<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450</id><updated>2012-02-02T00:35:12.004-08:00</updated><title type='text'>O Furor</title><subtitle type='html'>por Vítor Noronha Matos</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>163</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-696990850691646741</id><published>2012-01-26T05:49:00.000-08:00</published><updated>2012-01-31T18:00:48.460-08:00</updated><title type='text'>As irrelevâncias</title><content type='html'>Outro dia o Carlos Nascimento abriu seu telejornal com a opinião de que nós, brasileiros, já fomos mais inteligentes. Ele fazia referência aos assuntos que dominavam as discussões nacionais na semana passada, notadamente o caso de estupro no Big Brother e o bordão da Luísa no Canadá. O âncora foi uma das poucas vozes da TV - senão a única - que alertou para o absurdo da pauta do país ser dominada por duas irrelevâncias desse tamanho, mas se equivocou na conclusão. Nós não éramos mais inteligentes no passado. Na verdade, nunca chegamos a demonstrar, como coletividade, algo que se possa classificar de fato como inteligência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se hoje não primamos pela riqueza intelectual, o mais provável é que em décadas anteriores a situação fosse ainda mais precária. Basta lembrar que há poucos anos a grande maioria da população brasileira vivia literalmente na Idade Média, sob todos os aspectos, inclusive aqueles que dizem respeito à formação cultural, educacional e filosófica do cidadão. Dizer, portanto, que já fomos mais inteligentes, é menos realidade do que força de expressão para realçar a futilidade dos dias atuais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas basta olhar para a sociedade que temos agora e fazer uma leve comparação com a de trinta anos atrás para perceber que algo desandou abruptamente nos últimos tempos. O que seria? Na minha opinião, éramos então tão ignorantes como atualmente somos, com a diferença de que antes a ignorância era motivo de constrangimento e agora passamos a nos orgulhar dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como disse um amigo, vivemos a glorificação da ignorância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tratamos a erudição como demonstração de pedantismo, um hobbie de lunáticos ou românticos que não têm nada mais útil com que ocupar o tempo. Nas escolas e mesmo nas universidades o estudo é tolerado exclusivamente como meio de se obter qualificação profissional. Qualquer busca por conhecimento com vistas "apenas" à ampliação da bagagem intelectual é considerada coisa supérflua. O mundo é pragmático demais para que se perca tempo com estudos que não reverterão, necessariamente, em aumento de salário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma breve observação nos escritórios, consultórios, repartições revela médicos, engenheiros, biólogos, matemáticos, jornalistas, professorres (a lista é extensa) que nunca leram um livro fora da sua área de atuação. Se antes a figura do bacharel era a de pessoa culta, interessada pelas mais diversas manifestações do conhecimento humano, hoje ele não passa, no melhor dos casos, de alguém muito bem treinado nos manuais do seu ofício.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O desinteresse pelo conhecimento pode ter várias causas, mas a principal delas parece ter raízes filosóficas. A vida, para o homem do século XXI, é entendida como uma experiência de gozo total, tal como propagada pelos filmes e comerciais. Momentos de quietude e reflexão significam fracasso na empreitada de fazer da existência uma aventura cinematográfica atrás da outra. As pessoas confundem aproveitar intensamente cada dia com satisfazer prazeres sensoriais e imediatos, que, convenhamos, não combinam com sentar-se para ler um livro ou dedicar tempo para absorver um novo pensamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ingênua filosofia da sociedade pavimentou o terreno para o reinado das irrelevâncias. Elas atendem à perfeição as exigências do freguês: proporcionam entretenimento instantâneo, são facilmente deglutíveis, o que ajuda no consumo, e são descartáveis, fator importante, porque sempre abrem espaço para que a próxima irrelevância surja e cumpra seu papel, renovando o ciclo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos visto o quanto elas sucedem uma à outra com facilidade. A bobagem vai para o limbo do esquecimento assim que pipocar a próxima em alguma rede social.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A internet, com sua velocidade, seu desconhecimento das distâncias, colocou nossos vazios individuais para dialogar um com o outro em tempo real. Finalmente encontramos conforto e acolhimento, ao compartilharmos a falta de sentido de nossas vidas 24horas por dia. A tecnologia ajudou a liberar esta força que sempre esteve latente nas pessoas: a vontade de estabelecer, de uma vez por todas, o reinado da ignorância e da frivolidade. Se antes havia obstáculos mesmo materiais para a proliferação das irrelevâncias, a questão foi resolvida com o generoso e democrático mundo virtual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos nos abraçamos na rede onde se discute o nada, onde nada se constroí, mas onde a solidão é aplacada pelo menos um pouco, para voltar ainda mais voraz no minuto seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os intelectuais dos cento e vinte caracteres correram para saudar o novo momento como uma revolução na História. Eles têm muita sede de novidades e precisam de uma atrás da outra, porque seu mundo é movido pela febre do momento. Hoje uma desconhecida alçada à celebridade, amanhã uma fofoca... Talvez eles se assustassem se percebessem que a revolução que interessa, aquela que vai se dar na mente do ser humano, tem dado passos para trás nos últimos tempos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não que seja necessariamente prejudicial se divertir com futilidades. O problema é que para elas vai toda a nossa atenção e para temas mais edificantes não temos dado a mínima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para terminar, há um enorme equívoco em tudo isso. As pessoas acham que encontraram a fórmula para uma vida feliz no desfrute de prazeres fáceis, imediatos, sensorias e primitivos. Acham ainda que, quanto mais as novas ferramentas tecnológicas ajudarem nesse sentido, mais devem se apegar a elas. Mas se esquecem - e aí está a crueldade que se infligem - que a vida é uma experiência fundamentalmente interior, vivida, sentida, de acordo com os mecanismos internos de cada um de nós. Se não cuidarmos da evolução de nossas capacidades interiores - incluída a intelectual - de pouco adiantará se voltar para o mundo externo.  Haverá sempre a sensação de que está faltando alguma coisa e as irrelevâncias vão continuar ocupando espaço cada vez maior em nossas vidas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-696990850691646741?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/696990850691646741/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=696990850691646741' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/696990850691646741'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/696990850691646741'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2012/01/as-irrelevancias.html' title='As irrelevâncias'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-2932686052965859182</id><published>2012-01-13T03:57:00.000-08:00</published><updated>2012-01-18T17:14:53.356-08:00</updated><title type='text'>Etapas da Revolução: andar nu</title><content type='html'>É bem provável que as diversas hierarquias tenham sido inventadas por pessoas que, em pé de igualdade com as demais, não conseguiam fazer valer suas intenções. Um artíficio dos espíritos menores, porém ambiciosos e espertos. Desde então, os postos mais elevados na sociedade têm sido ocupados por gente com sede de subjugar e satisfazer vaidades pessoais. São chamados de poderosos e isso os alimenta. Nunca veremos um sábio almejando o poder. A sabedoria, aliás, não tem nada a ver com impor nossa vontade aos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém vai dizer que hierarquia e obediência são importantes em organizações como, por exemplo, as militares. Mas é justamente uma sociedade que possa prescindir de organizações militares que seria interessante buscar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existem os detentores de poder - seja da escala universal à familiar - que são especialmente cruéis e inflexíveis em sua ação. Eles têm gosto em dispor como lacaios daqueles do seu raio de influência. São esses "poderosos" que conduzem a sociedade e ditam comportamentos, de acordo com suas convicções certamente pouco elevadas. Erigir um mundo mais inspirador passa necessariamente pela desconstrução do mecanismo das hierarquias, onde a grande maioria é submetida aos conceitos de alguns oportunistas. Para isso também deve estar atenta a Revolução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os bons espíritos costumam ter um defeito: não sabem confrontar. Aceitam sem muita resistência as arbitrariedades que vêm de cima. Não que devam reagir com as mesmas armas dos ambiciosos e dos espertos, até porque elas não ajudam a edificar nada que valha. É preciso que finalmente desenvolvam seus próprios meios revolucionários e derrubem o domínio de séculos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrando que o verdadeiro revolucionário não quer para ele nenhuma forma de poder sobre o outro, nem a mais ínfima. Se o embate com os poderosos é fundamental, é para estabelecer um equílibrio, e não simplesmente deslocar o pólo do desequilíbrio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os poderosos, quando atacam com sua fúria habitual, querem contra-ataque na mesma moeda. Assim podem esfregar no subalterno sua condição de inferioridade. As autoridades têm a prerrogativa da razão e o direito instituído de humilhar os demais. Argumentar com eles? Pedir justiça? Isso só vai redobrar o júbilo que eles sentem ao rebaixar um subordinado. Não há como vencê-los em seu jogo. A saída é levar a disputa para um terreno onde não opere a lógica dos poderosos. É subverter as regras da brincadeira. Este é o nosso gládio, a nossa Bíblia e o nosso refrão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devemos mostrar aos chefes, àqueles que mandam, que as normas deles simplesmente não fazem sentido para nós. O que pra eles é certo, para nós é questionável. O que para eles é grave, para nós é uma brisa. O ápice dessa postura revolucionária aqui proposta, de desqualificar o código dos poderosos, seria andar nu diante de seus olhos inquisidores. Isso quebraria os alicerces de qualquer sistema de dominação social. Seria como dizer: "fiquem aí repetindo suas ordens desimportantes que eu vou caminhar sem roupa por onde bem entender". Assim o revolucionário redimensiona os valores e a cultura vigentes e mostra aos dominadores que a vida é muito mais ampla que seus joguetes de poder fazem acreditar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que a ideia de andar nu deve ser tomada principalmente no sentido figurativo, o que não impede que a executemos ao pé da letra. O principal é rirmos sempre na cara sisuda da autoridade. Gargalhar aos borbotões. Escancarar pra eles o quão ridícula e infantil é sua mania de querer controlar tudo ao redor. O revolucionário não carrega outra arma senão o riso, o bom humor, a leveza de espírito. Por essa não esperavam os tantos guerrilheiros e reformadores do passado, cuja paixão pelo sangue traía sua vocação dominadora e, consquentemente, pouco revolucionária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que agradável é rir (ou mangar, como diziam os antigos) de toda as autoridades: as religiosas, políticas, policiais, professorais, empresariais, científicas, familiares, todas elas. Uma boca escrachada cheia de dentes e uma solene nudez (figurativa ou não), é isso que todas elas merecem! E assim vão minguar, porque proliferam no medo que suscitam nos outros. O medo dos poderosos. Mas, tal como os ácaros expostos ao sol, também eles se desmancham diante da alegria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, se houver alguma autoridade lendo este texto, saiba que a Revolução está rolando de gargalhar de vocês. Ela acha graça da sua presunção de querer domar o mundo quando não são donos nem do próprio nariz. Governar o próprio nariz, não há aspiração maior nem mais nobre. Mas não falta quem não a alcançou e mesmo assim se lance a imperador da lua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O deboche da autoridade estimula a desordem social? Claro que não. É um convite à ordem fruto da consciência e não da obediência. Uma ordem muito mais orgânica, humana e, por isso, mais confiável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As autoridades não são apenas pessoas. Acontece também de virem na forma de costumes, preconceitos, modismos, crenças, tradições. Para eles igualmente vai a nossa risada. Se dizem que chapéu é moda ultrapassada, a Revolução se arma de uma cartola; se pregam as maravilhas do convívio social na internet, a Revolução procura uma colina isolada; se idolatram as celebridades, a Revolução busca inspiração nos modelos que sejam a completa antítese, nem que tenha que procurá-los entre os mendigos, os esquecidos e os marginalizados, o que frequentemente acontece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso deve ser tão bem-vinda a paixão por tudo que não seja moda corrente. Quanto mais exóticos os gostos, desde que genuínos, mais contribuem para diluir o domínio cultural dos poderosos. Um grande e glorioso exemplo para a Revolução foi dado pelo camarada M.A.P, a quem tenho prazer de chamar de amigo. No auge de seus 24 anos, ele nunca comprou - nem trajou- uma calça jeans. "É a minha contribuição para a resistência", costuma dizer o herói.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A batalha foi deflagrada. Andemos nus, que significa que deveremos debochar de tudo que nos é imposto e não corresponde à nossa filosofia. Como mostrou o célebre chinês da praça da Paz Celestial, contra tanques a melhor arma é a alma humana. Enquanto ela não for dobrada, a tirania - em todas suas vertentes - não prospera.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-2932686052965859182?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/2932686052965859182/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=2932686052965859182' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/2932686052965859182'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/2932686052965859182'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2012/01/etapas-da-revolucao-andar-nu.html' title='Etapas da Revolução: andar nu'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-8862063872518742551</id><published>2012-01-08T07:57:00.000-08:00</published><updated>2012-01-11T17:18:06.219-08:00</updated><title type='text'>O amor triunfa</title><content type='html'>A madrugada ainda não tinha recolhido seus lilases, mas já se ouvia, ribombando nos morros e nos cactos, um galope desesperado. Quase a ponto de arrebentar as fivelas do arreio de tanto que expandia o peito, as narinas escancaradas, a crina voando com o vento, o cavalo era um espírito dos antigos heróis de sua espécie. O cavaleiro, por sua vez, parecia movido por um propósito muito firme e não dava atenção para mais nada a não ser o caminho que se estendia à sua frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao amanhecer, chegaram a uma vila cravejada na montanha. Nem por isso diminuíram o passo. Por ruas estreitas foram guiando até ouvirem os sinos da igreja, que chamavam para um casamento. O cavaleiro esperou todos os convidados entrarem e só então apeou do cavalo. Catou um capim para mascar no canto da boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O padre entoava os santos cânticos. Com um chute na porta, à moda antiga, o cavaleiro entrou na igreja. Todos os olhares se voltaram para ele, inclusive os dos noivos. Caminhou até o meio do percurso entre a porta e o altar. O noivo foi na direção dele e sacou o rifle.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu sabia que você viria - disse enquanto engatilhava a arma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu também. Vocês poderiam marcar o casamento para o fim do mundo que eu iria atrás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os convidados, imóveis nas cadeiras, olhavam com expectativa de um para o outro. O noivo fez mira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vá embora!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Só se ela pedir - retrucou o invasor e apontou para a noiva, que até ali não tinha demonstrado reação alguma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma tensão silenciosa pesou sobre a igreja. O padre, atônito, juntou as mãos na altura da testa. A noiva caminhou lentamente até ficar ao lado do noivo, seus passos ecoando como um aríete. Encarou bem o invasor e disse, em voz terna, mas firme:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vá embora. Eu fiz minha escolha. O que houve entre nós dois foi um engano - ela pousou suavemente a mão no cano do rifle e fez o noivo abaixar a arma. Eu amo o coronel, nunca deixei de amar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijou seu eleito no rosto e dirigiu-se uma última vez ao invasor:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Portanto, deixe esta cidade e não estrague o meu casamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É isso mesmo que você quer? Passar o resto da vida ao lado deste homem? - gritou o invasor em tom desafiador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- De todo meu coração - ela respondeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mal ela terminou de dizer essas palavras uma chuva de papel picado, prateado e púrpura, caiu do teto da igreja sobre os convidados e os noivos. Luzes surgiram entre as colunas e seis, ou melhor, sete cinegrafistas montados em gruas moveram-se rápido da parte atrás do altar para o centro da nave.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Parabéns! -cumprimentou o invasor, agora efusivo e com um microfone na mão. Vocês acabam de participar do "O Amor Triunfa"! - deu uma bitoca na noiva e um abraço no noivo. Olhem para aquela câmera ali, por favor. Isso. E aqui está o cheque de um milhão de reais! O prêmio pelo amor de vocês ter triunfado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os convidados bateram palmas. Alguns mal conseguiam disfarçar a emoção, outros nem tentavam. O casal ainda assimilava o que tinha acontecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então foi tudo um reality show? - perguntou a noiva. Você não é um cigano?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Rá, rá - gargalhou o apresentador para a câmera 3. Era tudo enredo da nossa produção. Gostaram?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você nunca foi apaixonado por ela? - quis saber o noivo, meio estupefato, meio aliviado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que não significa que ela não seja uma graça! O senhor tem muita sorte, coronel! E você também, pequena!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando finalmente cessaram a chuva de papel picado e o texto previsto no roteiro do apresentador, ele decidiu que já era hora de encerrar. Abraçou mais uma vez os noivos, deu alguns autógrafos para os convidados, acenou de longe para o padre e foi para a rua. Lá fora, no lugar do cavalo, havia um conversível esperando por ele. Entrou no carro e já estava prestes a sair, mas os noivos o interromperam:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E agora? O que a gente faz? - perguntaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Casem-se, tenham filhos, sejam felizes. Amem-se!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não tem mais nenhuma câmera filmando a gente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Do meu programa, não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os três se olharam em silêncio por um longo instante. O apresentador virou a chave na ignição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha - ele disse -, eu poderia usar o momento para soltar umas frases filosóficas. Poderia mesmo. Talvez saíssem até algumas palavras bonitas e eu me envaideceria. Mas, vejam, tenho que estar até o fim do dia em uma cidade no meio da solidão, para mais uma filmagem, e vocês têm um casamento pela frente. A gente se vê por esta vida, ou por outras (opa, já estou eu filosofando!). Sejam felizes e não se perguntem nunca o porquê!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acelerou o carro deixando para trás o rastro da poeira. Os sinos tocaram outra vez. Não era a hora marcada e o coronel detestava estar atrasado, mas bem que podiam recomeçar a cerimônia. Pegou a noiva pela mão e caminhou com ela na direção da escadararia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bem que eu desconfiei que conhecia aquele rosto de algum lugar - disse em meio a uma risadinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ele é bem mais magro na TV.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-8862063872518742551?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/8862063872518742551/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=8862063872518742551' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/8862063872518742551'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/8862063872518742551'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2012/01/o-amor-triunfa.html' title='O amor triunfa'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-6619029017997781928</id><published>2011-12-27T11:28:00.001-08:00</published><updated>2011-12-27T18:42:11.662-08:00</updated><title type='text'>Ensinamentos</title><content type='html'>Nas alturas do Tibet, onde a águia faz o ninho e o tempo é relativo, o Mestre meditava em sua posição de lótus. De repente, apavorado, entra correndo o estagiário do templo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mestre! Vem vindo em nossa direção um exército terrível! Milhares de homens, animais, armas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acordai os gulus e entragai-lhes os bambus! Lápido!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Duas coisas: é de se supor, pela frase acima, que o Mestre falava em rimas, o que não é sempre verdade. Como também não é de boa-fé dizer que ele sistematicamente trocava os R pelos L. Acontecia apenas quando se emocionava.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Mestre calçou suas havaianas e desceu para terminar de dar as ordens. Grande alvoroço tomou conta do templo. Fizeram soar o gongo e os gurus, em passos rápidos, tomavam posições no batalhão, não sem antes passar pela despensa, onde se armavam com seus bambus de guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o tempo de terminarem de se arrumar e a marcha do exército inimigo começou a ser ouvida na curva da montanha. Chegava cada vez mais perto. O Mestre, que voava entre as fileiras conferindo se estava tudo em ordem, mandou abrirem as portas do templo. "Espelalemos lá fola!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em poucos minutos apenas a extensão do campo, salpicado de papoulas e madressilvas, separava as duas linhas rivais. Era assustadora a discrepância entre elas. De um lado, o exército inimigo, formado por milhares de homens, todos fortemente armados, vestindo couraças de bronze e montados em cavalos selvagens. Do outro lado, Mestre e seus discípulos, que não passavam de duzentos, armados apenas de bambus e sem proteção alguma a não ser suas batas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por alguns instantes os dois exércitos se encararam imóveis. O silêncio e a espera pesavam no ar. De repente o comandante dos inimigos cavalgou para a frente de seus homens, gritou uma ordem e deu meia-volta. Seu exército inteiro o seguiu, batendo em retirada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais tarde, quando sorvia o chá, o Mestre foi outra vez interrompido pelo estagiário, que agora tinha a surpresa estampada no rosto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mestre, não entendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que, meu filho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que houve esta tarde? Por que os inimigos desistiram de lutar? Eles estavam em número muito maior, equipados com armas poderosas. E nós? Praticamente nús e com nossos bambus! (O estagiario começava, também ele, a rimar).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, eu vi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E mesmo assim o senhor nos levou para esperá-los no campo! Naquela hora eu pensei que seríamos esmagados! Como sabia que eles iriam desistir, Mestre?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu não sabia, filho. Aquilo que se passa na mente do Outro é insondável. Mas só vamos descobrir as intenções dele com a gente se nos dispusermos a encará-lo. Às vezes o óbvio não é tão óbvio assim e, em todo caso, a coragem sempre é premiada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não esquecerei nunca dessas palavras, Mestre!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Faça delas o melhor uso. Agora me passe bule de chá, por favor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aqui está.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Obligado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-6619029017997781928?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/6619029017997781928/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=6619029017997781928' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/6619029017997781928'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/6619029017997781928'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2011/12/ensinamentos.html' title='Ensinamentos'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-2192137885416304460</id><published>2011-12-25T11:30:00.000-08:00</published><updated>2011-12-26T05:56:18.660-08:00</updated><title type='text'>Petiscos, alguma bebida e uma conversa</title><content type='html'>É bom saber que no meu quarto posso ser o maior poeta de todos os tempos e também o mais extravagante. Ter um cavalo preto chamado Finisterre, montar-lhe sem arreio e varrer a galope os cantos distantes da Terra. Sublevar a multidão com minha guitarra, meus hinos libertários e meu inconfundível cigarro de palha no canto da boca, apagado. Ali cultivo as flores extintas e ouço o canto dos animais dos dois hemisférios, os reais e os sobrenaturais. Sobretudo, é onde posso conversar com o Diabo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nunca entendi por que você usa um bigode à Dali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não lhe ocorre que ele tenha me imitado? No início eu gostava mais das suas perguntas. O que houve? Perdeu a sede filosófica? Será que já encontrou a verdade ou desistiu de procurar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pelo contrário. Ando encorajado para as buscas do Ano-Novo. Sinto a inspiração exploratória mais do que nunca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Entendo. Até aparecerem os negócios, paixões ou qualquer outra distração mais atraente. Passe a minhoca cítrica, por favor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Toma aqui. Você acha que me conhece, porque já viu muitos outros parecidos. Será que comigo não pode ser diferente? Será que não posso levar adiante a vontade de perscrutar a vida? Não acho que todos estejamos prometidos a uma existência às escuras, só porque de repente nos atropelam imperativos da convivência em sociedade ou sei lá o que mais as pessoas inventam para fugir do essencial e se aferrar ao supérfluo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O discurso, sem dúvida, é este, amigo reformador. Já ouvi mais ou menos as mesmas palavras numa infinidade de idiomas ao longo dos séculos, muitas vezes de mentes bem mais interessantes que a sua. Quantos fizeram ações das palavras? Quantos decidiram arcar com o preço de elevar o pensamento rumo à liberdade? Tão poucos. Não te vejo entre eles, você é um rapaz comum, com aspirações de rapaz comum. Vá tocar a vida como fazem seus colegas e todo o resto do planeta. As dores do conhecimento não são pra você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você se engana. Quem disse que não quero ser alguém comum? Quero ser o mais normal dos homens, quero estar o mais próximo possível do projeto que o Universo talhou para a espécie. Mas não é isso que fazem a maioria das pessoas! Elas é que são incomuns, porque se afastam de sua própria natureza humana. Criam vontades, comportamentos e regras absolutamente anti-naturais. Criaram esta sociedade e suas leis que não passam de ficção. Muita gente acha que não dá pra escapar do engodo, mas eu acredito que dê!