quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Pastagem ao cair da tarde

Oi, amigos.

Talvez eu lhes deva uma satisfação. Em 2013 temos uma nova ilustração no topo desta página. Achei que, depois de cinco anos no ar, era hora de mudar um pouco. Cinco anos...

É uma foto que eu mesmo fiz e que se chama "Pastagem ao cair da tarde". Notem o mato verde. Basta chover um pouco para ficar assim. Dias antes o cerrado estava tão seco que dava dó. Depois da primeira chuva, que é quase só um respingo, tudo floresce de novo, de uma hora para outra.

Então as vacas pastam com mais gosto. Não é que não pastassem na seca, mas o capim amarelo não lhes seduz tanto quanto o verde. Quando tirei a foto, era nisso e também em outras coisas que eu estava pensando.

Essas vacas, as montanhas, o curral à esquerda e tudo mais que pode ser visto na imagem, menos o céu, pertencem à fazenda do meu avô. Desde pequeno eu vou para lá quase todo domingo. Não fica longe daqui, mas é tão diferente da cidade, em todos os aspectos, que parece estar em outro continente e também em outro século. Provavelmente é o lugar que eu mais visitei na vida. Certamente é o que mais eu carrego como recordação dentro de mim e para onde meu pensamento vai sempre que monta a cavalo.

Eu dizia que lá parece pertencer a outro século. É verdade. No início, nem energia elétrica tinha. Hoje já tem, mas felizmente não influencia em nada, porque são tão poucas as lâmpadas e tão pouco potentes que, quando anoitece, o quintal e a terra toda ao redor ficam escuros a ponto de não vermos nada um metro adiante. Apenas estrelas.

Lá ainda se cria o gado como antigamente, de maneira desorganizada e sem tecnologia alguma. O método se baseia, grosso modo, em deixá-lo pastar à vontade, sem impor grandes obstáculos. Pela manhã, reúne-se o rebanho para tirar leite e ver se alguém precisa de algum cuidado especial, como tratar ferimentos ou extrair carrapatos. Dá trabalho, mas daria mais ainda para quem não é um iniciado, o que não é o caso.

Meu avô ainda chama as vacas pelos nomes que ele mesmo dá. Com toda certeza, essas da foto têm uma identificação própria, mas vou ficar devendo. Pelo nome, conheço apenas as vacas que fizeram parte da minha infância, como a Beleza, a Dinamarca e a Bolacha. Esta última, aliás, tinha um defeito em uma das patas, o que não a impedia de correr atrás da gente. Ao mesmo tempo, terror e alegria da criançada. Foi a mais temperamental que eu já conheci.

Se eu fosse parar para contar todas as histórias, memórias e impressões da fazenda, levaria muito tempo. Está aí uma ideia: sentar qualquer dia para tentar organizar, da forma mais fidedigna, os registros das minhas experiências lá. Enquanto isso, voltarei ao assunto outras vezes aqui na página, sempre que o dia-a-dia estiver precisando de um toque rural.

Antes de terminar, para o retrato não ficar tão cheio de lacunas, preciso dizer ainda que lá na fazenda tem uma pequena produção de queijo minas. Funciona numa casinha caindo aos pedaços, perto do curral, com o chão de cimento vermelho todo carcomido pelo sal. Ao longo dos anos, os punhados de sal que foram caindo no chão abriram crateras. É um efeito curioso. Chamo a casinha de "A Fantástica Fábrica de Queijos". A produção diária, totalmente artesanal, é de mais ou menos 20 unidades. Se a vigilância sanitária passasse por lá, veria que não seguir todas as normas técnicas de higiene não faz tão mal assim para a comida, antes, forma o caráter de quem come.

Bem, acho que não haveria melhor foto para ilustrar a página. Para mim, vai ser sempre uma janela para outro mundo, que abrirei sempre que der vontade de visitá-lo. Talvez quem não conheça o lugar da imagem também, de alguma maneira, se sinta transportado para outra realidade. De qualquer jeito, acho que passa um recado. A pessoa abre a página e pensa: "opa, este blog aqui tem a ver com a natureza, com o entardecer, com as vacas pastando, com o céu preparando para chover, com as montanhas, com os queijos frescos, com a melodia dos pássaros, com a melodia do ar, com o capim, com o gado sem raça definida nem registro, com currais precários, com o Brasil, com os séculos passados, com a saudade, com a lembrança, com a beleza, com a vida..." Feliz 2013!