existisse e se tivesse a mínima veia para a piada, os fatos amanhã transcorreriam assim:

Abadia de Westminster, Primavera de 2011. Por uma série de motivos improváveis, o lustre está caído no chão e o padre corre entre os bancos atrás de um leitão visivelmente embriagado (o leitão, não o padre). A nave está toda vazia, a não ser por duas figuras sentadas no altar:

- Eu falei para não convidar o Mr. Bean.

- Foi a vovó quem fez questão.

- E vocês precisam fazer tudo que ela quer? Custava ter ponderado um pouco?

- É que a cerimônia foi presente dela...

- Tá. E o Lula? Quem chamou?

- Ninguém. Ele entrou de penetra.

- Mas como? Com essa quantidade de seguranças?

- Acho que o Harry facilitou a entrada.

- Ah! Eu sabia! Eu sabia!

- O que foi agora? Vai implicar com a minha família inteira?

- Não vou implicar com a sua família inteira. Só gostaria que as pessoas deixassem
de ser crianças e passassem a assumir as responsabilidades da vida adulta!

- Mas ele é uma criança.

- Claro que é! E eu sou a rainha da Inglaterra!

- Olha, se você não queria ter entrado para a família, era só ter avisado. A gente não precisava seguir em frente. Ninguém estava te obrigando.

- (recobrando a calma) Tudo que eu mais queria era esse casamento. Mas não assim. Não desse jeito.

- Eu não te disse que seriam muitas as dificuldades? Hoje foi só a primeira delas. É o peso de ocupar a posição que ocupamos. Haverá tardes de domingo, por exemplo, em que vamos querer sair de carruagem e os cavalos não estarão atrelados ainda.

- (fazendo beicinho e com jeito de quem vai chorar) Eu sei...

- Mas o que importa é que a gente se ama e vai passar por cima de tudo isso. Juntos.

Nesse ínterim, o padre finalmente alcança o leitão.

- Tem razão. E até que foi engraçado quando o Lula puxou a dentadura da Camilla, não foi?

- Tá vendo? A gente ainda vai dar risada desse dia.

E, apesar dos percalços do caminho, viveram felizes para sempre.