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A Coca-Cola agora. Está gelada? Hum, que beleza. Obrigado. Você é engraçado. Não devia falar essas coisas por aí. Você fala? Devem te tomar por ingênuo e é isso que você é. Mas um ingênuo engraçado. Não me venha dizer que você não desconfia que a caminhada que propõe é um tanto solitária, no mínimo. Alguma receita para lidar com o silêncio? Não te vejo tão adaptado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu sei. Nisso você tem razão. Mas se essa conversa fosse há um ano, teria mais razão ainda. Tenho me preparado. Não acho que devo estar pronto exatamente agora ou amanhã. A espera, aliás, faz parte da pedagogia, acho. Além disso, tenho encontrado outras pessoas mais ou menos dispostas no mesmo sentido. Talvez eu tenha companhia. Talvez o mundo tenha chegado a um momento de inflexão, quando mais e mais gente vem cogitando rotas que não sejam as convencionais. O provolone, faz favor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aqui está. Derretido como manda o bom-senso. Sabe de uma coisa? Se você se refere às pessoas ao seu redor quando diz que percebe gente disposta a se apartar da sociedade, acho que está exagerando. Abra um pouco os olhos, companheiro. O que as pessoas mais querem é inclusão, serem abraçados no grande seio da comunidade. Amar e ser amados, o grande sonho! Não sei se você também não é assim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não estou falando em nos tornarmos eremitas. Mas será que não é possível aproveitar da sociedade só o que ela de melhor pode oferecer e não se deixar afetar pelo resto? Quero acreditar que sim! Ou não somos, humanos, dotados de inteligência justamente para repensar nosso próprio destino? Viver de acordo com os dogmas dos outros, sinceramente, não acho que a Natureza nos tenha feito para uma prisão assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hahahahaha! Se eu pudesse ser jovem outra vez! O que eu não daria pelas ilusões de antes? O que eu não daria para voltar a sonhar? Juro que lutaria com todas minhas forças ao seu lado, meu bravo, para provar para o mundo inteiro que a utopia está ao alcance de todos! Que bela lição não daríamos a todos aqueles que se aprisionam! E um dia a manhã iria raiar e ninguém mais precisaria prestar contas a não ser à própria consciência. E ninguém mais amaria por culpa ou por obrigação! Quantas crenças não se tornariam obsoletas e, consequentemente, seus profetas de araque! E os falsos sábios? Depois de muito tempo o homem experimentaria o gosto da palavra liberdade e, juro, lamberia os dedos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Agora sim! Eloquência! Poesia! Ainda cabe um na garupa de Finisterre!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Dá cá um abraço!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Feliz Natal!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Feliz Natal!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-2192137885416304460?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/2192137885416304460/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=2192137885416304460' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/2192137885416304460'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/2192137885416304460'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2011/12/petiscos-alguma-bebida-e-uma-conversa.html' title='Petiscos, alguma bebida e uma conversa'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-1792190489708165254</id><published>2011-12-22T08:40:00.000-08:00</published><updated>2011-12-23T16:02:42.589-08:00</updated><title type='text'>A antevéspera de Natal</title><content type='html'>Descíamos a serra, que não era das mais imponentes, mas era orgulhosa, enlameada, cheia de buracos e ávida por motores importados. Sua paixão era fazer derrapar um de tração nas quatro rodas. Regozijava-se, escancarava a bocarra, seu sorriso de cascalho. Debaixo de chuva, então, redobrava a fúria e tornava-se quase invencível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descíamos a serra e, lá embaixo, encontrávamos um velho da idade dos séculos. Sentado no alpendre, afiava uma faca, o olhar concentrado, a barba cinza balançando com o vento. Seus cães nos lambiam. Cumprimentávamos o velho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele guardava a faca no cinto, à moda dos caçadores de crocodilo, e colocava mais dois ou três itens menos importantes no seu alforje de caçador. "Vamos". E atrás dele seguia a fila de seus descendentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meio do caminho as crianças começavam a correr, para chegar na frente. Estacavam diante do chiqueiro e olhavam com alguma compaixão e muita curiosidade para aqueles cujo destino estava traçado. A experiência tinha algo de místico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O velho entrava no chiqueiro com um pontapé na porteira, que andava há anos emperrada e está até hoje. Só então os porcos se davam conta do que estava acontecendo e, desesperados, grunhiam para seus deuses. Em vão. O velho agarrava o mais gordo pela pata e o arrastava para fora. Sabiamente as crianças não criavam nenhum laço afetivo com um leitão nascido na fazenda, porque conheciam o que lhe esperava no fim do ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando os ajudantes conseguiam imobilizar o porco, cada um segurando numa pata, o velho desembainhava a faca - um facho de sol se refletia na lâmina - e desferia o golpe fatal no coração. Um grunhido terrível ecoava por quilômetros de distância. O mundo ficava em silêncio por um instante. Depois voltava ao normal. Nossos preparativos de Natal ainda guardam parentesco com os ritos pagãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carregava-se o porco, num carrinho de mão, para o quintal de casa. Lá o velho usava a água fervente de um panelão, preparado no forno a lenha, para tirar o pelo do bicho. Jogava a água e raspava com a faca, curiosa barbearia. Depois o couro pelado do porco era tratado com labaredas de maçarico, completando a etapa da limpeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abria-se o animal do queixo ao fim. Primeiro eram retirados os órgãos. Os comestíveis iam para uma bacia, os outros, não lembro. A faca não parava. De repente se instalava uma linha de produção: uns cortavam as partes maiores, outros as menores, outros picavam a carne, eram muitas atividades. Cada um desempenhava aquela em que se saía melhor e que estava de acordo com sua idade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostaria muito de dizer que no meio daquele alegre trabalho alguém começava uma canção que era logo entoada por todos. Mas essa seria uma fantasia minha. Havia mesmo era muita conversa, mas era tão palpável o contentamento geral que, se alguém cantasse, não faria extravagância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perto do fim da tarde parava de chover. Abria um sol pudico. Nessa hora a gente colhia as uvas, mangas e goiabas, correndo o risco o tempo de todo de sermos picados por marimbondos, que também apreciavam as frutas. Quando alguém era ferroado, jogavam pinga no ferimento e tudo se resolvia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ia anoitecendo, as corujas iam piando. Era hora de carregar o carro com a comida batalhada ao longo do dia e que serviria para a ceia na noite seguinte. O carro que ia com o queijo caseiro demorava dois meses para se livrar do cheiro, com sorte lá pro carnaval.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Tchau, velho." Subíamos a serra. Na época eu não entendia bem, mas hoje faz todo sentido que a antevéspera de Natal fosse, para mim, o dia mais feliz do fim do ano.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-1792190489708165254?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/1792190489708165254/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=1792190489708165254' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/1792190489708165254'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/1792190489708165254'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2011/12/antevespera-de-natal.html' title='A antevéspera de Natal'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-7773409492191932599</id><published>2011-11-29T14:12:00.000-08:00</published><updated>2011-11-29T19:10:23.972-08:00</updated><title type='text'>Os neo-bárbaros</title><content type='html'>Gostaria muito de saber o que aconteceria se o mundo de repente recomeçasse do zero: se chegaríamos outra vez exatamente ao ponto em que estamos hoje ou se, em alguma bifurcação da História, tomaríamos um outro caminho. Caso este mundo seja a única alternativa possível, um destino inexorável, então a humanidade carrega em seu dna, para o bem e para o mal, uma sina que, mesmo com todo nosso desenvolvimento, nunca conseguiremos resolver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quero acreditar que estejamos de mãos atadas diante dos defeitos da nossa sociedade. Como se tivéssemos imperativos biológicos ou mesmo psicológicos que não nos deixassem escolha! Diante das supostas falhas inatas do ser humano, qualquer proposta de reinvenção é ridicularizada como utopia. Uma vez li que a ditadura mais cruel é aquela que não deixa espaços para os subjugados sequer vislumbrarem um outro modo de vida. Talvez estejamos nesse ponto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejo graves males na sociedade que construímos e que são atribuídos à "natureza humana": a cobiça, o consumismo, o exibicionismo, a competição selvagem em cada seara da vida, a mercantilização das pessoas, a coisificação dos sentimentos. Todos ligados à concepção, tida como verdade inquestionável entre nós, de que a felicidade está ligada a uma série de conquistas externas ao indivíduo, principalmente nas áreas profissional, material e sexual. Se continuarmos aceitando tais preceitos, vamos esgotar ainda mais as pessoas, que dão claros sinais de que andam sufocadas. Basta olhar ao redor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais provável é que o homem não tenha nascido para idolatrar o dinheiro, ou a fama, ou qualquer outro desses valores distorcidos e que algo de fundamental na nossa essência tenha se perdido pelo caminho. Minha opinião é que geramos uma cultura em vários aspectos cruel e que desvirtuou nossa vocação natural. O processo se agravou nos últimos anos, porque agora a cultura martela nossas mentes 24 horas por dia, na televisão, no celular, em todo o canto e em qualquer circunstância. Ela é a nova religião. Com a diferença de que os sermões do padre eram circunscritos à igreja e os sermões de agora preenchem todo o tempo em que estamos acordados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivemos um mundo dentro do outro. O da cultura não corresponde ao real e por vezes deturpa a verdade, mas é o que preferimos habitar. Fora da cultura resta o ostracismo e a rejeição, a meu ver os principais fantasmas do homem atual. O indíviduo aceita - quando não deseja - mesmo as maiores mutilações (até físicas) impostas à sua própria natureza , em nome da inclusão privelegiada na sociedade. Como nos apavora o silêncio, o estarmos só! Talvez porque, uma vez sentados frente a frente conosco, tenhamos verdades pouco confortáveis para nos dizer. Mas é libertador ouvi-las, e isso não nos ensina a cultura, pelo contrário, nos exorta o tempo inteiro ao convívio social, ainda que completamente vazio de significado, desde que mantenha a mente ocupada com frivolidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desconfio que tudo isso tenham visto os hippies, os socialistas e outros cuja menção frequentemente vem acompanhada do adjetivo "utópico". Erraram, na minha opinião, não em propor um novo modelo de sociedade, que fosse mais justo e menos predatório (considerando que fosse esse realmente seu objetivo); o equívoco foi tentar impor um novo olhar de vida a uma população que estava e ainda está fortemente abraçada ao antigo. Não é por força da política, da boa vontade ou da guerra que se mudam as mentes. Leva tempo, gerações inteiras para que verdades enraizadas sejam substituídas por outras. Enquanto a maioria das pessoas continuar habitando o mundo velho, estaremos todos em maior ou menor grau fadados a ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em maior ou menor grau porque acredito, de forma talvez até ingênua, que um distanciamento razoável da cultura vigente seja possível, sem que isso afete o conforto material e emocional. Não deve ser fácil, mas parece uma missão necessária e empolgante. Li um autor que fala em rebarbarização e gostei da ideia. Não no sentido de nos tornarmos selvagens, claro, mas no de reencontrarmos traços fundamentais de nossa natureza humana que deixamos para trás (talvez nas florestas ou nas estepes!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria um erro e desperdício de tempo tentar incluir a população. Não dá pra sair pelas ruas gritando "rebarbarize-se!", se bem que dá vontade. Nosso momento é de protestar pela liberação do uso de certas drogas e por outras causas mais ou menos do mesmo gênero. De pouco adianta querer atropelar a ordem do dia. Vai chegar a hora de parar e colocar em dúvida a sociedade que construímos, até pela saturação que ela deve atingir. Mas essa hora não é agora e não dá sinais de estar por perto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até lá, resta aos neo-bárbaros (distinto clã, que ganha cada vez mais adesões) o contorcionismo de manter um pé neste mundo ao mesmo tempo que não se afastam do outro, o tacape na mão direita e o notebook na esquerda. Enquanto conseguirem, estará acesa a utopia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-7773409492191932599?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/7773409492191932599/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=7773409492191932599' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/7773409492191932599'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/7773409492191932599'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2011/11/os-neo-barbaros.html' title='Os neo-bárbaros'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-1839877841434635898</id><published>2011-10-21T17:57:00.001-07:00</published><updated>2011-11-03T14:58:54.808-07:00</updated><title type='text'>O Espírito da Noite</title><content type='html'>Por enquanto ainda nos resta a noite para as necessidades da alma. Nela ainda podemos chamar por nossos antepassados e ouvi-los sem a interferência profana da metrópole. Muitos duvidam que se possa conversar com espíritos, mas eu converso com o meu, desde que se façam as trevas. Quando tudo que é civilização dorme, emerge o reino das sombras. O domínio dos insetos e das essências, dos perfumes e dos sussurros, do medo e das paixões. A noite preserva nosso último quinhão de humanidade, onde estamos outra vez nus e imaculados. Não há mentira que resista nem máscara social que engane a consciência pura do eterno breu. A farsa do homem industrial pode desfilar galharda à luz do dia e até convencer muitos de seu discurso, porque baseia-se em aparências. Mas, quando cai a noite e, para enxergar, se faz preciso recorrer não mais aos olhos, mas ao espírito, então só resta a verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu nasci à noite. Não sei quantas mais gerações terão esse privilégio. O apetite irrefreável da tecnologia parece implicar com tudo quanto fez a Natureza e não espantaria se resolvesse extinguir a noite de vez, criando, quem sabe, um sol para depois que o sol se pusesse. Aliás, é muito conveniente que não haja mais escuridão, todos sairiam ganhando: as máquinas, as pessoas-maquinizadas, o mercado, as pessoas-mercadorias e assim sucessivamente. Para os nossos dias a contemplação e a quietude são caprichos do vadio. (Se um dia eu for rico o suficiente, vou queimar dinheiro.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu nasci à noite e a noite nasceu em mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já passa das onze quando saio do trabalho. A cidade aqui dorme cedo e não fica ninguém na rua, a não ser quem tenha motivo ou vocação. Chove fino. Antes de voltar para casa, vou a uma lanchonete comprar a janta. Ali estou entre os que dormem de dia e caçam à noite: assassinos, meretrizes, revolucionários, vampiros. Quero bem a todos eles, meus irmãos de turno. Não sei se a recíproca é verdadeira, porque nunca conversamos, mas não me importa. Aguardo meu pedido ficar pronto e meu coração está em paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perto de mim tem uma mulher da pele branca toda vestida de preto perdida em pensamentos. Dá para ver que ela vagueia por distantes dimensões, talvez a Ilha Sacalina, de onde parece provir. Reparando bem, é tão pálida que permite entrever as veias do braço, o que não deixa de ser uma modalidade de nudez, penso. E depois ruborizo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que eu queria mesmo era me perder em um beco e topar com um demônio ou vários, os meus e os dos outros. Sinto que eles têm muito a dizer, ainda mais porque vão direto ao ponto, diferente dos deuses, que preferem as parábolas. A noite tem seus salmos e seus querubins. Obscenos e rotos, respectivamente. Se os sinos lá fora não dobram, tanto melhor, porque os ouço badalar cá dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco antes de voltar para meu carro, a jovem de Sacalina vem pedir carona. Parecia desperta de seu transe. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quem é você? - ela perguntou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vítor. E você?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sou o Espírito da Noite. Acredita em mim? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Claro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo assim ela quis provar. Abriu a jaqueta e no seu tronco dava para ver o céu estrelado, as muitas constelações e um rastro de cintilação prata que devia ser a Via Láctea. Nas costas, brilhava a Aurora Boreal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É na Noruega? - perguntei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É, sim - ela confirmou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei olhando algum tempo, sem querer parecer indiscreto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Gosta da noite, Vítor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu sei. Já percebi. No início você tinha medo, mas agora gosta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela levou a mão até a altura da terceira costela da esquerda, na direção de uma das tantas constelações, e arrancou de lá uma estrela, não muito grande.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Toma. Um presente pela sua dedicação - e me estendeu a mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Órion.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E não vai fazer falta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ninguém mais repara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desceu do carro sem que tívessemos sequer saído do estacionamento e eu entendi que a carona dela era para qualquer lugar ou lugar nenhum. Foi caminhando para longe, mas antes que sumisse de vez, gritei:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Devolve minha carteira!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brincadeira. Na verdade eu só fiquei olhando ela se afastar, afastar, até desaparecer na escuridão, ou seja, nela mesma. Aproveitei o exemplo para também mergulhar em mim. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-1839877841434635898?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/1839877841434635898/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=1839877841434635898' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/1839877841434635898'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/1839877841434635898'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2011/10/o-espirito-da-noite.html' title='O Espírito da Noite'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-6134310508226582396</id><published>2011-10-01T19:33:00.000-07:00</published><updated>2011-10-02T21:06:52.460-07:00</updated><title type='text'>Como a gota cai</title><content type='html'>A esta altura já deve estar bem óbvio, até mesmo para os últimos fiéis, que Deus nos abandonou, ou melhor, nós O abandonamos. Mais adequado ainda: o abandono foi recíproco, de comum acordo, as partes entenderam que não significavam mais nada uma para a outra, embrulharam seus pertences e tocaram adiante. Mas enquanto ele pode desfrutar de todo o universo e além, nós ficamos restritos a esta terra e seus dilemas. Pior, ainda não encontramos ninguém para o lugar Dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que o desenlace se deu no século XX, mas já vinha sendo preparado um pouco antes, no caldeirão de Voltaire e amigos. Malditos ou benditos sejam! Talvez não imaginassem o tamanho do preço que pagaríamos pela liberdade, pela ousadia de nos desgarrarmos do rebanho milenar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabo de lembrar do que vi na tv há um tempo. Era um material sobre um homem que ficou na cadeia grande parte da vida. No dia da libertação, combalido, resignado, ele vai se despedindo lentamente dos funcionários. Ninguém da família está ali para buscá-lo e ele nem sabe se tem uma. Os portões da liberdade se abrem. O homem sai da cadeia e caminha a esmo, para onde aponta o nariz. A câmera vai afastando, devagar, e daqui a pouco o ex-prisioneiro é só um ponto triste no meio da estrada sem fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus não foi só um pai. Era o sentido de tudo, inclusive das coisas sem sentido, que costumam ser também as mais doídas. Nele havia não só explicação para a dor, mas também um propósito! Imagino que deveria ser reconfortante saber que a própria vida fazia parte dos desígnios divinos, que havia uma razão cósmica e sagrada para cada acontecimento terreno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdemos essa e outras dádivas. De repente nos vimos à deriva num universo sem lógica, sem propósito, sem fim nem explicação. Ninguém para ditar os rumos, para dizer o que é certo e errado, para pensar pela gente, para cuidar da nossa vida pela gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trazer Deus de volta não dá. Seja por ignorância ou amadurecimento, estamos apartados Dele para sempre. O Deus das igrejas de hoje, que seria uma solução fácil, tampouco serve, não passa de um arremedo e não poderia ser diferente. O antigo Pastor é inconciliável com os atuais corações e mentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imenso drama. O Ocidente se despede de Deus e não encontra ninguém para o lugar. Várias opções concorrem: o Mercado, o Indivíduo, o Narcisismo, o Hedonismo. Há quem veja Deus em pílulas, no dinheiro, no trabalho, no vício, nos rituais vazios da vida social. Quase todos O procuramos, em regra nos lugares mais estapafúrdios. Somos garimpeiros desesperados de um veio seco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não admira que custemos tanto a aceitar a inexistência de uma força divina. Ao longo dos dias topamos com ela inúmeras vezes. Vem na forma de chuva, de uma paisagem, de um sorriso, de um acorde. Aliás, a arte não deixa de ser uma tentativa de trazer o divino para nosso convívio. Ele não tem nome, não tem explicação, mas, diabos, quem vai negá-lo? Mais inquietante ainda é saber que mesmo dentro das pessoas mora essa incandescência que nos escapa à compreensão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas por que a força divina precisa ser também consciente? Por que tem que ser a nossa imagem e semelhança, falar português e todas as outras línguas, planejar o destino de todos os seres viventes e coisas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha opinião é que a crença num Deus racional nasce do egocentrismo do homem. Ele não admite que não haja um propósito para a sua própria existência. Que não haja um paraíso após a morte. Sobretudo, o homem se recusa a aceitar que não haja ninguém nas alturas cuidando dele e de seu destino. Em suma, se recusa a aceitar que, para o universo, valemos tanto quanto os outros animais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conversava com um amigo uma noite exatamente sobre esse assunto. Foi quando ele veio com um pensamento que é a essência do que quero dizer. "Por que as pessoas pensam que nossa existência é especialmente predestinada por Deus? Para com isso! Somos todos, seres, homens e coisas, parte única de um grande universo. Sem essa de privilégio para esse ou aquele. Eu nasci como... como... a gota cai." E apontou para a gota do chuvisco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nascemos como a gota cai, sem demérito pra gente nem pra ela. Quem não entende que o pulsar de um coração tem tudo a ver com a vazão das cataratas ou com o canto das cigarras, não entende também que o divino está em todos os lugares e não apenas faz parte de uns poucos escolhidos. Ao nos darmos conta disso, vamos parar de procurá-lo desse jeito atabalhoado dos últimos séculos. E aí ele começará a aparecer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-6134310508226582396?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/6134310508226582396/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=6134310508226582396' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/6134310508226582396'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/6134310508226582396'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2011/10/como-gota-cai.html' title='Como a gota cai'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-1173367840619940966</id><published>2011-08-23T16:16:00.000-07:00</published><updated>2011-08-24T16:24:36.424-07:00</updated><title type='text'>Era uma tarde</title><content type='html'>Era uma tarde como outra qualquer, mas havia nela uma vontade, que parecia consciente, de se eternizar. Pessoas, coisas e todo o resto, não passávamos de joguetes naquela megalomania.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As crianças, nos pátios das escolas, gritavam por instinto e pelo prazer da anarquia. Pedestres cruzavam as ruas com uma ideia na mente, que era logo substituída por outra. Alguns carros começavam a voltar para casa. Sai a primeira fornada de pão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes que alguém pensasse em poesia, passa a polícia com a sirene ligada. Atropela um pombo. Ninguém se condoeu. Os vendedores exaltavam, em rimas suspeitas, o abacaxi pérola. O primeiro bêbado abria o bar e pedia o de sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilusões eram desfeitas e novas eram criadas sem que ninguém se desse conta de que eram ilusões. Amavam em pontos isolados. Um sapo coaxava no ritmo do hino nacional, mas ninguém ouviu. Lembranças reclusas vinham à tona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma avó terminava de assar os pães de queijo.Os netos, no quintal, reuniam coragem para chegar perto dos mandarovás, que todo ano, sem falta, davam no pé de jasmim. Ali já não brincavam os netos de antes, agora adultos, mas os mais novos. A avó e os pães de queijo são os mesmos, talvez com um pouco mais de sal (os pães, não a avó).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um velho repensou a vida e um jovem também. Deus, vestido de despachante, fiscalizava tudo de perto com uma mão coçando o queixo e a outra na cintura. Os capitalistas perdiam tempo em alguma atividade tão somente lucrativa. Os terroristas tramavam o próximo plano e não lhes passava pela cabeça que a vida é boa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira cigarra da temporada soltou o silvo do acasalamento. Um corrupto assoviava com dinheiro na cueca. Jogam um cigarro meio fumado no chão. Nem sinal de chuva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente o sol chega à linha do horizonte. Vênus aponta no céu. Os pássaros se empoleiram para dormir, os vampiros, exatamente o contrário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma rádio toca a Ave Maria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na luz pálida do fim da tarde, paira uma melancolia. Faz pensar que a tristeza também é bonita. Dissipa a névoa entre a mente e o absoluto. Por um minuto fugaz o universo se desnuda e deixa entrever até os mais íntimos segredos. No instante seguinte, como se pego de surpresa, veste rápido o sobretudo, que se chama noite.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-1173367840619940966?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/1173367840619940966/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=1173367840619940966' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/1173367840619940966'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/1173367840619940966'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2011/08/era-uma-tarde.html' title='Era uma tarde'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-6735541799872985840</id><published>2011-08-06T19:52:00.001-07:00</published><updated>2011-08-11T16:01:43.949-07:00</updated><title type='text'>O banheiro feminino</title><content type='html'>Muito se especula acerca do banheiro feminino, embora as informações disponíveis sejam bastante imprecisas e não cheguem a formar um escopo teórico, como chamam os especialistas. Mais ou menos consensual, apenas o fato de que se trata de um terreno (dimensão?) frequentado por mulheres, que, por manterem intrigante silêncio a respeito, contribuem ainda mais para a nebulosidade em torno do tema. Qualquer dado mais concreto, lamentavelmente, pertence à seara dos rumores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Este é o labirinto de Creta. Este é o labirinto de Creta, cujo centro foi o Minotauro. Este é o labirinto de Creta, cujo centro foi o Minotauro, que Dante imaginou com uma cabeça de touro e em cuja rede de pedra se perderam tantas gerações." Assim escreve o velho Borges no conto "O labirinto". Tudo indica que falava do banheiro feminino. O mesmo se diz de Joseph Conrad e seu "O coração das trevas".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há quem não se satisfaça com o intermédio da arte e queira enxergar o insondável com seus próprios olhos. Destaque para o caso do húngaro Ferénc Svijek - conhecido por vizinhos e amigos pela sua veia filosófica-, que em 1976 decidiu empreender sozinho uma expedição ao banheiro feminino. Voltou cinco dias depois e, sem trocar palavra com ninguém, resolveu alistar-se na guerra, qualquer uma das tantas que estavam em curso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poetas e desbravadores, cada um à sua maneira, se esquecem do fundamental. Tratamos aqui de um objeto eminentemente feminino, não de um outro qualquer, o que faz dele tão intrincado e cheio de minúcias quanto os demais do seu gênero. Ocorre com o banheiro feminino algo semelhante com o que se passa com o mar, que os franceses oportunamente chamam de 'a' mar. Ambos estão embebidos no espírito da mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é de se admirar, portanto, que até os dias de hoje o banheiro feminino permaneça uma completa incógnita para os estudiosos. Quer entendê-lo? Compreenda as mulheres. Quer compreendê-las? Desvende o banheiro feminino. Aqui, ao que parece, o enigma começa a tecer círculos intransponíveis em volta do desalentado pesquisador. O labirinto de Creta etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É verdade que o universo e cercanias estão repletos de mistérios, a começar por ele próprio. Mas nenhum desses mistérios está tão próximo de nós, no cômodo ao lado, e ao mesmo tempo tão inalcançável quanto este que sobre o qual falamos aqui. Desconhecer os confins da galáxia, nada mais natural. Mas ignorar toda uma fauna e flora que devem se descortinar da porta do banheiro feminino adiante! Nada poderia atiçar mais nossa curiosidade e espírito científico.&lt;br /&gt;Talvez a beleza more no mistério. Ao se fazer parecer um local (dimensão?) de fácil acesso, o banheiro feminino joga com nossa imaginação. Quem passa em frente àquela porta fingidamente receptiva sente, por um instante, que pode ver além dos seus véus. A isca foi lançada. Doce e agoniante sonho o da iminência de saciar a curiosidade jamais saciada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas se chegamos a este século, tão avançado no tempo e na História (não nos costumes), com alguns segredos do universo ainda intactos, é preferível que assim permaneçam. Se resistiram aos holofotes da ciência e ao intrometimento do homem, merecem continuar habitando o reino do insondável. Por que não resguardar o pouco de fantasia que ainda nos resta? Pode fazer falta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há quem diga que o banheiro feminino não existe, que não passa de um ideário romântico. Como se tudo fosse apenas questão de comprovação laboratorial. Tristes dias estes em que a única espécie do planeta dotada de subjetividade resolve renunciá-la para livrar a existência da inquietante sensação da dúvida. Por que temer o desconhecido? A vida, cavalo selvagem por natureza, sem a dúvida vira um carrossel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fascínio pelo desconhecido nos acompanha dos primórdios e talvez até antes. Enquanto ele existir, o banheiro feminino vai continuar servindo de fonte de inspiração, desafios e controvérsias. Vai continuar acalentando os sonhos do poeta e intrigando o cientista em seu ofício. Ao buscar o desconhecido, cada um com a ferramenta que tem à disposição, desde a criança que se lança ao quarto escuro ao andarilho que tateia os confins do universo, o homem está, na verdade, procurando o não-explicado dentro dele mesmo. Esse não-explicado, que não tem nome nem nunca vai ter, também não tem solução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, não deixa de ser irônico que, se algum dia uma expedição bem-sucedida chegar ao banheiro feminino, os expedicionários olharão seus reflexos no espelho (supondo que lá haja um espelho) e ali perceberão que o maior mistério de todos esteve e estará com eles o tempo todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-6735541799872985840?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/6735541799872985840/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=6735541799872985840' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/6735541799872985840'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/6735541799872985840'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2011/08/o-banheiro-feminino.html' title='O banheiro feminino'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-3270701457392168506</id><published>2011-07-26T19:08:00.000-07:00</published><updated>2011-08-02T16:18:15.261-07:00</updated><title type='text'>Reencontro</title><content type='html'>Nunca se sabe quem poderemos encontrar na próxima esquina. Não se sabe nem se haverá uma próxima. Ainda mais em Brasília onde, dizem, não há esquinas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas há.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem desci do carro e tinha andado pouco quando o mendigo, surgido do nada, chamou "ô, patrão". Hesitei. Ele não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O senhor vai me desculpar, mas eu preciso de dinheiro para a marmita. Ali tem uma que custa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nisso foi surgindo em mim a inquietante impressão de que eu já tinha visto o homem antes. Onde, eu não sabia, e por mais que vasculhasse a memória, não conseguia lembrar. Tão forte era a sensação de conhecer o mendigo de algum lugar que comecei, ali mesmo, a crer em vidas passadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha que engraçado. Acho que já nos encontramos em outra ocasião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pois eu também fiquei com essa impressão assim que te vi descer do carro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pronto. O mendigo me reconheceu. Portanto havia o vínculo, nesta vida ou nas outras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Universidade, quem sabe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você formou quando?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Em 2008.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, não. Nessa época eu não andava por lá. Talvez São Paulo! Já morou lá?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não. Sempre morei aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguia o excruciante impasse. Entrementes, eu ia esvaziando minha carteira na mão do mendigo, entregue que estava ao prazer fraternal que me trazia aquele reencontro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando veio, certamente dos céus, o estalo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Peraí! Você é o mendigo que, em junho de 2009, portanto há 2 anos, andava por aí de madrugada pedindo dinheiro pra comprar um leite especial para seu filho recém-nascido e intolerante a lactose?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deus! E não venha me dizer que você é o cara que, junto com um seu amigo, me deu carona em plena madrugada, me levou até a farmácia, comprou o tal leite pra mim e depois me deixou em casa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era eu mesmo. Ou melhor, era o Eu de há 2 anos. Só tinha visto o mendigo uma vez na vida, naquela ocasião e por cerca de meia-hora. E ainda assim o reconheci ontem à tarde. Também percebi muita alegria nele por ter me reencontrado. Ele disse que gostaria de me apertar a mão, mas que a mão dele estava muito suja e não seria possível. Estava suja mesmo, mas eu deveria ter estendido a minha em sinal de que não me importava, de que a satisfação espontânea e genuína que eu sentia por tê-lo reencontrado nessa esquina da vida (é isso mesmo, Brasília tem esquinas filosóficas) superava qualquer convenção social ou de higiene. Devia ter estendido a minha mão! Devia ter estendido! Outra coisa eu deveria ter feito mas não fiz: perguntar como anda o filho pequeno. Mas nos despedimos antes de esgotar todos os assuntos, como é próprio das grandes amizades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até a próxima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim foi como os fatos transcorreram. Mas poderia ter sido de outra maneira:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cara, na verdade eu não sou mendigo. Esse é só um disfarce. Eu sou o Capeta e venho para te jogar em tentação, mas toda vez que me aproximo fico cativado com seu carisma, declino da minha missão e, em cima da hora, invento a história do mendigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mesmo? Você me acha tão simpático assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nem me fale. Olha aí. Você faz covinhas quando ri. Quem resiste? Sem contar a história do louva-deus no elevador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ninguém ri dessa história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ela é fantástica. Só acho que você não deveria levar as coisas tão a sério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Especificamente falando do caso do louva-deus ou da vida como um todo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Da vida como um todo. Toma de volta o dinheiro da marmita. Chega por hoje. Até a próxima.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-3270701457392168506?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/3270701457392168506/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=3270701457392168506' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/3270701457392168506'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/3270701457392168506'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2011/07/reencontro.html' title='Reencontro'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-6857722309978600521</id><published>2011-07-19T17:00:00.000-07:00</published><updated>2011-08-11T16:09:55.369-07:00</updated><title type='text'>O mato chama</title><content type='html'>Saio do trabalho e, no caminho,vou olhando a tarde, que já está do meio para o fim. O cenário é tão fresco e imaculado que dá a impressão da Terra ter sido terminada ontem. Não é possível, deve haver dois mundos, o real e o dos homens. Porque nada disso que eu vejo e ouço do lado de fora - o céu azul do inverno, as árvores (umas secas, outras floridas), o sol poente, o silêncio do crepúsculo -, nada disso encontra correspondência na vida que as pessoas levam. São duas realidades opostas: a do mundo como ele é e a do mundo que corrompemos, aquele em que vivemos. É como se a foto e a moldura tivessem se descolado radicalmente e cada uma criado existência própria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há espaço para o real, natural, na ficção que a sociedade teceu para si. Fomos nos apartando com tanta voracidade e convicção do que é verdadeiro que hoje não fazemos nem ideia de que ele existe. Na verdade, não há nem mesmo vontade de resgatá-lo. Criamos prioridades, preocupações, anseios, desejos que nada dizem respeito à nossa genuína condição humana. Antes, servem para saciar deturpações que os homens impuseram à sua própria natureza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na rua o que vemos são pessoas moldadas e modificadas pelos dogmas desta época. Elas, em maioria, não passam de sombras do ser verdadeiro que abafaram por dentro. Aceitaram as diversas mutilações que a sociedade lhes infligiu sem reclamar, em nome do acolhimento e da inclusão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém vai dizer que essas mutilações sempre existiram. Mas talvez nunca foram tão fortes como a que experimentamos na sociedade do consumo desenfreado, onde a idolatria ao "ter" encontrou poderoso aliado nos meios de comunicação. A maior crueldade não é transformar as pessoas em ávidos consumidores, mas fazer delas também produto, porque vivemos em um mundo onde não se deseja só comprar e possuir, mas também despertar a cobiça dos outros por nós mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em pouquíssimos momentos conseguimos nos libertar da profunda artificialidade em que nos emaranhamos. As relações pessoais são artificiais (vide as redes sociais na internet) , os valores são artificias, os caráteres são artificias. O corrupto, o imoral são respeitados desde que desfrutem de status social. Parecer ser ( e, sobretudo, ter) vale mais do que ser de fato. Tudo é aparência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso as tardes se desenrolam lá fora, encantadas como sempre, como no primeiro dia da Criação, fazendo ressaltar a contradição absurda do que é a vida com o que fazemos dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só existe um lugar onde o homem pode se reencontrar com sua natureza, sem máscaras nem interferências: no mato. Lá onde o verniz da sociedade não chega. Lá onde ainda se podem ver as estrelas à noite e, à luz delas e dos vaga-lumes, iluminar (alumiar) o eu interior. Onde os pensamentos ecoam nos pastos, sobem os morros e reverberam com o mugido das vacas. Lá onde os córregos murmuram salmos pagãos que nos convidam para lavar a alma mergulhados na água fria. Onde temos tudo que precisamos e não desejamos mais do que isso, que já é uma fartura. Lá onde não chega internet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez não dê para largar tudo agora e ir ao encontro do mato imediatamente. Mas nada impede umas visitas eventuais e, principalmente, carregá-lo sempre no pensamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5631256835355223522" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-fYb84DGyrrk/TiY-QY5WpeI/AAAAAAAAAGg/rKmYzDGScdA/s320/IMG_0985.JPG" /&gt; O Mato&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-6857722309978600521?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/6857722309978600521/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=6857722309978600521' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/6857722309978600521'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/6857722309978600521'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2011/07/o-mato-chama.html' title='O mato chama'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-fYb84DGyrrk/TiY-QY5WpeI/AAAAAAAAAGg/rKmYzDGScdA/s72-c/IMG_0985.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-7553677578387743446</id><published>2011-05-27T20:56:00.000-07:00</published><updated>2011-05-29T08:50:14.205-07:00</updated><title type='text'>A ampulheta</title><content type='html'>Aconteceu nessa semana e foi como uma revelação. De repente o relógio de parede aqui de casa, que havia funcionado pelos últimos vinte e cinco anos sem interrupções, parou - para incredulidade de todos. A família não teve dúvidas de que ele tinha pifado. A ninguém ocorreu talvez o mais provável: que o tempo não existe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo é um par de ponteiros parados, uma ruga que aparece, um sol que se põe, uma pedra gasta, uma lembrança distante, um filho crescido, uma duna que migra, uma ferida que fecha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas para cada sol há uma lua que o sucede e depois um sol de novo. As rugas de um velho não são mais numerosas nem mais fundas que as de um feto. Nunca há nada novo, nunca uma ruptura, sempre o mesmo. Ainda se o mundo se encaminhasse para um ponto de chegada, se houvesse um sentido de progressão (ou regressão, que seja), o tempo poderia existir. Mas os acontecimentos se dão em círculos, partem de lugar nenhum para desembocar em lugar nenhum e sempre será assim. Vivemos um eterno instante composto de ações fracionadas, e não vários instantes fracionados, como somos levados a crer. Nesse grande e eterno instante residem o universo, as coisas, os seres e os fatos, mas nenhum deles tem o condão de alterar a harmonia do conjunto, de revolucionar o cenário. Como justificar um eventual passar do tempo se não há transformação de nada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo é uma invenção nossa, não existe por si, mas não deixa de impressionar que tenhamos nos tornado escravos dele. A história da humanidade bem poderia ser a das coisas que criamos para a elas nos aprisionarmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A invenção do tempo também trai outro desagradável hábito humano: querer reduzir tudo a um sistema lógico, que possa ser aceito por nossas presunçosas cabeças matemáticas. Nesse caso, a palavra tempo muitas vezes foi usada para medir duração de eventos. São conceitos diferentes. Não se trata de questionar a ideia que fazemos de cinco minutos ou um século. O que parece duvidoso é que a Natureza tenha colocado, no mesmo pacote da criação, os mares, o céu, os bichos, a força da gravidade as estrelas e... o tempo! Como se houvesse uma grande ampulheta cósmica vertendo areia desde o gênesis. O que ela estaria marcando? A data do fim? O aniversário de Deus?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha opinião é que inventamos o tempo mais ou menos pela mesma causa que inventamos as religiões. São ambos frutos de nosso medo da morte. Enquanto as religiões tentam simbolizar esperança, o tempo é o lado pessimista da nossa alma falando, o alerta de um destino inexorável. Na lógica que o homem teceu através dos milênios, o tempo é o responsável por nos conduzir pela mão, desde o início dos nossos dias, direto até a foz de nossas vidas. Ele é o fantasma gerado pela nossa mente e que nos empurra, a cada dia, um pouco mais para perto do fim. Se nos soubéssemos imortais, seria inútil essa abstração chamada tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas gosto de pensar que, se ele não existe, por extensão talvez a causa maior de sua aceitação pelos homens, a morte, também não exista. Talvez seja ela também uma abstração. Talvez a morte seja muito mais um sinal exterior – como os ponteiros parados do relógio – do que uma condição de fato.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-7553677578387743446?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/7553677578387743446/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=7553677578387743446' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/7553677578387743446'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/7553677578387743446'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2011/05/ampulheta.html' title='A ampulheta'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-4945615731720657300</id><published>2011-04-28T15:47:00.000-07:00</published><updated>2011-04-28T16:08:42.775-07:00</updated><title type='text'>Conto de Fadas</title><content type='html'>Se Deus existisse e se tivesse a mínima veia para a piada, os fatos amanhã transcorreriam assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abadia de Westminster, Primavera de 2011. Por uma série de motivos improváveis, o lustre está caído no chão e o padre corre entre os bancos atrás de um leitão visivelmente embriagado (o leitão, não o padre). A nave está toda vazia, a não ser por duas figuras sentadas no altar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu falei para não convidar o Mr. Bean.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Foi a vovó quem fez questão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E vocês precisam fazer tudo que ela quer? Custava ter ponderado um pouco?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É que a cerimônia foi presente dela...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tá. E o Lula? Quem chamou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ninguém. Ele entrou de penetra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas como? Com essa quantidade de seguranças?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acho que o Harry facilitou a entrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah! Eu sabia! Eu sabia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que foi agora? Vai implicar com a minha família inteira?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não vou implicar com a sua família inteira. Só gostaria que as pessoas deixassem&lt;br /&gt;de ser crianças e passassem a assumir as responsabilidades da vida adulta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas ele é uma criança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Claro que é! E eu sou a rainha da Inglaterra!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha, se você não queria ter entrado para a família, era só ter avisado. A gente não precisava seguir em frente. Ninguém estava te obrigando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- (recobrando a calma) Tudo que eu mais queria era esse casamento. Mas não assim. Não desse jeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu não te disse que seriam muitas as dificuldades? Hoje foi só a primeira delas. É o peso de ocupar a posição que ocupamos. Haverá tardes de domingo, por exemplo, em que vamos querer sair de carruagem e os cavalos não estarão atrelados ainda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- (fazendo beicinho e com jeito de quem vai chorar) Eu sei...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas o que importa é que a gente se ama e vai passar por cima de tudo isso. Juntos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse ínterim, o padre finalmente alcança o leitão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tem razão. E até que foi engraçado quando o Lula puxou a dentadura da Camilla, não foi?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tá vendo? A gente ainda vai dar risada desse dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, apesar dos percalços do caminho, viveram felizes para sempre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-4945615731720657300?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/4945615731720657300/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=4945615731720657300' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/4945615731720657300'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/4945615731720657300'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2011/04/conto-de-fadas.html' title='Conto de Fadas'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-5343693211562632811</id><published>2011-03-07T10:10:00.000-08:00</published><updated>2011-05-08T16:06:20.859-07:00</updated><title type='text'>Eu queria ser um caminhoneiro</title><content type='html'>&lt;p&gt;Eu queria ser um caminhoneiro. “Lá vem ele com esse papo de novo. Por que então não larga tudo e vai pedir emprego em uma transportadora?”Antes fosse assim tão simples. Por mais que eu acredite no poder do homem de dispor de seu próprio destino e fazer de sua vida aquilo que bem entende, algumas barreiras são intransponíveis, porque foram erguidas pela própria Natureza. No meu caso, tenho coração de caminhoneiro, mas não me deram o resto. Meu drama é como o do homem de lata do Mágico de Oz, só que ao contrário.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Eu realmente queria ser um caminhoneiro. A alma humana precisa das vastidões para espraiar-se. Nas cidades ela vive aprisionada, cativa das parafernálias tecnológicas, dos prazos e limites, das obrigações, do tumulto, dos padrões sociais. A liberdade está na amplidão de uma paisagem a perder de vista, onde a alma reencontra sua essência, o infinito, e nos traz de volta para nossa verdadeira condição humana, para mais perto de nossas origens. Uma dessas amplidões é o Mar. Outra é a Estrada. Deus - ou a ideia que se tem dele - habita ambas.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;O caminhoneiro, portanto, é também um marujo, com a vantagem de que capitaneia o próprio navio. Esse bem-aventurado homem não conhece limites nem fronteiras, a não ser a linha do horizonte. Seu itinerário é sua consciência. Não presta satisfações e não tem horário regulado por ninguém, senão pelo Sol e pela Lua, que são seus confidentes. Trata o Vento por tu. Dorme em 365 leitos por ano - salvo nos anos bissextos -, e se depara, talvez, com 365 amores.O caminhoneiro é um galanteador.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Conhece o Brasil pelos buracos das BR´s, como quem lê um país em braile. No sertão, entre o vale do Jequitinhonha e o do São Francisco, olha para a vegetação e sabe o exato ponto onde termina a jurisdição de Guimarães Rosa e começa a de Jorge Amado. Não titubeia um segundo na hora de apontar com precisão a sutil fronteira que separa as regiões que falam mexerica daquelas que preferem tangerina.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Come a coxinha com catupiry dos postos de beira de estrada como se estivesse provando o néctar dos deuses. E, de fato, está.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Não posso deixar de me imaginar como um integrante da categoria. Talvez não fosse o de maior destreza ao volante, tampouco o mais hábil para decorar os caminhos e atalhos, mas seria, certamente, um dos mais felizes. Acordaria às quatro da manhã, mesmo se estivesse fazendo frio, para ver o amanhecer com as velas desfraldadas, em plena travessia da Estrada. Tomaria o café com as frutas que eu colhesse nas beiras do caminho e com o naco envelhecido de queijo minas do dia anterior.Faria amigos nas principais rodovias do país. Na BR 316, altura de Vitória da Conquista, conversaria sobre futebol com o Antônio, frentista e torcedor do Flamengo. Ficaria hospedado sempre na mesma pensão em Itabaiana, entre Sergipe e Alagoas. Lá me apaixonaria platonicamente pela Iolanda, a moça da recepção. Nunca trocaríamos uma palavra. Quando voltasse para a pensão depois de cinco anos, descobriria que ela tinha se casado há pouco tempo com um rapaz o qual, provavelmente, não amava.Quando a noite me surpreendesse ainda na estrada, eu pararia no acostamento e montaria vigília ali mesmo. Subiria para o topo da caçamba com um livro e, até cair no sono, revezaria a leitura das páginas com a das estrelas. De tanto passar pelos mesmos cantos e finais de mundo, logo começaria a ser reconhecido pelas pessoas. E quando meu caminhão passasse buzinando em frente a uma casa amiga, certamente diriam: "Lá vai o Cavaleiro da Boléia Solitária."&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Em meus doces devaneios, só não consegui ainda resolver uma questão, a mais fundamental de todas. Não sei qual frase pintar no paralamas do meu caminhão. Sempre que tenho um tempo livre procuro me concentrar nessa labuta lírica, mas não sai nada. O que é grave, porque um caminhoneiro sem uma frase de paralamas não é digno da profissão nem do nome que ostenta. Não deixa de ser irônico que todos os meus anos de estudo, minha pretensa queda pelas letras, todos os livros lidos e poemas sorvidos não valham de nada nessa hora. O caminhoneiro de verdade olha para a carcaça de sua embarcação ainda na revenda, a caçamba vazia e os pneus murchos, e onde o homem comum só vê um conjunto de lata, ferros e borracha, ele vislumbra o verso que emana da máquina, apreende-lhe o espírito, e como Michelângelo ao pincelar de um só golpe o bigode de Deus na Capela Sistina, o caminhoneiro tasca no paralama a frase definitiva que ressoará pelas BR´s Brasil afora.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;O caminhoneiro é, portanto, também um poeta. Romântico, marujo e poeta. Don Juan, Vespúcio e Camões em um só homem. E eu ousando dizer que gostaria de tomar parte nessa seleta irmandade! Como se não soubesse que os grandes ofícios, aqueles que realmente importam, não são escolhidos pela gente, mas escolhem a pessoa ainda antes do berço.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Que haja por aí gente que coloca em dúvida as glórias de ser um caminhoneiro, penso que seja um lamentável reflexo do nosso tempo. As pessoas temem a Estrada, mas se esquecem que somos feitos dela. Hoje, a Estrada e sua imensidão representam um mundo inconveniente, porque escancara a insignificância dos pequenos trilhos em círculos que percorremos todos os dias e construímos para nosso medíocre conforto, a frágil ilusão de que tudo corre em ordem. Na Estrada a ficção do dia-a-dia perde a força e a gente se depara com a vida sem véus. Belezas e dores vêm dessa visão. Por que preferimos evitá-la?&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Renegamos esses heróis já que neles sobra a coragem que nos falta. Os jovens não querem ser caminhoneiros. Pelo contrário, abarrotam universidades e preparatórios para concursos em busca de uma profissão prestigiosa e estável. É uma lógica incontestável, que está em todas as partes. No fundo, gostaria que meu desejo do título do texto não se aplicasse só a mim. Eu queria uma sociedade toda mais caminhoneira.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;P.S.1: doutos pensadores e respeitáveis estudiosos defendem a tese de que o Brasil devesse substituir os caminhões pelo transporte ferroviário. Alegam que assim os gargalos do país ligados ao escoamento de mercadorias seriam sanados em grande parte. Talvez esses poetas do progresso se esquecem que dentro de um trem ninguém ouve o barulho dos pássaros lá fora, ou da chuva, não existe a possibilidade de se tomar o caminho que der vontade, tampouco de parar nos postos de beira de estrada, muito menos de se balançar no solavanco dos buracos da rodovia. Eles não são amigos deste blog.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;P.S.2: Ouço uma música da década de 60 e fico sabendo que naquela época os caminhoneiros eram chamados de Chofer de Caminhão. Um nome muito mais adequado, sem dúvida. Retifico, portanto, meu desejo inicial. O que eu queria mesmo era ser um Chofer de Caminhão.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-5343693211562632811?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/5343693211562632811/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=5343693211562632811' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/5343693211562632811'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/5343693211562632811'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2011/03/eu-queria-ser-um-caminhoneiro.html' title='Eu queria ser um caminhoneiro'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-125407026195279824</id><published>2011-02-26T13:43:00.000-08:00</published><updated>2011-02-27T16:38:14.959-08:00</updated><title type='text'>Manifesto eremita</title><content type='html'>Existe um deslumbramento com as redes sociais da internet, para não dizer uma devoção, que dá a impressão de que o mundo não pode mais viver sem essas ferramentas. Ainda mais agora, depois que muita gente atribuiu a elas papel fundamental nas recentes revoltas nos países árabes. Como se os árabes precisassem da internet para lutar pela democracia, enquanto as principais revoluções ocidentais foram realizadas em períodos muito anteriores aos milagres da era digital. É uma análise que não deixa de trair certa arrogância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, vá lá, digamos que os egípcios tenham se organizado graças ao Facebook e ao Twitter. Digamos que a massa popular que sacudiu a praça Tahrir tenha um amplo acesso à internet, fato que não se vê, por exemplo, no grosso da população do Brasil, um dos países onde é mais alastrada a adesão às novidades do mundo virtual. Relevando tudo isso, ainda assim não é por sua capacidade de mobilização política ou de transformar nações que as redes sociais são tão endeusadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elas cumprem um papel-chave na lamentável sociedade de aparências em que vivemos. Precisamos aparentar que somos felizes, desencanados, bem-sucedidos, bem-humorados, que nossas vidas são interessantes. Quanto mais gente souber, melhor. Queremos ser super-humanos, infalíveis como aqueles que vemos na TV, nos filmes, na internet. Ser apenas humano não dá ibope e precisamos consumir e ser consumidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As tristezas, as dores, as paixões, o medo, a parcimônia, as frustrações, as fragilidades nós varremos para debaixo do tapete. Justamente os sentimentos que nos fazem humanos. Quando eles são ignorados sobra o quê? Sobra a máquina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos fiéis à máquina e pagamos tributo aos seus sacerdotes - Facebook, Twitter e todos os outros que vierem depois - na esperança de que nos entreguem uma vida sem falhas. Por isso idolatramos a tecnologia e nos regozijamos a cada inovação que surge no mercado. Mas o que temos em troca é uma existência cada vez mais padronizada: as pessoas falam do mesmo jeito, riem das mesmas coisas, têm as mesmas opiniões e aspirações, ouvem as mesmas músicas, enxergam o mundo do mesmo modo. Existe conforto na padronização. Ela nos exime de pensar por conta própria, dilui nossas frustrações na frustração geral, faz com que nos sintamos acolhidos na imensa sociedade de gente igual uma à outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É muita ingenuidade pensar, como pensam muitos, que as redes sociais na internet são instrumentos revolucionários. Mais do que tudo, são o desdobramento natural de um processo desencadeado já há um tempo, desde que as pessoas se convenceram de que elas mesmas e os outros vivem numa vitrine, como produtos a ser comprados. Revolução mesmo vai haver - e quem sabe esse dia não chega ainda para nossa geração? - quando elas se derem conta de que a verdadeira experiência humana se passa mais dentro do indivíduo do que nas inúmeras passarelas onde desfilamos nossa pretensão de super-homens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Enquanto escrevo, me lembro de um professor na faculdade que contava de um chinês que subiu uma montanha para filmar a chuva. Era um documentário sobre ela. O professor sempre se emocionava nessa hora. "A chuva... - dizia entre soluços -, a chuva..." Por que não? A chuva, sim, senhores!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não que devamos todos virar eremitas e migrar para o topo de uma montanha, onde ficaríamos apreciando o bode pastar e nos alimentando das moitas ralas. Mas que a montanha seja nossa própria individualidade e nossa vida livre de alienações; que o bode seja toda a beleza dos seres e coisas que nos circundam (a chuva do chinês, por exemplo); e que as moitas ralas sejam o conhecimento e as experiências que pudermos assimilar para nos tornar cada vez mais indivíduos, humanos, e menos coadjuvantes das nossas vidas, apenas outra engrenagem no mundo das máquinas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-125407026195279824?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/125407026195279824/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=125407026195279824' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/125407026195279824'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/125407026195279824'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2011/02/manifesto-eremita.html' title='Manifesto eremita'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-3109900865673636930</id><published>2011-01-29T05:21:00.000-08:00</published><updated>2011-02-27T16:41:44.027-08:00</updated><title type='text'>O par de tênis adequado</title><content type='html'>Quando o trem parou e olhei pela janela, vi que o lugar era bem diferente do que eu imaginava. Não sei por que, achei que encontraria algo meio sobrenatural, com suas emanações etéreas e auroras boreais vindas do além. Ao contrário, era uma cidade comum como qualquer outra, talvez não do nosso tempo, mas qualquer outra cidade de algum século perdido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na entrada da estação, um rapaz presumivelmente familiar me aguardava. Era meu eu interior:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então aqui é a minha mente? - perguntei depois de cumprimentá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Até onde a vista alcança e mais ainda - e ele me apontou na direção das montanhas que ficavam na borda da cidade, além das montanhas havia mais montanhas e depois delas um borrão azul que poderia ser o mar. Pelo menos eu gostaria que fosse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saímos pelas ruas de pedra (minha mente tem ruas de pedra) e nos juntamos aos muitos pedestres, que caminhavam entre cavalos e carroças. Os homens, em geral, carregavam arco e flecha ou gaitas de foles, o que me levou a concluir que se dividiam em caçadores e bardos. As mulheres eram todas loiras, longas tranças jogadas sobre o ombro. Tinham as orelhas levemente pontudas, como as elfas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não trouxe malas? - quis saber meu eu interior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não. Vou embora hoje mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hoje? Nunca nos visita e quando vem não fica nem para passar uma noite? Talvez não dê tempo de conhecer tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso ia me mostrando cada detalhe do que encontrávamos no caminho. A rua 14 de fevereiro (meu primeiro dia na escola), que desemboca na rua 2 de junho (quando, sem querer, o finado Rex me mordeu na perna). Mais além ficava uma avenida toda ladeada por hortênsias vermelhas e pretas. Não perguntei, mas deduzi que aquilo devia ter alguma coisa a ver com futebol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não só a flora, mas também a fauna da minha mente tem um quê de excêntrica. Por exemplo, vi bandos de morcegos voando sem constrangimento em plena luz do dia. E dois ou três unicórnios pastando. Achei tudo tão de bom gosto que ousei pensar que tinha aprimorado, dentro de mim, a obra da Natureza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentamos à sombra de uma enorme estátua do Quasímodo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu interior, tenho uma dúvida: a vida aqui é sempre assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele pegou um pedaço de pedra que estava solto no chão e ergueu para me mostrar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Isto foi o que sobrou da taverna depois do tsunami da semana passada. Temos disso nesta região. Às vezes escurece no meio da tarde e a gente já sabe que é hora de procurar abrigo. De repente, vem a tormenta. Os pássaros começam a voar de marcha à ré, as árvores se soltam sozinhas do solo e tombam uma atrás da outra, as montanhas trocam de lugar entre si e das profundezas da terra arrebenta um trovão cavernoso, que faz tremer as casas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E depois?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Depois passa. Algumas construções não resistem, outras ganham novos formatos, mas a maioria fica de pé. Para o meu gosto, as tormentas acabam trazendo muita beleza. Logo o sol aparece, mais brilhante do que nunca, e um arco-íris surge do nada. Nessa hora os bardos saem para compor, porque estão no auge da inspiração. E os javalis e as crianças correm para chafurdar nas poças d´água, nas mesmas, sem fazer distinção entre as espécies.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Engraçado. Enquanto meu eu interior continuava explicando o que acontecia depois das grandes tempestades, lembrei que eu não fazia ideia de quando foi a última vez que vi um arco-íris na vida real. Javalis, eu nunca vi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final da tarde, depois de termos caminhado o dia inteiro e visto quase toda a cidade, chegamos pertos dos bosques da periferia. Imediatamente me atraiu a atenção um portal tomado pelo musgo, gasto pelo tempo e fechado por cerradas fileiras de arame farpado. Ele dava para uma estrada muito estreita e sinuosa, que, pelas enormes pedras cravadas no caminho e pelas moitas de espinhos espalhadas em curtos intervalos, dava a impressão de ser bastante inóspita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aonde leva aquela estrada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oh, aquela é a Estrada do seu Coração. Ninguém vai lá há muito tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficamos os dois examinando por uns minutos a trilha além do portal. Na linha do horizonte ela fazia uma curva e depois desaparecia da vista, podendo se estender por quilômetros adiante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vamos? - e enquanto dizia isso meu eu interior começava a afastar os arames.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Melhor não. Outro dia, sem falta. É que, pelo visto, a trilha é pesada e eu não trouxe o meu par de tênis adequado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Despedi-me do meu eu interior e logo depois estava no trem de volta, talvez decidido a repetir a viagem em breve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Lição do dia:&lt;/b&gt; desculpas esfarrapadas. Até quando?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-3109900865673636930?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/3109900865673636930/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=3109900865673636930' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/3109900865673636930'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/3109900865673636930'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2011/01/o-par-de-tenis-adequado.html' title='O par de tênis adequado'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-83266762708265969</id><published>2010-12-26T04:18:00.001-08:00</published><updated>2010-12-26T19:21:42.651-08:00</updated><title type='text'>O banquete anual dos escritores</title><content type='html'>&lt;div&gt;Em 2010 o banquete anual dos escritores foi diferente. No lugar do tradicional amigo-oculto, tiveram a ideia de organizar um desafio. Cada um dos mestres deveria levar para o jantar um objeto qualquer que representasse a essência de toda a sua obra. Aquele que desse conta da tarefa com mais poesia seria declarado o vencedor. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;O primeiro escritor levantou-se com uma caveira na mão. Os colegas logo entenderam. Sua literatura versava sobre o ser e o não ser. Todos na mesa aplaudiram.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Depois foi a vez de um jovem romancista que mostrou aos convivas a caixa de um tarja-preta. O rapaz escrevia por e sobre o amor. Mais aplausos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Um senhor grisalho e de ar austero apresentou uma boneca inflável. A solidão era a linha-mestra de seus romances. Dessa vez os colegas não só aplaudiram, como alguns não conseguiram conter uma lágrima.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Em seguida um dos acadêmicos levantou-se com um de seus próprios livros na mão. Claro, sua literatura era sobre o óbvio. De alguma maneira, todos os colegas sabiam que esse seria o objeto que ele iria apresentar, mas nem por isso deixaram de felicitá-lo pela ideia.  &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;O próximo escritor, com muito garbo e dignidade, abriu a carteira e exibiu aos presentes um maço de notas de cem dólares. Os colegas, que em geral torciam o nariz para o membro mais bem-sucedido da Academia, não puderam deixar de lhe reconhecer a sinceridade e propuseram um brinde em sua homenagem. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Um veterano ficcionista, muito apreciado no meio univesitário, empunhava um frango assado de padaria. É que, segundo a crítica, sua literatura não tinha pé nem cabeça. Um acadêmico quis ler um desagravo em favor do colega. Mas foi interrompido pelo próprio veterano, que gostava de ser visto como gênio incompreendido.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Houve ainda um intelectual recém saído da universidade que levantou-se, mostrou as mãos espalmadas e tornou a sentar. Sua obra era sobre o nada. O confrade ao lado, com quem tinha estreita afinidade poética, repetiu o mesmo gesto, só que com um pouco mais de veemência. O vácuo era seu grande tema. Aplausos e aplausos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando todos os escritores já haviam apresentado seus objetos e estavam bastante satisfeitos com a própria inteligência, um sujeito de aparência questionável deu um chute na porta do salão e caminhou rumo à mesa dos artistas. Ficaram todos surpresos. O homem então disse:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Vocês me conhecem. Eu sou o ghost writer de muitos sentados aqui. O intelectual ao seu lado também me contratou, não foi só você que teve a ideia. Os seus parágrafos são meus parágrafos. Já escrevi dezenas de livros e ao mesmo tempo nenhum. Mas pelo menos tenho direito de participar da brincadeira. Querem saber a essência da minha literatura? É esta!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O homem sacou um revólver do bolso, mirou contra o próprio peito e, para horror dos acadêmicos, disparou. Mas a arma estava descarregada. Ele então desatou numa risada lunática e foi embora da mesma forma súbita com que entrou, não sem antes deixar um gesto obsceno de lembrança.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Fora esse, o jantar seguiu sem mais incidentes. O prêmio da noite, por unanimidade, foi entregue ao escritor da boneca inflável. Para 2011, a Academia estuda voltar com o amigo-oculto, ou talvez nem isso. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;          &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-83266762708265969?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/83266762708265969/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=83266762708265969' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/83266762708265969'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/83266762708265969'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2010/12/o-banquete-anual-dos-escritores.html' title='O banquete anual dos escritores'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-1559535859441527432</id><published>2010-10-26T11:14:00.000-07:00</published><updated>2010-10-27T12:50:21.922-07:00</updated><title type='text'>O sorriso do destino</title><content type='html'>Amigos, esta é uma vida bonita e não fica bem pensar o contrário. Por mais que às vezes andemos meio desiludidos e em dúvida sobre o que viemos fazer aqui, sempre tem um acontecimento que nos faz perceber a graça de estar sob o céu. Podem ser coisas pequenas: uma ligação no celular que nunca toca, cigarras cantando no seu banheiro, um amigo que subitamente aparece de bigode. Ou pode ser o que aconteceu comigo hoje.   &lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Estava à toa em casa, perdido em maquinações não muito saudáveis, e decidi caminhar um pouco lá fora, para dar ao destino uma oportunidade de me surpreender. É preciso que a gente também faça nossa parte, pensei, a vida não trabalha com entregas em domicílio. E era um fim de tarde clássico, tinha acabado de chover, várias cores no céu. Lá fui eu. Mas nem bem tinha começado a caminhada, um sujeito me interrompeu. (Releiam o título do texto, por gentileza, é a este fato a seguir que ele se refere). Automaticamente, como bem me ensinaram as autoridades, levei os olhos  ao crachá do homem. Depois de me certificar do que estava escrito, tive a consciência de que este dia entraria para a história. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sim, senhores, era um pesquisador do Ibope. Um pesquisador do Ibope, com tudo que isso significa, seu peso místico, sua aura inquisitória, seu questionário fumegante, decisivo para os rumos da pátria, quiçá do universo. Tudo isso diante de mim. E pensar que milhões de pessoas país afora duvidam da existência desse paladino das pesquisas eleitorais, só porque nunca viram um. Eu também, pobre tolo, já começava a colocá-lo na conta dos seres sub judice, como duendes e et´s. Mas nunca cheguei a descrer completamente e hoje minha fé foi premiada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Prestarei meu testemunho, que considero valioso já que muitos de vocês passarão o resto da vida sem o privilégio da experiência que eu tive (culpem o destino, não a mim). Um pesquisador do Ibope é um sujeito simpático nos modos e no trato, tem uma aparência discreta, se bem que levemente abaulada no baixo ventre. Chama-se Diego e sacode um pouco, mas não demais, a mão do interlocutor na hora de cumprimentar. Apenas o necessário para mostrar firmeza sem intimidação e cordialidade sem intimidade. O pesquisador do Ibope é um gentleman. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Agora, aos trâmites. Nome? Vítor - sem o "c", por favor. Ah, já escreveu com "c"? Não tem problema. Assim fica como Victor Hugo, tremendo poeta. Já leu o Corcunda de Notre Dame? (Inventei a parte da conversa literária. O resto se passou como o descrito). Se eu me considero muito satisfeito, satisfeito, insatisfeito ou muito insatisfeito com a vida? Satisfeito. Fez ainda outras perguntas sócio-econômicas, quanto eu ganho, qual é a renda lá de casa, qual é a minha profissão, minha religião e meu sexo. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não perguntou o sexo, deve ter deduzido. Estou só romanceando a história.        &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Perguntou, também, claro, em quem eu vou votar para governador e presidente. Aqui era a minha grande chance de detonar todo o sistema. Responder tudo errado sobre minhas intenções de voto só para ver o caos instalado, numa espetacular reação em cadeia, que iria desde o instituto de pesquisa, passando pela imprensa e terminando no Palácio do Planalto. Mas na hora eu estava tão feliz que nenhum pensamento revolucionário me ocorreu. Tudo bem, não me arrependo. Depois de cinco minutos que merecerão pelo menos dois capítulos na minha biografia, tinha chegado ao fim a entrevista.  &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quais são as chances de eu ter sido vítima de um golpe ou pegadinha? Bem concretas, vamos ser sinceros. Rememorando os detalhes, a prancheta do pesquisador não me soou muito profissional e ele próprio parecia conter um riso de canto de boca de vez em quando. Mas que importa? Julgar-se amado é, no fundo, ser amado de fato. Já basta. Se foi uma ficção o que vivi, não faz diferença, porque para mim funcionou como vida real .  &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Para terminar, um tópico delicado. As pessoas desconfiadas - sei que há delas entre meus melhores leitores - devem ter estranhado a brevidade da pesquisa. Provavelmente, acham que eu omiti alguma parte. Na cabeça delas, existe um rito secreto entre pesquisador  e entrevistado para que itens da pesquisa permaneçam sigilosos. Os desconfiados acham que o agente tem uma planilha confidencial de questionário - talvez denominada "Páginas P."-, onde estão as perguntas que realmente contam para o sucesso da pesquisa e que não podem chegar aos ouvidos da concorrência, por isso convencem o entrevistado, de algum modo desconhecido, a não falar nada a respeito. É uma tese  respeitável, mesmo assim não vou me meter no assunto. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas se estivesse na sua pele, leitor, depois de descobrir que pesquisadores do Ibope realmente existem, e em carne e osso,  eu não duvidaria de mais nada neste mundo. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-1559535859441527432?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/1559535859441527432/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=1559535859441527432' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/1559535859441527432'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/1559535859441527432'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2010/10/o-sorriso-do-destino.html' title='O sorriso do destino'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-284605157292165170</id><published>2010-09-23T22:51:00.000-07:00</published><updated>2010-09-24T00:38:46.228-07:00</updated><title type='text'>Ficha Limpa às duas da manhã</title><content type='html'>Depois de ficar até esta hora assistindo à TV Justiça, e ainda por cima ver frustrada a minha expectativa de que acontecesse alguma baixaria entre os ministros, me dou o direito de opinar sobre a polêmica. &lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Acho que não é a fórceps que se vai moralizar o país. Se uma iniciativa, por mais bem intencionada que seja, não respeita as regras estabelecidas, ela não pode seguir adiante. É o que ocorre com a Ficha Limpa. A impressão que me causa é a de uma investida de paladinos da justiça atuando pelo que julgam ser o bem da nação. O problema é que decidiram reparar o mal por uma via arbitrária, e isso não pode ser saudável. Aberto o precedente, as garantias legais que asseguram os direitos de pessoas e instituições correm o risco de não valerem mais nada. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando Roriz renunciou em 2007, não havia previsto em lei nenhum outro prejuízo direto senão a perda do mandato de senador. Três anos depois, imputar àquele gesto uma penalidade que antes não existia soa estranho até para quem, como eu, não tem familiaridade com o Direito.  E se amanhã o Congresso resolve editar uma norma prevendo sanções para todos que tiverem assistido Titanic mais de uma vez no cinema? Muita gente estaria perdida, mas na época que cometeram o ato não poderiam prever que ele se tornaria ilegal, porque, se pudessem, teriam se contido, ou não, mas pelo menos teriam a opção de decidir arcar com as consequências. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A sanha de extirpar os muitos Rorizes da política, que é uma bela bandeira, não pode estar acima das regras do jogo. A triste verdade é uma só. Se fosse um país de gente educada, não precisaria de lei alguma para evitar que políticos da espécie do ex-governador voltassem ao poder. Mas como somos incapazes de fazer uma escolha minimamente razoável perante as urnas, os tribunais, com destaque para o TSE, sentem-se na obrigação de fazer valer os mecanismos que impedem o eleitor de, mais uma vez, levar a corja ao poder.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas é democrático barrar a candidatura de alguém que tem uma condenação da qual ainda cabe recurso? Antes de ser considerado culpado, o sujeito já paga pelo crime? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Fiz uma analogia na madrugada: estamos nas nossas salas de aula na quinta série e a professora anuncia que vai haver votação para escolha do representante de classe. Mas há uma condição. Alunos que ela considerar indisciplinados não poderão concorrer. A professora sabe que a turma do fundão, com promessas de lazer e anarquia, seduz o eleitorado. Então ela cria mecanismos para alijar esses personagens do processo eleitoral. Mas até que sejam expulsos da escola ou considerados inaptos pela direção, a máxima instância, os alunos da turma do fundão ainda tem seus direitos. Ou não?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Isso me faz lembrar que na quinta série o representante fui eu, que tinha a ficha limpa, pelo menos na visão dos professores. Não atrasava os deveres, tirava boas notas e zelava pela ordem na sala. Em pouco tempo minha gestão conservadora entrou em conflito com as tendências do partido do fundão. Antes que o golpe, àquela altura iminente, adviesse, abdiquei. Não quero fazer prognósticos sombrios, ainda mais a dez dias da eleição, mas desde então aprendi que certo tipo de político, por estar em plena consonância com os valores (ou falta de) de grande parte da população, não são combatidos apenas com leis.                                &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-284605157292165170?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/284605157292165170/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=284605157292165170' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/284605157292165170'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/284605157292165170'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2010/09/ficha-limpa-as-duas-da-manha.html' title='Ficha Limpa às duas da manhã'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-1862777698427369803</id><published>2010-08-11T22:14:00.000-07:00</published><updated>2010-08-13T10:45:55.880-07:00</updated><title type='text'>O pedido</title><content type='html'>Hoje o Brasil dorme acossado pela dúvida. Nos últimos segundos da entrevista ao Jornal Nacional, o candidato José Serra começa uma frase, mas não chega a concluí-la, porque seu tempo se esgota justamente no momento crucial . A todos nós, que morreremos sem saber qual seria o fatal desfecho daquele (a partir de agora histórico) pronunciamento, resta a especulação. Quando foi interrompido por Bonner, Serra dizia: " Eu gostaria de pedir às pessoas que...": &lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;1: perdoem estas olheiras. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;2: devolvam meu suéter, caso o encontrem. Perdi em uma passeata na semana passada, não sei se em Barbacena ou se em Paulínia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;3: amem umas às outras como se não houvesse amanhã. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;4: não deixem de colaborar com o Criança Esperança. Para doar cinco reais, disque 0300...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;5: ...o que eu ia pedir mesmo? Achei que não ia dar tempo, por isso nem decorei.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-1862777698427369803?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/1862777698427369803/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=1862777698427369803' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/1862777698427369803'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/1862777698427369803'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2010/08/o-pedido.html' title='O pedido'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-7763617046752489505</id><published>2010-07-24T11:16:00.000-07:00</published><updated>2010-08-10T11:57:30.531-07:00</updated><title type='text'>O submundo desnudado</title><content type='html'>O crime organizado tomou conta da cidade, exatamente como eu temia. O próximo passo é nossas vidas sofrerem profundas alterações para se adaptar à nova realidade. Um amigo meu, por exemplo, resolveu comprar um canivete para o caso de qualquer desentendimento com um bandido, e olha que ele é um jovem pacato, não o reconheço mais. Onde vai parar a ascensão do submundo? Para mim, a questão é muito simples: enquanto as autoridades há décadas utilizam os mesmos métodos de combate ao crime, os bandidos se modernizam periodicamente e hoje dispõem das mais criativas e sofisticadas técnicas que podemos imaginar. &lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Um exemplo é o que ocorre na rua embaixo da minha janela. Há cerca de dois meses comecei a ouvir uns latidos estranhamente pontuais, sempre por volta de meia-noite, às terças e quintas. "Cachorro incrível!", pensei comigo. Uma noite montei vigília na janela e vi, que na verdade, se tratava do fornecedor de drogas chamando o pequeno traficante. Emitia um latido, o traficante aparecia e eles trocavam abraços como se fossem velhos amigos que tinham se encontrado por um feliz acaso naquela esquina. (Essa pequena encenação, muito convincente e até emocionante, era necessária para despistar qualquer desconfiança). Depois trocavam algumas palavras amistosas e finalmente o fornecedor passava para o outro um pacote daquelas balas de gelatina levemente azedas chamadas "minhocas cítricas", acho. Ali estavam não as minhocas, mas as pedras de droga, que o traficante analisava rapidamente, antes de dar umas notas de dinheiro amassadas para o colega. Então os dois se despediam e, invariavelmente, quando já tinham se distanciado alguns passos, o fornecedor se virava para trás e gritava: "temos que marcar aquele futebol!" (sempre a encenação). &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Isso quando era um latido só, porque já houve casos de serem dois. Nessas ocasiões, o pequeno traficante não aparecia, mas trinta segundos depois, uma viatura da polícia passava fazendo a ronda. Quando eram três latidos, o pequeno traficante vinha com um guarda-chuva. Logo em seguida começava a chover. Tudo mais transcorria como nas noites de um latido só. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Teve um dia que eu ouvi um diálogo diferente. Foi na hora que o traficante recebia o pacote de minhocas cítricas do fornecedor. Olhou lá dentro e se deparou com um produto inesperado:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Que brincadeira é essa, cavalheiro?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Prove.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Mas são balinhas de gelatina! &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Só peço que prove.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O traficante deu uma mordida em uma das minhocas. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Sublime!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Perceba a textura.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Estou percebendo. E derrete na boca.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Sem dúvida.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- E como fazem para ser doces e azedas ao mesmo tempo?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- É inquietante. Não sei. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Tenho clientes que pagariam uma fortuna por isso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Podemos dar um jeito. Recebo o carregamento de Honk Kong toda semana, sem intermediários.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Fechado. Você me entrega às quartas-feiras?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Às quartas-feiras. Um latido e meio?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Era o que eu ia propor.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Apertaram as mãos solenemente e se separaram.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ah, e temos que marcar aquele futebol!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-7763617046752489505?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/7763617046752489505/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=7763617046752489505' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/7763617046752489505'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/7763617046752489505'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2010/07/o-submundo-desnudado.html' title='O submundo desnudado'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-4929826060381494156</id><published>2010-07-20T21:05:00.001-07:00</published><updated>2010-07-30T21:54:19.667-07:00</updated><title type='text'>Se tudo fosse quicar e correr</title><content type='html'>Há três anos,  eu já andava seriamente desconfiado de que as pessoas davam mais importância aos problemas do que eles realmente mereciam. Mas, como não conhecia um modelo alternativo fora daquele que me rodeava, mais ou menos me convenci que a vida fosse assim mesmo, cheia de questões sérias pedindo uma solução urgente. Até que a revelação me veio através de uns amigos que fiz na faculdade.&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eles não se preocupavam com nada (melhor, se preocupavam em não arrumar preocupações). Ou pelo menos assim me parecia, pode ser que eu tenha idealizado a imagem deles para se ajustar às necessidades que eu tinha na época e tenho até hoje. O fato é que, na minha cabeça, aqueles amigos eram heróis da libertação, que vieram para mostrar que meus receios com relação à universidade, vida profissional, às expectativas que a sociedade deposita na gente, não valiam mais do que um churrasco no campus no meio da tarde ou uma partida de sinuca. Exatamente como, lá no fundo, eu já suspeitava.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A vida para eles obedecia a uma lógica que eu nunca tinha visto antes, e isso era o que mais me fascinava. O que era prioritário para todo resto, para esses amigos não passava de uma questão menor. Não sentiam necessidade de provar para o mundo que eram alunos brilhantes, jovens promissores, cidadãos exemplares. Tinham o único compromisso de serem fiéis às próprias verdades, mesmo que elas apontassem numa direção oposta à da maioria, como frequentemente ocorria. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu me sentia vingado quando eles faziam pouco caso de uma disciplina, porque minha grande vontade era mandar passear todos aqueles professores e sua enganação acadêmica, só que não tinha coragem. Também era um deleite quando meus amigos desobedeciam solenemente regras impostas por nossos colegas politicamente corretos, que confundiam civilidade com carolice.  Claro que esse comportamento lhes renderam sanções e até jubilamentos, o que só contribuía para que eu os visse cada vez mais como mártires. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;                  &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O mais curioso é que não havia nada de anti-natural na maneira deles agirem. Nasceram assim ou tinham se transformado, mas não se esforçavam para sê-lo. Pareciam exóticos para todo o resto e talvez não se dessem conta do quanto. Estavam sempre alegres e maquinando alguma ideia mirabolante , fosse para levantar dinheiro, fosse exclusivamente para se divertir. Nisso me lembravam personagens saídos das revistas em quadrinhos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Um dia, um deles passou em frente a uma loja de material esportivo e viu uma bola de basquete. Juntou o dinheiro que tinha no bolso (que lhe faria falta, porque morava sozinho e estávamos no fim do mês) e resolveu comprar a bola, ainda que, até o minuto anterior, a ideia de jogar basquete não lhe passasse pela cabeça. Quando veio contar a novidade para a gente, todos os outros concordaram com a compra, como se dissessem "sim, você tomou uma decisão muito razoável". Só eu achei que não tinha o menor sentido.    &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Dali em diante começamos a jogar basquete todas as noites em quadras públicas da cidade. Foi uma época  feliz, já faz três anos. Eu me sentia, de alguma maneira, tocando um pouco aquele mundo à parte em que meus amigos viviam e que eu invejava. Enquanto colegas de classe se preocupavam com estágios e tudo que tivesse a ver com um futuro respeitável, eu jogava basquete à meia-noite, um esporte do qual eu nunca gostei, e ainda por cima acordando os vizinhos e correndo o risco de ser abordado pela polícia. Parecia uma loucura das mais saudáveis e eu era grato aos amigos por tomar parte nela. Mas eu sabia que, por mais que me esforçasse, não conseguiria ser um deles e que minha participação naquela realidade estava com os meses contados, o que de fato aconteceu.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Hoje os mestres teriam muito pouco a se orgulhar deste discípulo aqui. Ainda me preocupo em excesso com qualquer bobagem e, pior, dou muita importância a coisas que reconheço não terem a menor importância para mim. A diferença é que agora guardo na memória o exemplo de que é possível construir a vida fundamentada naquilo que nos é realmente prioritário, sem medo do fracasso ou da censura, porque convivi com gente assim. Essa lembrança serve de alento. E quando me vejo tomando uma atitude que não me significa nada, só por obrigação ou para corresponder ao que as pessoas esperam que eu faça, me esforço rapidamente para levar o pensamento para alguma quadra noturna, longe das verdades padronizadas e convenções do dia-a-dia,  onde minhas únicas preocupações eram quicar a bola e correr ao mesmo tempo, o que, por si só, convenhamos, já era um desafio.  &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-4929826060381494156?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/4929826060381494156/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=4929826060381494156' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/4929826060381494156'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/4929826060381494156'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2010/07/se-tudo-fosse-quicar-e-correr.html' title='Se tudo fosse quicar e correr'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-4691758022603073702</id><published>2010-06-21T22:10:00.000-07:00</published><updated>2010-07-21T11:05:05.611-07:00</updated><title type='text'>A Copa dá o que pensar</title><content type='html'>Quando houve o show de abertura da Copa, no Soweto, e a Fifa levou uma série de artistas internacionais para o palco, mas nem mesmo se deu ao trabalho de justificar por que a banda de pagode brasileira que leva o nome do histórico bairro de Joanesburgo não estava entre as atrações, eu disse para mim mesmo: "esta Copa vai dar o que pensar."&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quase duas semanas depois, vejo que não errei na previsão. Muita gente diz que o futebol praticado dentro de campo tem sido de má qualidade, mas acho que essa questão é secundária. A Copa extrapola o jogo. Que o diga o jogador norte-coreano chorando feito bebê durante a execução do hino de seu país. O que passava pela cabeça dele naquela hora? Ou o atacante que, depois de marcar um gol, corre desesperado para confraternizar com os compatriotas na arquibancada. A turba enlouquecida comemora um gol, mas parece que acabaram de expulsar o exército inimigo do território pátrio. Ou que ganharam todos na loteria ao mesmo tempo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Muitos dos sentimentos humanos são escancarados numa Copa. Fica mais fácil de entender a nossa própria frustração depois que vemos a  frustração estampada nos rostos daqueles que acabaram de ser eliminados do torneio e vêem o sonho ruir. Mas também o medo está ali, a loucura, o equilíbrio, a ousadia. Alguém que não conhecesse o gênero humano poderia se informar assistindo a uma Copa.  &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Isso porque não só as emoções estão representadas, os mais diversos tipos também. Tem o Dunga, que remete à ignorância, ao mal que o sujeito consegue fazer a si mesmo quando abdica da cultura e da educação.  Numa outra extremidade, o Maradona, que não chega a ser um poeta, mas tem mostrado uma presença de espírito que, a despeito de todas as bobagens que já disse e já fez, está contribuindo para que ele se torne uma das figuras mais queridas desses dias. Se o Dunga resolveu declarar guerra ao planeta, o Maradona parece querer se reconciliar com ele.         &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas de todas as reflexões que a Copa instiga, nenhuma tem me intrigado tanto quanto a que surge dos resultados dos bolões. Quem mais acerta os placares dos jogos são justamente as pessoas que menos acompanham e menos entendem de futebol. Já percebeu isso? Fiquei pensando que, assim como nos bolões, também na vida se dá melhor quem pouco entende do assunto e joga mais com a intuição do que com a razão. Será possível? Eu sempre achei que consciência demais atrapalhava, mas daí a imaginar, por exemplo, que a Espanha perderia para a Suíça, extrapolava em muitos quilômetros a barreira do bom senso. Não foi o que a Copa mostrou. Talvez seja essa uma grande lição. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;P.S.: feliz inverno para todos. Se não nevar em Brasília desta vez, nem por isso devemos desanimar. Depois da prisão do Arruda e da chapa Agnelo-Filipelli, é lícito imaginar que a neve esteja bem cotada na lista de excentricidades por vir. Torçamos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-4691758022603073702?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/4691758022603073702/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=4691758022603073702' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/4691758022603073702'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/4691758022603073702'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2010/06/copa-da-o-que-pensar.html' title='A Copa dá o que pensar'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-129763605897632495</id><published>2010-05-08T12:11:00.000-07:00</published><updated>2010-05-08T12:42:33.036-07:00</updated><title type='text'>Ética no dia-a-dia</title><content type='html'>Você está num restaurante. Na mesa vizinha, senta um deputado que ficou famoso no país inteiro por ter se envolvido no mais recente escândalo de corrupção. Você:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a) pede um autógrafo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;b) verifica a possibilidade de sair um cargo comissionado para aquela prima de Campo Grande.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;c) sobe na mesa e faz um emocionado discurso de desagravo ao parlamentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;d) na hora de pagar a conta, finge que vai tirar o cartão de crédito da meia, só para ver a reação dele.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-129763605897632495?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/129763605897632495/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=129763605897632495' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/129763605897632495'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/129763605897632495'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2010/05/etica-no-dia-dia.html' title='Ética no dia-a-dia'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-3851423113446461806</id><published>2010-04-28T13:49:00.000-07:00</published><updated>2010-04-28T14:11:35.474-07:00</updated><title type='text'>50 anos depois</title><content type='html'>Minhas previsões para o centenário de Brasília. Podem cobrar quando for o dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O Memorial JK terá dado lugar ao Memorial Roriz. Natural, porque pai é quem cria, não quem bota no mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Em vez de "capital do Rock", seremos a "capital do Gospel".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alguém vai lembrar que Brasília é maior que seus escândalos políticos, ainda que nunca os escândalos políticos tenham sido maiores do que então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A Catedral vai estar fechada para reforma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Haverá grande polêmica em torno da construção do setor Su-Sudeste (teremos quase esgotado a rosa-dos-ventos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Moradores das satélites precisarão de visto para trabalhar no Plano. Aqueles que forem partidários do governador vão conseguir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Os bares e restaurantes continuarão fechando as portas pontualmente à meia-noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E, finalmente, o Niemeyer vai falar mal da cidade em alguma entrevista rabugenta. Mas ninguém vai dar muita bola.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-3851423113446461806?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/3851423113446461806/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=3851423113446461806' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/3851423113446461806'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/3851423113446461806'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2010/04/50-anos-depois.html' title='50 anos depois'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-1822830845134825720</id><published>2010-04-07T06:43:00.001-07:00</published><updated>2010-04-14T12:50:18.122-07:00</updated><title type='text'>Vou começar a torcer pelos apagões</title><content type='html'>Instalaram uns postes de iluminação novos no gramado em frente ao meu prédio. No primeiro dia, achei que estavam preparando algum evento, talvez um jogo de futebol, de tão intensa que era a luz. Depois descobri que vão ficar ali em definitivo, aqueles postes e sua iluminação exagerada, e que as noites daqui para frente serão mais claras do que nunca. Situação dramática para quem, como eu, prefere as madrugadas como elas nasceram para ser, sombras e trevas. Outro dia li no jornal que cientistas britânicos afirmavam que o direito ao céu noturno deveria ser inviolável. Eu sempre soube disso. Mas, se na cidade já é difícil ver as estrelas, por causa das luzes artificiais, no meu caso especial ficou mais complicado ainda. Com esses postes novos, não dá para distinguir direito se anoiteceu ou se é o dia que ficou meio nublado. Claro que uma anomalia dessas traz sérias consequências para quem vive ao redor.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;***&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu, por exemplo, para manter meu quarto escuro - não bastava para o poder público colocar um sol da meia-noite lá fora, era preciso que a luz invadisse o meu quarto também - tive que recorrer ao expediente da cortina fechada. Justo eu, que nunca gostei de véus entre meu sono e a madrugada. Vá lá, com isso a gente se acostuma. Mais triste tem sido testemunhar o esgotamento gradual de toda minha inspiração. Era o breu da noite - minha verdadeira musa, agora eu sei -que alimentava meu lirismo. O fim de um decretou a morte do outro e já não tenho ideias além de razoáveis. Pelo menos é um desfecho poético para essa carreira de bardo.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;***&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Curioso é que Brasília, graças aos escândalos políticos, não tem governo para decidir sobre os assuntos da cidade desde o início do ano. Obras estão abandonadas, projetos foram suspensos e a máquina pública só não parou completamente porque tem funcionado por inércia. Mas alguém para resolver instalar postes novos em frente ao meu prédio o governo tem. Os integrantes do GDF que não foram presos, pediram afastamento ou estão envolvidos com as eleições indiretas. Fico imaginando que tenha sobrado só um funcionário, em alguma secretaria distante, engajado no projeto da "nova iluminação pública". Deve ser um idealista.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;***&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Mudanças causam grande transtorno também à Fauna, podem alertar especialistas&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O que vai ser das corujas, seres noturnos, que se acostumaram à escuridão do gramado aqui em frente? E os morcegos? E se tiver algum galo nas redondezas, será que continuará cantando antes de amanhecer ou vai se confundir com a luminosidade e começará a cantar em horários completamente absurdos?&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;***&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Lamento muito. Alguém vai falar que a iluminação é para evitar assaltos. Mas eles já ocorrem durante o dia, sem muito constrangimento por parte do bandido ou infrator, se for menor (tem diferença). E sabem do que mais? Não se substitui um assalto por outro. Mas se for para substituir, que se faça a escolha certa. O que é ter uma carteira batida de vez em quando perto de ter nosso céu noturno surrupiado para sempre? &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-1822830845134825720?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/1822830845134825720/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=1822830845134825720' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/1822830845134825720'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/1822830845134825720'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2010/04/instalaram-uns-postes-de-iluminacao.html' title='Vou começar a torcer pelos apagões'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-6459817757349410456</id><published>2010-03-07T20:22:00.001-08:00</published><updated>2010-03-10T14:27:53.915-08:00</updated><title type='text'>Um escafandro, por favor</title><content type='html'>Noite passada eu tive um sonho que custarei a esquecer. Pode ser que ele represente algo de alvissareiro operando dentro de mim ou pode ter sido só uma piada da minha cabeça mesmo. Não sei. Quando as coisas acontecem comigo não consigo ter uma opinião muito razoável a respeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No sonho eu estava numa sala de aula. A julgar pelo estado das cadeiras e por um e outro rosto conhecido, era a minha faculdade. A professora tinha pedido para a gente escrever um texto que depois teríamos que ler para a turma. Eu fui o primeiro aluno escolhido. Levanto e começo a ler meu texto em voz alta. Começava assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O mar é um sujeito profundo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O mar é um sujeito profundo"? Que charlatanice! Soa a pseudo-lirismo descarado. E pior, tem certas pretensões filosóficas. De onde eu posso ter tirado isso, não faço a menor ideia. Sei que no sonho brindo com esta pérola meus colegas de classe, minha professora e a mim mesmo - que, espectador, não sabia o que estava por vir: "o mar é um sujeito profundo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se havia outras frases ou se o texto se resumia a essa única. Logo após minha leitura, lembro que a professora ficou visivelmente indignada. Eu devo ter ofendido seus mais caros valores estéticos. Na visão dela, aquela frase era descabida, vazia, e não fazia sentido sob nenhum ponto de vista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu ainda tentei argumentar em favor da minha obra, dizendo que havia ali um certo vanguardismo que estava passando despercebido. (Logo se vê que o eu do sonho era bem mais desembaraçado que o eu real). Mas não lembro de como terminou o caso todo. Acordei e fiquei com a frase na cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vocês já ouviram falar em certa tendência da psicologia que analisa os sonhos. Parece que, de acordo com estudiosos da área, quando sonhamos estamos, na realidade, dando voz aos impulsos mais puros do nosso subconsciente. É um contato direto com o estado bruto de nosso ser. Mas não só isso. Dizem que todos os personagens dos nossos sonhos representam nós mesmos. Percebem a gravidade da situação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se essa análise for verdadeira, se todos os personagens do sonho forem, no fundo, nós mesmos, então a frase "o mar é um sujeito profundo" fica ainda mais intrigante. Vejam, todos os personagens são uma representação minha ou de um lado da minha personalidade. Eu sou a professora, eu sou os meus colegas de classe, eu sou eu mesmo(aquele que lê o texto), mas eu também sou o mar. Por que não? Quando digo: "o mar é um sujeito profundo", só agora enxergo, é como se quisesse revelar para mim mesmo "o Vítor é um sujeito profundo". Que louco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não profundo como sinônimo de complexo ou sábio. Profundo no sentido de que há um Vítor que não vem à superfície, que dorme nas profundezas, talvez muito abaixo do pré-sal. E quer aflorar, levando em conta a veemência com a qual defendi meu texto no sonho. Por outro lado, a viagem à tona deve ser cheia de obstáculos, ilustrados pela recusa da professora em aceitar o discurso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O mar é um sujeito profundo...” Olhando assim, até que não é tão má frase. Será que dormindo sou melhor escritor do que acordado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Atualizado 5 minutos após a publicação: &lt;/strong&gt;um amigo leu o texto e acha que matou a charada. Eu teria escrito, na verdade, "Omar é um sujeito profundo", e não "O mar...". Essa nova interpretação faz pouco sentido para mim. Juro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-6459817757349410456?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/6459817757349410456/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=6459817757349410456' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/6459817757349410456'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/6459817757349410456'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2010/03/um-escafandro-por-favor.html' title='Um escafandro, por favor'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-8129580998270076536</id><published>2010-02-13T19:05:00.000-08:00</published><updated>2010-02-16T15:14:28.913-08:00</updated><title type='text'>A questão da tatuagem</title><content type='html'>O preso-celebridade é disparado o que dá mais trabalho. Que gente! Eles têm essa mania de questionar as regras da cadeia, como se estivessem em um hotel ou na própria casa. Díficil colocar na cabeça deles o conceito de estar encarcerado. E quando resolvem pedir comida de fora, pizza ou fast-food? O pessoal da cozinha fica muito ofendido, e não é para menos. Eu também ficaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, ninguém sofre mais com o preso-celebridade do que o carcereiro. É esse profissional abnegado que aguenta todos os caprichos, os chiliques, os ataques de estrelismo e, principalmente, os fingidos princípios de infarto do preso-celebridade. Tudo isso com paciência e serenidade tibetanas. O carcereiro sabe que zela não só por um preso, mas pela boa reputação da casa. Os bandidos passam, a cadeia fica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é a história, verdadeira, de um carcereiro e um preso-celebridade. Desse último vocês provavelmente já ouviram falar, foi preso, se não me engano, na semana passada mesmo. Os jornais devem ter dado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tão logo esse preso foi acomodado em suas dependências, mandaram chamar o seu Leomir. O seu Leomir era o carcereiro com mais tempo de serviços prestados na cadeia, funcionário exemplar, quase um mito, chamava os delegados pelos apelidos e era a referência para os mais novos. Por tais motivos, e também por alguns outros, logo se verá, cabiam a ele os presos-celebridade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece que tinha um método para lidar com os famosos, ninguém sabia muito bem no que consistia. Fato é que, sob os cuidados do seu Leomir, os presos célebres se comportavam incrivelmente bem. Houve até uma vez que ele estava viajando e um outro rapaz teve que vigiar um cantor que tinha se desentendido com o fisco. Para encurtar a história, ao cabo de três dias o carcereiro estava preso por maus-tratos e o tal cantor tinha recebido uma indenização de não sei quantos mil reais, além de se ver livre de todas as acusações anteriores. Não deixaram mais o seu Leomir se afastar por muito tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, como eu dizia, chegou esse preso novo, um homem poderoso, e mandaram chamar o seu Leomir. Assim que ficaram a sós, o carcereiro fez as apresentações de praxe:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Esta é sua cela. A TV fica desligada o tempo todo, exceto quando passa futebol. Aqui vemos campeonato carioca e jamais o paulista, jogos do Flamengo prioritariamente. À sua direita fica o banheiro, pode usá-lo à vontade a qualquer hora do dia, mas nunca por mais de cinco minutos de cada vez, porque aí já se configuraria um cárcere dentro do cárcere e nós não queremos problemas. A roupa de cama é trocada toda semana, assim como a de banho, mas as toalhas da mesa não são trocadas nunca, por uma questão de superstição minha. Visitas íntimas são permitidas nos finais de semana, uma de cada vez. Já padres, pastores e similares em hipótese alguma são admitidos, pelo mesmo motivo que a toalha de mesa não é trocada, etc, etc, etc...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O preso, extremamente abatido com sua nova condição, ouviu toda a explicação de seu Leomir e assentiu com a cabeça, primeiro porque tinha entendido bem, depois porque achou que era tudo muito razoável e justo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As coisas transcorreram mais ou menos dentro da normalidade até a noite do primeiro dia. Foi quando, após o jantar, o seu Leomir apareceu com um objeto que lembrava uma agulha, só que de proporções maiores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que é isso? - perguntou o preso, levemente abalado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A questão da tatuagem - respondeu seu Leomir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cadeia tem suas regras, que valem para os criminosos comuns, mas também para os renomados. Uma delas, talvez a mais tradicional, é que todo preso, para marcar sua passagem pela instituição, tem que sair de lá com uma tatuagem no corpo. Não só pela tradição, isso também ajuda na reintegração ao meio social. Uma vez posto em liberdade, o detento pensaria duas vezes antes de incorrer em erros que pudessem trazê-lo de volta, porque veria em sua própria pele uma marca que nunca o deixaria esquecer da pena cumprida. A tatuagem, portanto, era um favor e não um castigo. Além do mais, o preso poderia escolher o desenho que gostaria de tatuar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desde que não seja legenda de partido político - acrescentou seu Leomir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas eu devo ser solto em poucos dias! - quis argumentar o preso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por isso sugiro que escolha logo o seu desenho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O preso refletiu por alguns segundos. Seu Leomir, imóvel, tinha a expressão grave de alguém que só deseja cumprir seu dever com o máximo de correção. Finalmente o preso perguntou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E dói?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho difícil que um dia venhamos realmente a saber se o preso consentiu ou não em fazer a tatuagem. Como eu disse no início, presos-celebridade são cheios de melindres e sempre têm um advogado de quem podem dispor para quase tudo. Por outro lado, eu também não descartaria o talento de seu Leomir para questões dessa natureza. Uma maneira eficiente de tirarmos a prova da tatuagem é observar se o preso em questão, que certamente não terá sossego da imprensa nas próximas semanas, vai aparecer sem camisa em frente às câmeras. Se não aparecer, bem, é de se desconfiar. Talvez esteja querendo esconder algo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-8129580998270076536?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/8129580998270076536/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=8129580998270076536' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/8129580998270076536'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/8129580998270076536'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2010/02/questao-da-tatuagem.html' title='A questão da tatuagem'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-3415547262669644724</id><published>2010-02-08T09:07:00.001-08:00</published><updated>2010-02-08T09:09:27.230-08:00</updated><title type='text'>Explicação aos irmãos em armas</title><content type='html'>Muitos companheiros do Movimento têm me perguntado por que eu não fui à passeata “Fora Arruda” ontem de manhã. Minha ausência é realmente lamentável, ainda mais que nesses últimos meses acabei me tornando uma das principais vozes da sociedade civil não-organizada no combate à corrupção. Reconheço que dessa vez deixei os irmãos desamparados. Mas felizmente tenho uma boa justificativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece que, se por um lado eu repudio a corrupção com toda veemência, também tenho na mesma conta o ato de acordar cedo. Não sei qual dessas duas atrocidades mais me incomoda. Uma se caracteriza por tirar o dinheiro do trabalhador para patrocinar a riqueza de um grupo de malfeitores alojados no poder. A outra obriga o cidadão de bem a abdicar de horas sagradas de seu sono em favor de prioridades discutíveis da sociedade burguesa, como trabalho, estudo e outras obrigações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como, apesar de muito refletir, eu não conseguia escolher em qual das duas frentes minha revolta deveria ser empenhada, acabei, mais por inércia do que outra coisa, ficando na cama mesmo, que aliás estava de um aconchego embriagante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, se serve de compensação, enquanto dormia tive um sonho. Nele o Arruda e o Paulo Octávio pediam renúncia depois de três dias e três noites de protestos intensos da população nas ruas. Esse tipo de visão é o estímulo esotérico de que todo movimento social precisa para se sentir mais confiante em busca das suas metas. É como o sonho de Dom Bosco para os candangos. Se eu tivesse saído da cama mais cedo, hoje não teríamos esse triunfo na manga. O importante na luta é isso, cada um batalhando na sua área de atuação. Dessa pluralidade de contribuições, faz-se um todo vencedor. Avante.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-3415547262669644724?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/3415547262669644724/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=3415547262669644724' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/3415547262669644724'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/3415547262669644724'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2010/02/explicacao-aos-irmaos-em-armas.html' title='Explicação aos irmãos em armas'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-2875240482758991483</id><published>2010-01-28T14:21:00.001-08:00</published><updated>2010-01-28T14:25:11.362-08:00</updated><title type='text'>A doença é outra</title><content type='html'>O FHC se mantém firme no diagnóstico. Não é hipertensão o problema do Lula. É sub-peronismo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-2875240482758991483?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/2875240482758991483/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=2875240482758991483' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/2875240482758991483'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/2875240482758991483'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2010/01/doenca-e-outra.html' title='A doença é outra'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-94458268884938838</id><published>2009-12-30T08:40:00.000-08:00</published><updated>2009-12-30T16:08:43.755-08:00</updated><title type='text'>Na fila da Mega-Sena</title><content type='html'>Hoje de manhã eu fui jogar na Mega-Sena. (Continuo achando que dinheiro não traz felicidade, mas talvez 120 milhões de reais não se enquadrem apenas na categoria dinheiro.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fila na lotérica estava enorme, isso eu não estranhei. Chamou a atenção mesmo foi que na minha frente havia um anão, como os dos filmes, de barba inclusive. Dá pra acreditar? Achei que era bom augúrio. De repente olhou para mim e disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Amigo, faz um favor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu companheiro de fila não alcançava as mesas onde a gente se apóia para marcar os números no volante. Além disso, seus bracinhos também não conseguiam chegar perto das canetas que ficam penduradas para uso dos clientes. Em suma, queria apostar mas não tinha como. Resolveu pedir minha ajuda. Ele ditaria os números e eu faria o jogo. Para mim não tinha problema, até achei que essa boa ação me conciliaria com os deuses e aumentaria minhas chances de levar o prêmio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma frase do anão, no entanto, me azedou o espírito:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por favor, não vá jogar os mesmos números que eu. Quero ganhar sozinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Achei aquilo bem petulante. Não tinha passado pela minha cabeça copiar o jogo dele. Mas e se eu quisesse? Por acaso é proibido? Eu fazia um favor para o sujeito e ele me vinha com uma grosseria dessas! Decidi apostar nos mesmos números do anão. Além do mais, refleti, seria uma burrice não aproveitar seis dezenas que me chegassem como que por capricho celeste aos ouvidos. Pensem comigo: se o jogo do anão fosse sorteado, eu nunca me perdoaria por não ter pegado os números para mim também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Absolvido pela minha consciência, disse ao pequeno que poderia ditar as dezenas tranquilamente, sem medo de que eu me apropriasse delas. Ele riu e balançou a cabeça positivamente, mas não sem antes coçar a barba. E me sussurrou, para que outros não ouvissem:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- 1, 2, 3, 4, 5, 6.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvindo aquilo, tentei argumentar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Senhor anão, tem certeza de que vai fazer esse jogo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Perfeitamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Seja razoável, companheiro. Uma sequência dessas nunca vai ser sorteada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quem sabe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tem certeza?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pois sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas é uma burrice!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Talvez não seja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em vão tentei demovê-lo da ideia. O anão estava irredutível, como, aliás, é próprio da natureza deles. No fim tive que jogar os números que ele pediu. Não precisei fazer outro jogo para mim copiando as dezenas do anão, porque antes mesmo de chegar à lotérica eu já estava decidido a apostar 1,2,3,4,5,6. Queria ganhar sozinho e, com tanta gente participando e tantos bolões sendo feitos, essa me pareceu a melhor maneira. Não fui o único a pensar assim. Havia aquele anão, que até agora não me sai da cabeça. Será que o universo quis me dar algum ensinamento com esse episódio? Não faço ideia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que hoje durmo com a sensação estranha de que a vida pode ser mais traquinas do que gostaríamos. E essa sensação deve voltar outras vezes em 2010. Mas que me encontre já milionário.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-94458268884938838?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/94458268884938838/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=94458268884938838' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/94458268884938838'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/94458268884938838'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2009/12/na-fila-da-mega-sena.html' title='Na fila da Mega-Sena'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-2871169035338633796</id><published>2009-12-29T09:07:00.000-08:00</published><updated>2009-12-30T08:37:41.809-08:00</updated><title type='text'>Provável desdobramento da crise</title><content type='html'>Mais um texto sobre o Arruda, depois eu prometo voltar aos assuntos sérios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que se Brasília fosse uma cidade que se desse ao respeito, estaríamos vivendo um clima de quase guerra civil agora. Deveriam haver manifestações diárias pela saída do governador, suficientes para inviabilizar a rotina. Uma agenda do caos deveria ter se instalado. Hoje os estudantes fecham o eixão e as principais vias, amanhã todos estacionam em fila dupla, depois de amanhã os garis param de recolher o lixo. Era para estarmos testemunhando a multiplicação de trincheiras e barricadas contra a PM, a tomada diária de prédios públicos, os gritos de ordem ecoando pelas ruas. Mas a vida segue como se não houvesse escândalo nenhum. Incrível como uma população tão mobilizada para algumas causas, como, por exemplo, proibir o funcionamento de bares e restaurantes depois da meia-noite, se mostre tão mansa em questões um pouco mais relevantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuando na atual toada, Brasília vai proporcionar ao mundo uma das maiores demonstrações de deboche na história da política, no que toca à relação entre representantes e representados: a permanência do Arruda no governo. E o pior é que nada indica que o desfecho será outro. As pessoas se acostumaram com a corrupção a ponto de passarem a considerá-la como um fato natural da vida, desagradável, porém inexorável. Como as catástrofes ambientais ou as doenças. Vem daí esse pensamento dominante, que tanto me irrita, de que se revoltar contra a má índole dos políticos é dar soco em ponta de faca. Ou coisa de gente romântica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É num cenário assim - corrupção desenfreada e sociedade paralisada - que costumam surgir os justiceiros nas histórias em quadrinhos. O Batman, por exemplo, brota de uma Gotham maltratada pela corrupção. Mas talvez o exemplo mais bem acabado seja o V de Vingança, onde a revolta com a política é tamanha que o justiceiro decide explodir o Parlamento (quando não havia ninguém dentro, também não vamos incitar a violência, que não leva a lugar nenhum). Seria pedir demais que, no caso de Brasília, a vida imitasse a arte? Imaginem. Em algum lugar do DF, digamos uma casa afastada em Taguatinga, alguém está neste momento traçando um plano meticuloso para derrubar o governo Arruda. Esse sujeito está tão revoltado que deseja fazer justiça por conta própria. Ele quer se tornar um herói. Deve estar até pensando em que fantasia vai usar. Detalhe importante, nesses casos, é a fantasia. E a alcunha? Não dá para ser um mascarado sem uma alcunha digna. Se esse homem valoroso viesse me pedir conselho, eu sugeriria que ele se apresentasse à população como Róbson Pierre, uma releitura moderna e brasileira de um nome que já fez tremerem muitos poderosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gente pode esperar que a Câmara Legislativa cumpra seu dever e decida enxotar o Arruda. Podemos também depositar nossas expectativas em algum tribunal ou, sabe-se lá, na OAB. São esperanças. Eu, senhores, por minha vez, prefiro me fiar numa possibilidade que pode parecer remota, mas seria sem dúvida a mais interessante: o surgimento de um justiceiro que, como nos quadrinhos, arriscaria a vida para restabelecer o reino da justiça e da moral em uma Brasília arrasada. Não custa acreditar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S.: se esse herói aparecer, aviso de antemão, não sou eu. Estou apenas dando a ideia. Caso sirva de inspiração, cumpri meu papel. Força, Róbson Pierre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-2871169035338633796?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/2871169035338633796/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=2871169035338633796' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/2871169035338633796'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/2871169035338633796'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2009/12/provavel-desdobramento-da-crise.html' title='Provável desdobramento da crise'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-696321352422243371</id><published>2009-12-01T11:46:00.001-08:00</published><updated>2009-12-01T15:09:06.030-08:00</updated><title type='text'>Os trechos que a justiça não divulga</title><content type='html'>Políticos corruptos são, no fundo, pessoas normais, como eu e você. Têm as mesmas preocupações na vida, os mesmos prazeres, as mesmas limitações. Enfim, são homens de carne e osso. Mas as autoridades insistem em divulgar apenas as partes das gravações que fazem esses senhores parecerem monstros. Se fossem divulgados os diálogos inteiros, veríamos que se trata de gente absolutamente comum:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Boa tarde, pessoal!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Opa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Boa tarde, chefe. Melhorou da dor na coluna?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nem me fale, rapaz. Acabei de chegar da farmácia. Gastei uma grana com analgésico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aproveitou pra comprar o xampu da calvície?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não. Esqueci. Ah! Esqueci também de pegar o gato na Pet Shop . As crianças vão me matar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Viu o Flamengo ontem, chefe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não. Minha filha ficou vendo um filme adoelscente de vampiros. Como é que foi?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Perdemos. Mas o juiz roubou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- P...! Odeio gente desonesta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É fogo mesmo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que é aquilo encostado ali no canto da parede?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que chefe? Não estou vendo nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ali ó. Aquele negócio preto, do lado da sua pasta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, aquilo! É uma escultura do Rodin que a minha esposa trouxe da Europa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Engraçado. Parece uma filmadora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não parece? O cara era um visionário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vamos resolver logo, gente? Os maços estão prontos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vamos. Porque tempo é dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Com a diferença de que o tempo não dá trabalho para colocar nos bolsos do paletó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ha, ha, ha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ha, ha, ha. Boa, chefe. Vamos dividir então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vamos. Mas antes, vem cá pessoal. Vamos nos abraçar aqui e fechar os olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pai nosso que estais no céu...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-696321352422243371?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/696321352422243371/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=696321352422243371' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/696321352422243371'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/696321352422243371'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2009/12/os-trechos-que-justica-nao-divulga.html' title='Os trechos que a justiça não divulga'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-2404870220686216387</id><published>2009-11-29T18:57:00.000-08:00</published><updated>2009-12-01T15:40:04.581-08:00</updated><title type='text'>Gerúndio vai à forra</title><content type='html'>Até hoje me lembro do dia em que o Arruda demitiu o gerúndio. Foi um ato arrojado aquele. Ali ficou claro que o governador não permitiria que nada atrapalhasse seus planos para o DF, nem mesmo a gramática. Eis agora o troco. No dia do impeachment, haverá, certamente, muita gente que "vai estar se divertindo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em toda essa lamentável tragédia que se abateu sobre a cúpula do governo distrital, há uma questão quase cômica com a qual devemos começar a nos preocupar: a dificuldade que será estabelecer, pelas vias costumeiras, um substituto para o Arruda. O vice-governador, primeiro na linha sucessória, também está envolvido no escândalo. O mesmo acontece com o presidente da Câmara, a segunda opção. Acho que a terceira alternativa é o presidente do Tribunal de Justiça, mas bonito mesmo seria se os juízes cravassem uma espada em uma pedra na frente do Buriti e dessem o governo para o primeiro bravo que conseguisse retirá-la. Já deu certo em imbróglios parecidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou então o Arruda pode tentar levar adiante a história de que o dinheiro era para comprar panetone para os pobres, que nem é tão inverossímil assim. Eu mesmo estou inclinado a acreditar nessa versão. Se ele tivesse dito que compraria pão e leite, aí ficaria na cara que estava mentindo. Pão e leite é muito óbvio, qualquer macaco velho pensaria nisso. Mas panetone não.  Se for uma desculpa esfarrapada, pelo menos que se reconheça que tem certo refinamento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lastimável mesmo é que agora não vai sobrar ninguém para negociar o show do McCartney no aniversário da cidade. Pena, porque seria um acontecimento histórico. Fica para os 60 anos. Imagino que em algum lugar de Nova York um telefone esteja tocando neste momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hello?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sir Mccartney ! É sobre o show que o senhor faria aqui em Brasília...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Yes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estaremos adiando o evento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-2404870220686216387?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/2404870220686216387/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=2404870220686216387' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/2404870220686216387'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/2404870220686216387'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2009/11/gerundio-vai-forra.html' title='Gerúndio vai à forra'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-3925451561354371855</id><published>2009-09-17T11:57:00.000-07:00</published><updated>2009-10-05T12:10:33.788-07:00</updated><title type='text'>Cada uma que me acontece</title><content type='html'>Eu nunca consigo escutar as mensagens de voz no meu celular. Não que eu me atrapalhe com a tecnologia, não sou tão arcaico assim. Mas meu telefone vive sem créditos, por isso não dá para acessar a caixa de mensagem. Na verdade só coloquei crédito uma vez, na semana em que comprei o celular, em 2004. De lá pra cá, nem um centavo. Me orgulho muito disso. Enquanto tem um monte de gente que gasta os tubos com telefone, eu não gasto nada. Vou dar dinheiro para as empresas de telefonia? Até parece! Essas corporações não têm o menor pudor de explorar o cliente, prestam um serviço terrível e ainda enchem nossas paciências com milhares de torpedos de propaganda. E já ouvi dizer que os funcionários delas trabalham em regime quase escravo. Bem, posso bater no peito e dizer que com esse capitalismo eu não contribuo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O chato da história, como já falei, é que não consigo escutar minhas mensagens de voz. Vai que uma de minhas musas resolve se declarar e me deixa um recado? Eu nunca saberei. E no dia seguinte posso encontrá-la, mas como não falarei nada ela vai pensar que eu "já estou em outra", como dizem os jovens. Confesso que de vez em quando fico meio desesperado pensando nisso. Do jeito que as coisas estão, as pessoas se comunicando apenas virtualmente, não duvido nada de que um desencontro assim já tenha acontecido com alguém no planeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que outro dia, faz um mês mais ou menos, eu consegui ouvir uma mensagem de voz. Achei até estranho, porque não tinha crédito nenhum. A mensagem apareceu na tela do telefone e só por fanfarronice eu cliquei "ouvir". E deu certo. Na época achei que tinha sido uma falha da operadora. Agora, esquisita mesmo foi a mensagem que escutei. Uma voz muito sedutora de mulher, com certo sotaque, dizia as seguintes palavras:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Beirute, WCF, número 02."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imediatamente fui ao Google. WCF era um feira, simpósio ou coisa parecida, que aconteceria na capital do Líbano durante todo o mês. A World Crisis Fundaments estava em sua segunda edição, a primeira foi em maio, em Edimburgo. Várias palestras e debates para entender a crise financeira e o impacto dela no mundo, dessa vez com enfoque nas economias do Oriente Médio. O que eu tinha a ver com isso? Não fazia a menor ideia. E é claro que não dava para cruzar meio planeta só para satisafazer a curiosidade. Mas por sorte eu tenho um tio que é assessor do Ministério do Comércio e estava de viagem marcada para Dubai, com escala em Beirute. Conseguiu uma vaga para mim na comitiva oficial. Cinco dias depois de receber a mensagem eu desembarcava no Líbano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim que saí do aeroporto dei um jeito de me informar onde era o Centro de Convenções -tinham instalado a Feira lá. À medida que ia me aproximando, estranhava o pouco movimento de pessoas. Imaginava que encontraria o lugar apinhado de estudiosos e gestores do mundo inteiro, mas na verdade ali estava muito mais parado do que em outras ruas da cidade, havia até um certo clima de luto. Na entrada do Centro, encontrei um segurança. Perguntei para ele se era lá mesmo que estava a WCF. Ele me disse que o evento tinha sido cancelado na semana anterior, depois de um atentado terrorista. Por sorte ninguém tinha morrido, os danos foram só materiais. Perguntei se tinha sido um homem-bomba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não - ele me respondeu - foi mulher-bomba. Bela mulher, por sinal. E tinha uma voz sedutora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Tive que me apoiar no ombro do segurança para não cair, de tanto que minhas pernas tremiam. Assim que recobrei um pouco do equilíbrio, quis saber que dia mais ou menos o ataque tinha acontecido. Eu já imaginava a resposta: foi no mesmo dia em que recebi a mensagem.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Voltei no primeiro voo para o Brasil, disposto a tentar esquecer os últimos acontecimentos. Mas, não sei se já disse isso aqui, sou um pouco neurótico e infelizmente a história toda não saía da minha cabeça. Tive dificuldade para dormir e para comer naqueles dias, e quando dormia sonhava com a mulher-bomba. Ora ela aparecia loira, ora morena e, nas piores noites, vinha ruiva. Tenho um pé atrás com ruivas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Por mais que eu quebrasse a cabeça, não conseguia entender o que eu tinha a ver com a terrorista e nem por que ela resolveu me mandar uma mensagem exatamente no dia em que explodiria meio quarteirão. Estava a ponto de perder toda a paz de espírito quando uma tarde, refletindo no meu quarto, tive uma grande sacada, tão reveladora que na hora me pareceu ter sido inspiração divina. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Lembrei que Beirute era o nome também de um bar aqui em Brasília. E que de repente WCF poderia significar WC feminino. O número 2, por extensão, só poderia ser o segundo box do banheiro. Fazia sentido ou eu estava ficando louco de vez? Como eu tinha até viajado o mundo para tentar decifrar o mistério, não custava nada dar um pulo logo ali, na quadra ao lado.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Saí na mesma hora para o Beirute. Não sabia o que ia encontrar, mas receava que fosse coisa desagradável, para não dizer perigosa mesmo. Cheguei lá o bar estava abrindo, era quase fim de tarde. Pedi autorização para ir até o banheiro feminino. Nunca imaginei que minha primeira incursão nesse ambiente sagrado para as mulheres seria em circunstâncias tão pouco românticas. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;O banheiro estava aparentemente vazio, com um cheiro de detergente de limão ainda fresco no ar. Havia duas cabines, entrei na segunda. Precisei reunir toda a coragem que eu nem sabia que tinha para seguir em frente. Achei um envelope escondido embaixo da privada. Estava enderaçado a mim. Dentro havia um bilhete que dizia:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;"Não perca sua linha. Recarregue seus créditos até dia 30/08 e ganhe R$ 80 em torpedos para falar com quem você quiser."&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Dá pra acreditar? &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Esse episódio não mudou minha opinião sobre as operadoras de celular. Mas uma coisa eu tive que reconhecer: os sujeitos não brincam em serviço.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-3925451561354371855?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/3925451561354371855/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=3925451561354371855' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/3925451561354371855'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/3925451561354371855'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2009/09/cada-uma-que-me-acontece.html' title='Cada uma que me acontece'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-4620839811760603710</id><published>2009-09-11T16:02:00.000-07:00</published><updated>2009-09-14T21:20:22.852-07:00</updated><title type='text'>Canto de resistência</title><content type='html'>&lt;p&gt;As recentes chuvas aqui em Brasília têm me deixado meio angustiado. Não é certo chover em setembro. Alguma coisa muito estranha - provavelmente mais terrível do que estranha - está em curso. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;As pessoas parecem não perceber a gravidade da situação e, longe de estarem preocupadas, comemoram os temporais dos últimos dias, porque "amenizaram a seca". Mas se chove no período naturalmente destinado à estiagem, é lógico acreditar que, na época das chuvas, elas não virão. Percebam o tamanho da tragédia.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O relógio do clima claramente está mudando. Se nós, humanos, conseguimos nos adaptar a essa inversão das estações, a natureza infelizmente não tem a mesma capacidade. Imaginem um pé de manga, acostumado a florir durante a seca de setembro e a dar frutos nas chuvas de novembro. Como ele vai agir quando perceber que o clima agora está ao contrário? Vai dar primeiro a manga e só depois as flores? Prefiro nem pensar nisso por enquanto.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Uma amiga me alertou para uma possibilidade ainda pior. Talvez as cigarras não apareçam este ano. Aí sim seria um duro golpe. E tudo indica que seja isso mesmo que vai acontecer. As cigarras, como todos sabem, saem da terra logo nas primeiras chuvas depois de muitas semanas de seca intensa. Com essa bagunça que está o clima, elas devem perder o momento certo de vir à superfície. Ou suas larvas podem ter sido afogadas pela chuva fora de hora, botando a perder toda uma geração do inseto, hipótese que eu lastimo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Uma das características de Brasília que eu mais gostava era o barulho das cigarras em todo canto da cidade sempre que chegava o fim do ano. Bons tempos, já saudosos. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas talvez nem tudo esteja perdido. Hoje, em pleno ápice da desesperança, tive um alento. Eu ainda dormia, a manhã estava nas primeiras horas, quando comecei a perceber um certo barulho no jardim. Inicialmente pensei que fosse um sonho. O barulho foi ficando mais nítido, até que levantei e fui até a janela. Era bom demais para ser verdade. Uma cigarra solitária cantava numa árvore ali próxima. Cantava a plenos pulmões, como se disso dependesse a própria vida.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Pobre menina, pensei. As cigarras cantam para acasalar, mas não há nenhuma outra por perto. A não ser que ela consiga atrair um besouro ou um zangão, o que acho difícil, está destinada a cantar em vão. Foi só aí que eu atinei: esta solitária cigarra não está cantando para atrair um parceiro, não! Seu canto é um ato de resistência. É o "caminhando e cantando" dela. É um hino de protesto contra as cruéis mudanças da natureza que estão separando-a de suas irmãs de espécie.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Confesso que me comovi. Amanhã, se a cigarra solitária ainda estiver lá fora, acho que vou engrossar o movimento e cantar também. Só espero que ela não confunda minhas intenções. Meu canto, como o dela, será apenas de protesto. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-4620839811760603710?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/4620839811760603710/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=4620839811760603710' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/4620839811760603710'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/4620839811760603710'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2009/09/canto-de-resistencia.html' title='Canto de resistência'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-2741661907317167111</id><published>2009-08-19T11:47:00.000-07:00</published><updated>2009-08-19T12:10:37.259-07:00</updated><title type='text'>Permitam-me uma poesia</title><content type='html'>Permitam-me uma poesia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem me doía a garganta&lt;br /&gt;e hoje o nariz&lt;br /&gt;é uma corredeira&lt;br /&gt;que espanta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que dor tanta&lt;br /&gt;não há chá que extirpe&lt;br /&gt;e padece meu eu&lt;br /&gt;da suína gripe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, outra. Esta é de amor. Desculpem:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve um tempo&lt;br /&gt;em que eu era feliz&lt;br /&gt;Ganhava o Flamengo&lt;br /&gt;sem precisar do juiz&lt;br /&gt;O céu era azul&lt;br /&gt;cheio de bem-te-vis&lt;br /&gt;Te olhar pela fechadura&lt;br /&gt;não consegui&lt;br /&gt;mas quis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* A primeira poesia se chama "Gripe a, a gripe."&lt;br /&gt;** A segunda não tem nome ainda.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-2741661907317167111?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/2741661907317167111/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=2741661907317167111' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/2741661907317167111'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/2741661907317167111'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2009/08/permitam-me-uma-poesia.html' title='Permitam-me uma poesia'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-2350687424110279087</id><published>2009-07-28T16:09:00.000-07:00</published><updated>2009-08-11T19:36:35.055-07:00</updated><title type='text'>Crise de representatividade?</title><content type='html'>O país chega cada vez mais perto do fundo do poço e as pessoas não se dão conta. Aliás, a maioria age como se as coisas nunca tivessem corrido tão dentro da normalidade como agora. Mas eu acho (e tenho alguns poucos companheiros que partilham da mesma opinião) que o Brasil e seu projeto de sociedade estão à beira da ruína. Como nunca antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os escândalos na política, geralmente apontados como o maior mal que nos assola, por si sós seriam suficientes para que descrêssemos do futuro. Os motivos para pessimismo, no entanto, vão além. Mais grave é observar que os maus-hábitos dos políticos revelam, na verdade, o esfacelamento de toda a sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A corrupção e o delito são condutas que, entre nós, ganharam status de "coisa normal". A neta do Sarney, quando usa seu ilustre parentesco para arranjar emprego para o namorado no Congresso, até deve desconfiar de que toma uma atitude no mínimo pouco republicana. Mas tem a plena consciência de que seu gesto é absolutamente natural e de que todos (ou quase) no país fariam o mesmo no lugar dela. Nesse ponto, a neta não está longe de ter razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproveitar-se do dinheiro público; burlar a legislação para obter vantagens; pleitear favores com amigos e parentes ocupantes de cargos na máquina administrativa. Consideramos tudo isso normal. Mas não pode ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caráter e dignidade andam em baixa. Perderam espaço para o poderio financeiro. É ele que, antes de mais nada, garante prestígio e reconhecimento entre os cidadãos. Pouco importa a que preço tal poderio foi alcançado. Procuramos o dinheiro com uma sanha quase doentia para depois esbanjá-lo com as necessidades mais primitivas e imediatas. Isso, alguém vai me chamar de romântico, é muito vulgar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Tanta pobreza de espírito tem nos levado aos cúmulos da mediocriodade em todas as áreas, da vida pessoal às artes, passando pela política, por exemplo. O brasileiro é um sujeito tacanho, desinteressado e de mau gosto. O fato de nunca o país ter sido agraciado com um prêmio Nobel - ao contrário de alguns vizinhos sul-americanos - pode significar algo mais do que mero acaso.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas o julgamento geral é de que tudo corre bem e de que somos uma sociedade saudável, apesar de uns problemas aqui e acolá, considerados naturais. E, claro, tem a questão dos políticos, mas eles - raciocina a cabeça do povo - formam um grupo de desvirtuados totalmente dissociado do resto da população. Triste equívoco. Nossos políticos sintetizam com rara perfeição o conjunto do povo que os elege. Por isso, não acredito em crise de representatividade, como tem sido repetido desde que o Congresso começou a afundar na própria lama. A crise é do país. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-2350687424110279087?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/2350687424110279087/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=2350687424110279087' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/2350687424110279087'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/2350687424110279087'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2009/07/crise-de-representatividade.html' title='Crise de representatividade?'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-6863967619926697624</id><published>2009-07-16T18:08:00.000-07:00</published><updated>2009-07-21T12:42:59.570-07:00</updated><title type='text'>Seria engraçado se</title><content type='html'>Seria muito engraçado se descobrissem um manuscrito inédito do Maquiavel, intitulado A Princesa. E, na esteira desse achado, revelações surpreendentes. A Princesa teria sido, na verdade, a obra de estreia do escritor, na época em que ele ainda lutava para ser reconhecido no mundo das letras. Um romance lascivo e cheio de segundas intenções. Em mais de mil páginas – com ilustrações – narra as peripécias de uma jovem herdeira do trono que, graças ao seu fraco por aventuras com a criadagem, é banida da família real; uma vez entre a plebe, adota a vida desregrada com a qual sempre sonhou. O sucesso do livro foi tão estrondoso que deu ao Maquiavel o prestígio e o dinheiro que ele precisava para publicar seu tão sonhado tratado sobre ciência política. Apesar de ser esta última a obra que o eternizou, fontes relatam que, no leito de morte e já sentindo a vida se esvair, Maquiavel repetia entre sussurros para os amigos: “O outro livro é que é o bom. Dele eu não me envergonho. Já essa chatice, peço-vos que queimem todos os exemplares”. Mas os amigos, certamente traídos pela falta de lirismo, interpretaram equivocadamente a frase do moribundo e acabaram queimando a obra errada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, seria engraçado também se o bigode do Sarney fosse postiço e caísse em frente às câmeras bem no dia da renúncia. Imaginem. O senador convoca coletiva no gabinete para anunciar sua saída da presidência da Congresso. Discorda das denúncias, acha tudo descabido, mas pelo bem do Legislativo decidiu se afastar. Faz tudo com muita dignidade e pompa. Mas no ápice do discurso, lhe cai o bigode. Ouve-se de uma repórter que transmitia a coletiva ao vivo: “Atenção, atenção. Alguma coisa acaba de pular do rosto do senador, provavelmente uma taturana.” Duplamente desmascarado, na política e na estética, Sarney simplesmente abaixa a cabeça e começa a chorar. Seus guinchos cortam o coração de todos os presentes. Ele viria chorar muito mais no dia seguinte, ao descobrir que a Fundação Sarney seria fechada por irregularidades na administração e suas atividades passariam para a tutela da Fundação J. Lago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, finalmente, seria muito engraçado, muito mesmo, mas também seria trágico, se eu fosse ao casamento de todas as mulheres bonitas que conheço, porém sempre na condição de convidado. Aliás, é o que se desenha. Uma a uma, num terrível efeito cascata, elas vêm arranjando namorado. Sempre que aparece uma nova compromissada, tenho um amigo que sentencia: “é outra que vamos ver entrar na igreja da perspectiva de quem está sentado”. E olha que esse meu amigo dificilmente erra uma previsão. Se o destino vai ser tão bem-humorado comigo - e tudo indica que vai -, bem que poderia ser também nos dois casos hipotéticos acima. Não custaria nada, e ainda daria motivo para todo mundo rir junto, uns dos outros, o que, afinal, ainda é o melhor remédio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-6863967619926697624?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/6863967619926697624/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=6863967619926697624' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/6863967619926697624'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/6863967619926697624'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2009/07/seria-engracado-se.html' title='Seria engraçado se'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-7935140597040502734</id><published>2009-07-01T16:20:00.000-07:00</published><updated>2009-07-03T12:15:53.829-07:00</updated><title type='text'>Humilde sugestão para os cinemas</title><content type='html'>Hoje em dia ninguém paga inteira no cinema, a não ser, claro, eu e meu amigo Marechal Alegre. Dois notórios zé-manés, vai lembrar alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tragédia é que me falta coragem para falsificar a carteirinha de estudante. Sei que todo mundo falsifica e que ninguém nunca foi nem será preso por causa disso. Mas eu, justo eu, não dou conta. Resultado: pago inteira desde o término faculdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vejo problema em baixar música da internet, furar sinal vermelho de madrugada e fazer barulho depois das 22 horas. Mas acho desagradável cometer certos delitos. Principalmente parar em vaga reservada para deficiente ou idoso, jogar lixo na rua e falsificar a carteirinha. Fico achando que se incorrer num desses deslizes, perco o direito, por exemplo, de me revoltar com os desvios do Congresso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso tenho uma sugestão para os cinemas. Fazer uma promoção para quem paga inteira. Algo no gênero: “pague inteira e ganhe 50% de desconto”. Assim ninguém mais precisaria falsificar a carteirinha e nós pouparíamos os bons cidadãos de se desviarem do bom caminho. Seria muito cívico.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-7935140597040502734?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/7935140597040502734/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=7935140597040502734' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/7935140597040502734'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/7935140597040502734'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2009/07/humilde-sugestao-para-os-cinemas.html' title='Humilde sugestão para os cinemas'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-5189126006952509064</id><published>2009-06-26T12:38:00.000-07:00</published><updated>2009-06-26T13:16:56.373-07:00</updated><title type='text'>Estão ceifando a minha juventude</title><content type='html'>Sexta-feira eu estava passando de carro e vi, num bar lá perto de casa, um monte de gente fantasiada, uns de diabo, outros de anjo. "A batalha pelas nossas almas", pensei. Mas era tudo, na verdade, uma campanha do Detran para educar sobre os riscos do álcool ao volante. Que espirituoso. Aquilo me fez revisitar uma velha tese.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tese de que estão ceifando a minha juventude. Existe um empenho das autoridades de Brasília, quase uma obsessão, em transformar a cidade na capital da ordem absoluta, onde não sobreviva o menor resquício de transgressão ou de agito. É daí que vem, por exemplo, a empulhação do álcool zero. E também a lei seca, que fecha bares e restaurantes à meia-noite em dias de semana e às 2 da madrugada no sábado. Mais: contagiados pela conduta oficial, os cidadãos adotam medidas parecidas em casa. Acham-se cobertos de razão quando reclamam com os vizinhos que ousam fazer uma reuniãozinha que ultrapasse as 22 horas. Brasília se esforça em procurar maneiras de acentuar o próprio marasmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confundem ordem com pasmaceira, rigor com intolerância e, sobretudo, acham que combater o arruaceiro é o mesmo que combater aquele que se diverte. São incapazes de enxergar as nuances que diferenciam um do outro. É a lógica da inspetora de colégio: se as crianças estão se divertindo, é porque alguma estão aprontando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concordo que quem bebe não pode dirigir. Mas o espírito dessas incontáveis blitze que espalham suas arapucas pela cidade não é evitar acidentes de trânsito. Eles até que falam que é, mas não é, não é! (desculpem, me exaltei). O objetivo é aporrinhar quem quer - oh, pecado! - gozar um pouco de entretenimento. Se quisessem mesmo diminuir os acidentes, inventariam também uma maneira de multar quem dirige com sono, ou quem está com pressa de chegar ao trabalho, quem brigou com a namorada e, principalmente, quem carrega uma grávida em trabalho de parto no banco de trás. Dirigir sob essas condições é perigoso também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou exaltado, vão perdoando. É porque, morador de Brasília, sinto que minha juventude está sendo ceifada. As autoridades querem controlar toda a minha vida. Acham que eu não posso ir a uma pizzaria às 2 da manhã, por isso fecham todas as pizzarias. Que eu não posso tomar uma taça de champanhe na casa da minha tia no aniversário dela e depois voltar dirigindo. Que eu não posso conversar debaixo do bloco com os amigos durante a madrugada. O patrulhamento é tão exagerado que mês passado fui parado em duas blitze no intervalo de cinco dias. Se eu fosse bandido, teria sido capturado duas vezes na mesma semana. Mas, que coisa, eu não sou bandido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se os jovens da cidade não tinham uma causa pela qual lutar, aí está ela. Vamos nos bater contra a ingerência do estado policialesco em nossas vidas. A geração passada se orgulha de ter vivido sob a ditadura, tempos de resistência e brios. Pois bem. Em mais nada ficamos a dever agora, já podemos olhar nossos pais nos olhos. Habemus anos de chumbo. Só que essa atual ditadura tem uma sutileza: ela não se importa, como antigamente, em nos privar dos direitos políticos. Sua crueldade vai além. Quer nos privar da juventude.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-5189126006952509064?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/5189126006952509064/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=5189126006952509064' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/5189126006952509064'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/5189126006952509064'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2009/06/estao-ceifando-minha-juventude.html' title='Estão ceifando a minha juventude'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-8445376169696468034</id><published>2009-05-12T17:04:00.000-07:00</published><updated>2009-05-13T22:12:57.988-07:00</updated><title type='text'>A mulher do retrato</title><content type='html'>Largou tudo e resolveu abrir uma barraca na praia (como nas propagandas). Deixou para trás um excelente emprego, imóveis e ações na bolsa. E um passado talvez dolorido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já fazia dez anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na cidadezinha do litoral foi muito bem-recebido. Contratou uma cozinheira que preparava a comida da barraca. Senhora muito popular e, por extensão, fez do patrão um sujeito querido também. Ele não demorou a fazer amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém sabia o motivo que tinha trazido aquele homem para um lugar tão remoto. Desconfiava-se, porém. Atrás do balcão, no alto da parede, ele tinha pendurado o retrato de uma mulher. O retrato ocupava o mesmo lugar há dez anos. Quem chegava à barraca dava de cara com a moldura. Dizia-se na cidade: "aquela foto deve explicar tudo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o dono da barraca não gostava de falar no retrato. Quando algum curioso mencionava o assunto, ele se saía com frases mais ou menos assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vento sul. Amanhã será bom para as ostras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto mistério! Quanta obscuridade! As mais loucas conjecturas iam sendo formuladas. Certo era que se tratava de um amor despedaçado. Mas despedaçado em quais circunstâncias? Trágicas? Banais? Cinematográficas? Essa dúvida é que matava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passaram-se os anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que um dia a mulher do retrato foi vista na praia. Fora uma ruga perto da boca e o cabelo cortado, não tinha mudado praticamente nada. Grande frisson causou aquela aparição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher caminhou em direção à barraca - não podia ser diferente. Todos os olhos a acompanhavam. Quando ela chegou ao balcão, pareceu não notar o retrato. O dono se aproximou. Disse ele:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pois não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ela:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu queria um coco. Tem coco?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Gelado ou natural?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Gelado, se tiver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Silêncio enquanto o homem busca o coco. As pessoas que discretamente chegaram perto para acompanhar o fatídico encontro prendem a respiração. Aguardam algo grandioso para qualquer momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem volta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aqui está. São dois e cinquenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Obrigada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Obrigado você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher dá meia-volta e vai embora. O homem fica limpando uma sujeira no balcão. A cozinheira, completamente aturdida, pergunta quase aos berros:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ela aparece aqui depois desses anos todos e você não faz nada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O patrão agora removia um fiapo de coco da camisa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não era ela. Era a irmã gêmea.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-8445376169696468034?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/8445376169696468034/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=8445376169696468034' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/8445376169696468034'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/8445376169696468034'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2009/05/mulher-do-retrato.html' title='A mulher do retrato'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-7800998553826170399</id><published>2009-04-22T21:33:00.000-07:00</published><updated>2009-04-24T12:52:20.588-07:00</updated><title type='text'>Um registro em meio às trevas</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_nF_mavx34DU/Se_vmLPYSdI/AAAAAAAAAFY/Um9PaT44yUY/s1600-h/candle-in-the-dark1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5327740323333949906" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 134px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_nF_mavx34DU/Se_vmLPYSdI/AAAAAAAAAFY/Um9PaT44yUY/s200/candle-in-the-dark1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Por obra do imponderável e de uma reforma aqui em casa, tive que escrever meus textos à luz de velas nesta madrugada, como pode ficar comprovado na foto acima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Se vissem passar um morcego pela minha janela, diriam: ali está Byron trabalhando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Se ouvissem uma sequência de tosses: Álvares de Azevedo voltou da taverna. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-7800998553826170399?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/7800998553826170399/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=7800998553826170399' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/7800998553826170399'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/7800998553826170399'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2009/04/um-registro-em-meio-as-trevas.html' title='Um registro em meio às trevas'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_nF_mavx34DU/Se_vmLPYSdI/AAAAAAAAAFY/Um9PaT44yUY/s72-c/candle-in-the-dark1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-4540499325416452992</id><published>2009-04-21T17:13:00.000-07:00</published><updated>2009-04-23T12:53:09.624-07:00</updated><title type='text'>Meio ogro, meio pássaro</title><content type='html'>A esta altura metade do planeta já deve ter assistido ao vídeo da Susan Boyle. Não é pra menos. Eu mesmo nunca vi nada mais bonito na minha vida. Quando Susan - a escosa feia, gorda, desempregada, de 47 anos e virgem - sobe ao palco, a gente fica com a impressão de que está diante de um equívoco da natureza. Mas basta ela cantar a primeira nota para nos darmos conta exatamente do contrário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem que a Demi Moore chora ao ver o vídeo. Acontece o mesmo com a minha tia Cândida. Eu ainda não cheguei a esse ponto, o que de modo algum diminui o valor da Susan.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que tanta gente se emociona com ela? Acho que a Susan, sem querer, nos poucos minutos de sua perfomance, escancarou três contradições chocantes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A contradição social: por mais que a sociedade se julgue avançada e esclarecida, ainda condena os indivíduos baseada exclusivamente na aparência. Foi o que os jurados do programa e também todo o auditório perceberam na hora. Por isso ficaram entre constrangidos e maravilhados diante do que viam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A contradição da natureza: como uma voz daquela foi parar num corpo daquele? O que passa na cabeça da entidade que determina esse tipo de coisa? Estamos à mercê de um deus traquinas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A contradição da alma: a própria Susan demorou 47 anos para confiar no seu talento. No fundo, nem ela acreditava no que era capaz. É bem provável que se olhasse no espelho durante esses anos todos e pensasse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não é possível que esta voz esteja saindo daqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Susan é um alento para todos que olham para o espelho com descrença. Num vídeo de cinco minutos, consegue dar sentido para milhões de vidas desesperadas. Isso a coloca quase como uma santa. E está finalmente explicado por que Susan nunca se casou e vive sozinha com um gato, o mr. Peebles: não existem homens à altura dela.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;(não quero dizer com isso que mr. Peebles seja alguém exepcional) &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=xRbYtxHayXo"&gt;www.youtube.com/watch?v=xRbYtxHayXo&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-4540499325416452992?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/4540499325416452992/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=4540499325416452992' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/4540499325416452992'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/4540499325416452992'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2009/04/meio-ogro-meio-passaro.html' title='Meio ogro, meio pássaro'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-4719679266171452579</id><published>2009-03-26T17:40:00.000-07:00</published><updated>2009-03-31T12:23:09.677-07:00</updated><title type='text'>"Redima nosso clã"</title><content type='html'>Muita atenção para a história a seguir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ano era mais ou menos 1965. Tempos loucos, aqueles. Minha tia Cândida, então uma doce menininha, morava numa típica cidade do interior goiano. Ao que tudo indica era um lugar bem agradável e até mesmo próspero para os padrões da época. Chamava-se Buriti Alegre, ou coisa parecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa tia Cândida tinha um hábito: brincar no quintal da casa da avó. Ela não precisava de mais nada, completava-se brincando com suas bonecas. Era a satisfação suprema para aquela alma ingênua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas infelizmente a pobrezinha não tinha sossego. Porque era só pisar os pés no quintal que o filho do vizinho resolvia alvejá-la com grãos de milho. Aquilo, segundo me disseram, machucava muito a minha tia, tanto no corpo quanto na alma. Ela chegava a chorar abraçada às bonecas. E era aí que o moleque jogava mais milho e com mais força.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evidentemente ele estava, com todo ardor de seu coração juvenil, gostando da pequena Cândida. É que as crianças, e também os adultos, quando querem fazer uma coisa às vezes acabam fazendo outra, completamente oposta. E jogam milho em uma pessoa que, no fundo, gostariam de tratar bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durou muito tempo aquela situação. Não é exagero nenhum dizer que a frágil tia Cândida viveu dias de Faixa de Gaza no quintal da avó, sempre sob intenso bombardeio. Os adultos preferiam não interferir naquilo que eles, com toda sua vivência, sabiam ser nada mais que parte do jogo social entre duas criaturas recém-inseridas no complexo mundo. A avó de Cândida, quando a cena toda começava, limitava-se a dizer apenas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Esse Lubinho é um garoto encapetado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha tia nunca correspondeu às investidas de seu pretendente, ao contrário, começou a andar com um outro rapazinho muito mais sensível e que, tão logo soube daquela situação, lhe deu de presente um guarda-chuva. Cessaram os grãos de milho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O curioso é que Lubinho ficou famoso anos mais tarde, já sob seu verdadeiro nome, que é Delúbio Soares. Todos sabemos o quanto ele desempenhou um papel central na política brasileira recentemente. Mas agora ficou mais fácil de entender alguns de seus atos menos probos e até mesmo de perdoá-lo. Porque não é fácil ser rejeitado da forma como ele foi logo no primeiro amor. Por mais que a gente tente esquecer, são feridas que nos atormentam para sempre, e nos levam a atitudes que, não fosse a profunda desventura, nunca cometeríamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O leitor tem, portanto, todo direito de imputar à minha família uma parcela da culpa pela recente derrocada da política brasileira. É um fardo que cabe ao meu DNA carregar. A própria tia Cândida, ela mesma uma grande patriota, não se conforma com o mal que fez ao país e toma remédio para os nervos toda noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até outro dia eu não conhecia esta história. Ela me foi contada por um parente centenário, no seu leito de morte. Ele ficou sabendo que eu tinha um blog e pensou que revelar a verdade para o grande público seria uma maneira de aliviar um pouco o estrago que a família causou. Disse-me o moribundo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Redima nosso clã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então assumi o compromisso de relatar aqui o caso tal qual ele me foi dito. E prometi que meus filhos fariam o mesmo quando eles tivessem um blog, e também os filhos deles, e os filhos dos filhos deles. É o mínimo que podemos oferecer para nos reconciliar com a pátria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdão, Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S.: o parente centenário que me contou tudo isso no leito de morte milagrosamente curou-se da doença. Foi uma felicidade geral e um tapa na medicina, que já o supunha entre os defuntos. Na última festa de família ele me chamou num canto e disse que a história, na verdade, foi toda inventada, fruto de sua imaginação brincalhona e de um antibiótico meio estranho que o médico lhe dera no hospital. Mas era uma trama tão boa que eu não podia simplesmente descartá-la. E, além do mais, a vida não é feita só daquilo que de fato aconteceu; mas, principalmente, do que poderia ter acontecido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-4719679266171452579?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/4719679266171452579/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=4719679266171452579' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/4719679266171452579'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/4719679266171452579'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2009/03/um-drama-de-familia.html' title='&quot;Redima nosso clã&quot;'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-2028594258401554956</id><published>2009-03-13T13:48:00.001-07:00</published><updated>2009-03-15T06:01:57.296-07:00</updated><title type='text'>Um pequeno (mas valoroso) conto de terror</title><content type='html'>Duas sextas-feiras 13 consecutivas, uma em fevereiro, outra em março... Que coisa sinistra. Algo de muito sombrio se passa com o mundo. Isso me faz lembrar uma situação que aconteceu comigo no ano passado:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tinha acabado de acordar, era uma manhã como outra qualquer. Mas assim que cheguei ao banheiro, para as abluções matinais, dei de cara com o sobrenatural: no espelho estava escrito, em letras grandes e escarlates: "É HOJE"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu Deus! - eu pensei. É hoje o quê? O dia de minha morte? E eu nem tenho um epitáfio ainda! Não vai dar tempo de me despedir de todas as pessoas que eu conheço - apesar de não conhecer muitas. E os filhos que eu não tive? A esposa que nunca amei? O Flamengo que não vi ganhar título importante? Etc.,etc.,etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então comecei a relembrar toda minha vida. Fiquei realmente atordoado. Saí de casa para o trabalho prestando atenção em cada pessoa e em cada canto escuro, porque, afinal, "é hoje". A qualquer momento poderia acontecer alguma coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi um dia difícil. Mas lá pelas tantas eu pensei: " e se hoje for, na verdade, o meu dia de sorte? O dia que vai transformar minha vida normal numa existência brilhante? Talvez seja esse o recado do espelho". Resolvi jogar no bicho. Apostei no peru. Fiquei sabendo semanas depois que tinha dado borboleta - o extremo oposto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E também não custava nada deixar uma mensagem na caixa-postal de metade das colegas do escritório. "É hoje".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o dia já estava terminando e nada de surpreendente tinha acontecido. Emoção reservada para as últimas horas, eu já deveria saber. Na volta para casa fui a pé, para respirar melhor o ar da noite. Houvesse o que eu houvesse, eu precisava estar preparado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentei na cama e esperei o destino se revelar diante de mim. Longas horas. No fundo eu esperava que caísse um raio na cozinha ou que alguém rompesse a porta e entrasse no apartamento trazendo a boa nova. Sabe-se lá os métodos de que se vale o sobrenatural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deu a meia-noite. E nada do grande fato aparecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na manhã seguinte, quando acordei, fui para o banheiro. No mesmo espelho e com as mesmas letras escarlates da véspera, agora aparecia escrito, para meu completo desespero:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"FOI ONTEM".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-2028594258401554956?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/2028594258401554956/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=2028594258401554956' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/2028594258401554956'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/2028594258401554956'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2009/03/um-pequeno-mas-valoroso-conto-de-terror.html' title='Um pequeno (mas valoroso) conto de terror'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-7580252875787506762</id><published>2009-03-03T20:55:00.000-08:00</published><updated>2009-03-04T12:43:45.146-08:00</updated><title type='text'>Curiosidades</title><content type='html'>Fato era uma cidade do antigo império romano, distante da capital não mais de 500 milhas, muito famosa pelas suas excelentes estradas. Não havia em todo o mundo conhecido vias tão largas e bem pavimentadas como aquelas. Por isso, todo viajante fazia questão de dirigir sua biga por Fato. O único problema era que o caminho até as estradas da cidade era bastante complicado. E as pessoas ficavam tão nervosas quando não conseguiam chegar ao destino que acabavam brigando feio umas com as outras. Era cena comum naquela época ver um pedestre tentando acalmar discussões ferozes entre dois viajantes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aonde vocês querem chegar com isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Às vias de Fato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A expressão acabou pegando e nós a usamos até os dias de hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra expressão curiosa que herdamos da antiguidade remonta à cidade grega de Esparta. Lá, por volta de 342 A.C., morava um fabricante de instrumentos musicais conhecido como Falópio. Era um senhor muito bondoso - como geralmente são aqueles ligados à música -, que ajudava as mães desesperadas a evitar que seus bebezinhos fossem descartados no abismo dos enjeitados. Sabemos que em Esparta os recém-nascidos considerados não aptos para servir à nação eram jogados fora. Mas esse bom senhor escondia os bebês dentro dos instrumentos de sua fábrica, longe dos olhos das autoridades, e cuidava deles até que tivessem idade para voltar para casa. Não raro, na Esparta daquela época, uma senhora respeitável perguntava para outra:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- De onde saiu o seu filho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Das trompas de Falópio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-7580252875787506762?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/7580252875787506762/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=7580252875787506762' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/7580252875787506762'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/7580252875787506762'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2009/03/curiosidades.html' title='Curiosidades'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-2955551766512179526</id><published>2009-03-01T18:43:00.001-08:00</published><updated>2009-03-03T20:51:44.086-08:00</updated><title type='text'>Reflexões</title><content type='html'>Tive um carnaval inquietante do ponto de vista intelectual. Questões seríssimas passaram pela minha cabeça, como, por exemplo, a importância do Lula ter jogado camisinhas para os súditos na Sapucaí. Ali o Brasil adicionou um terceiro elemento - não sei bem qual - ao antigo binômio pão e circo, criando assim as bases em que deve se sustentar a política no século XXI. Ser brasileiro, atualmente, é andar na vanguarda da História.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas isso não foi o que mais me impressionou. Calou fundo em minh'alma uma conversa que tive com um bom amigo enquanto víamos as escolas de samba se sucederem na tv. Falávamos do fim do mundo, evento que, pela sua proximidade, tem nos assustado bastante. Eis o que dissemos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vai salame?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, valeu. Eu quero aquele queijo kozlowski. Você não para de falar nele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Kozlowski é a moça que tá narrando o desfile. Queijo só tem minas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Opa! Perdão a todos, selecionaram o trecho errado da conversa. Foi o meu estagiário. Já pensei em demitir o rapaz, mas com essa crise solapando a economia não pegaria bem. Ia parecer anti-patriótico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora sim, a parte certa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Rapaz, o mundo está acabando. Disso eu não tenho mais dúvidas. A camada de ozônio, o efeito estufa, o aquecimento global, o derretimento das geleiras...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É verdade. Mas sabe o que seria pior? Se o mundo se tornasse um local completamente inóspito, desagradável, feio, mas não acabasse por completo. Restariam só as ruínas do que um dia foi o planeta, só a carcaça, entende? A humanidade teria que se acostumar a habitar um deserto pós-apocalipse. Imagine, rapaz!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Taí. Acho que num primeiro momento é isso o que vai acontecer. Outro dia eu tava lendo num livro que a temperatura na Terra vai ficar tão quente e os raios solares tão intensos que a humanidade vai ter que passar a viver em cavernas durante o dia, para se proteger. A gente se tornaria seres de hábitos noturnos, tipo as toupeiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Claro, é isso mesmo. E com o tempo nossas características físicas iriam sofrer profundas modificações. Por exemplo, nossos olhos se acostumariam a enxergar na escuridão, mas ficariam completamente cegos na claridade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E ninguém mais teria aquela marca branca deixada pela sunga ou pelo biquini, porque nossa pele se tornaria extremamente pálida sem o contato com a luz do dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que coisa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E as pessoas, quando quiserem se referir a alguém muito velho, dirão: "fulano é da época do glúteo branco". Não é assustador?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meio dessas reflexões, começou o desfile do Salgueiro. Notamos que a Viviane Araújo não apresentava marcas de biquini. Teria o fim do mundo já começado pelos lados do Rio de Janeiro? É o que tudo indica.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-2955551766512179526?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/2955551766512179526/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=2955551766512179526' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/2955551766512179526'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/2955551766512179526'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2009/03/saudosos-tempos-dos-gluteos-brancos.html' title='Reflexões'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-3492994276570997733</id><published>2009-02-18T13:21:00.001-08:00</published><updated>2009-02-18T15:21:35.046-08:00</updated><title type='text'>Lições de carnaval</title><content type='html'>Não é por ser carnaval que qualquer cantada barata vai surtir efeito. Vejamos, por exemplo, o seguinte caso:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Ala-la-ôo ôo ôo ôo ô, mas que calor ôo ôo ôo ôo ô...."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sabia que você fica excelente nessa fantasia de doninha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quê? Fala mais alto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você fica excelente nessa fantasia de doninha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não é de doninha. É da Dilma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não importa. Você fica excelente nela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como não importa? Você elogia a minha fantasia, mas nem sabe do que estou vestida? Que papinho picareta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Calma, calma, não é isso. É que pelo ângulo que eu olhei... e essa luz também não ajuda... ainda mais com meu tapa-olho de pirata. Bom, pareceu uma doninha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sabe por que você não reparou direito na fantasia? Porque você não está nem aí pra ela. Pra homens como você pouco importa se eu estou fantasiada disso ou daquilo. Vocês querem é me ver sem fantasia nenhuma! É isso! E me vem com historinha de " fica excelente desse jeito, fica linda vestida assim, pá, pá, pá..." Faça-me o favor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Ala-la-ôo ôo ôo ôo ô, mas que calor ôo ôo ôo ôo ô...."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas horas depois:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Moça, peraí! Eu estive observando durante a festa toda. Por que os bigodes e o rabo na sua fantasia? Que eu saiba a Dilm....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Bebeu água? Tá com sede? Olha, olha, olha a água mineral..."&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-3492994276570997733?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/3492994276570997733/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=3492994276570997733' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/3492994276570997733'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/3492994276570997733'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2009/02/era-mesmo-uma-doninha.html' title='Lições de carnaval'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-2461266698839060715</id><published>2009-02-09T16:11:00.000-08:00</published><updated>2009-02-10T10:41:03.897-08:00</updated><title type='text'>Notícias do château</title><content type='html'>Acho que mais de uma vez já expus aqui minha proximidade afetiva com a Idade Média. Princesas, masmorras, dragões, duelos, essas belezas todas. Portanto, não vai causar espanto a carta que um colega do clube dos duzentistas me remeteu outro dia. Diz ele:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;" Caro confrade, boas notícias! Acredita que consegui um emprego? Por si só já era fato de se comemorar, porque com essa crise financeira é mais fácil perder o trabalho do que arranjar um. Mas a minha sorte vai além. Pasme: fui contratado para servir num castelo! Inacreditável, não? Um castelo como nos bons tempos do medievo, com suas várias torres e aléias, masmorras, pátios, ponte elevadiça, passagens secretas, arqueiros nas muradas, etc. Tem inclusive um corcunda responsável por repicar os sinos de hora em hora. Parece o século XIII - é tudo com o que nosso clube dos duzentistas sempre sonhou. E eu nem sabia que havia castelos no Brasil. Se houve alguém com bom gosto o bastante para erguer uma maravilha dessas, acredite, há esperanças para o nosso tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha função aqui não poderia ser mais nobre. Ocupo o cargo de bobo da corte. Quando vesti a fantasia pela primeira vez e me olhei no espelho mal pude conter as lágrimas. Aposto que não estava devendo em nada para os melhores bobos dos salões de Pepino, o Breve. É verdade que nem preciso me esforçar muito no trabalho. O patrão ri o tempo todo, mesmo das piadas sem graça. Ele ri para as paredes, ri quando almoça, ri quando está dormindo. Não sei de onde vem tanto contentamento. É um sujeito muito alegre, além de visionário. Outro dia, quando nos encontramos na travessa do corredor Renoir com a Alameda da Vinci, perguntei o que ele achava do mercado de bobos da corte no Brasil. O patrão respondeu que nunca viu um país com uma mão-de-obra tão qualificada nesse setor. E que eu era um dos mais promissores da classe. Homem divertido e visionário, como eu disse. Despediu-se com uma de suas eternas risadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só lamento que o castelo tenha sido colocado à venda.É uma pena, porque um proprietário como o atual vai ser difícil de encontrar. Homens da estirpe dele são raros no mundo, quanto mais no Brasil. Lordes, meu amigo, lordes. Se nosso país tivesse uma meia dúzia de cavalheiros assim, estaríamos em outra situação - tanto culturalmente quanto socialmente. Escreva o que estou dizendo: você ainda vai ouvir falar no patrão, ah vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saudações de seu confrade,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o Bobo"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-2461266698839060715?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/2461266698839060715/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=2461266698839060715' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/2461266698839060715'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/2461266698839060715'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2009/02/noticias-do-chateau.html' title='Notícias do château'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-3890937048243817979</id><published>2009-02-03T16:05:00.001-08:00</published><updated>2009-02-03T16:18:21.220-08:00</updated><title type='text'>Icebergs</title><content type='html'>No final de semana assisti ao "Foi apenas um sonho", o filme que reuniu o Leonardo DiCaprio e a Kate Winslet doze anos depois de Titanic. Gostei do que vi e fico sem entender por que não o indicaram ao Oscar. (É melhor que "o Curioso caso de Benjamin Button", por exemplo). Mas talvez minha opinião seja um pouco passional. É que já fui ao cinema predisposto a gostar do filme. Eu tinha a impressão de que ele refletiria literalmente os meus pensamentos sobre um tema que vira e mexe discuto em rodas acaloradas: o casamento. Impressão mais que confirmada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está tudo ali, no "foi apenas um sonho". Não perco mais tempo tentando convencer quem quer que seja das minhas posições sobre a vida conjugal. Vou carregar um dvd do filme e, provocado, direi apenas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Assista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém pode achar que o casal do filme é problemático demais e não serve de parâmetro para análise. Mas no fundo todo casamento carrega em si um certo nível de decadência - uns muito, outros menos, depende do caso. Quantas pessoas não conhecemos que enquanto solteiras são divertidas, dispostas, aventureiras e depois que casam perdem, digamos, a graça? Gente que tinha sonhos, mil planos na cabeça e, de uma hora para outra, se conforma com a vida como ela é? Há casais que fingem não perceber que a união conjugal poda as potencialidades de cada um - esses são os felizes, ao menos na aparência, e são representados no filme pelos vizinhos dos protagonistas. Outros, como os personagens de DICaprio e Winslet, não suportam a mediocridade em que se veem e explodem, a ponto de tomarem nojo um do outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais assustador do filme é que tanto marido quanto mulher, na juventude, se achavam especiais, dotados de talentos artísticos e donos de um futuro brilhante; e pouco a pouco percebem que são tão ordinários quanto os vizinhos ou os colegas do trabalho, gente sem graça. Isso provavelmente vai acontecer com a maioria de nós. Aí entra outro ponto que sempre me incomodou: a minha mediocridade eu posso até aguentar sozinho, mas dividi-la com outra pessoa deve ser insuportável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E talvez tenha sido uma ironia proposital chamar exatamente o Leonardo DiCaprio e a Kate Winslet para fazer o casal em crise. Justo eles que passaram para a história do cinema com seu amor juvenil e inabalável em Titanic. Naquela ocasião, os personagens se inclinavam na proa do navio para encarar o Atlântico de frente e se auto-proclamarem os donos do mundo. Em "Foi apenas um sonho", a euforia dá lugar à desilusão. Em comum, os dois filmes têm um iceberg que se interpõe entre os amantes e a felicidade eterna. No primeiro, o iceberg é real, feito de gelo. No segundo, é uma invenção meio insana das pessoas e atende pelo nome de matrimônio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-3890937048243817979?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/3890937048243817979/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=3890937048243817979' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/3890937048243817979'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/3890937048243817979'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2009/02/icebergs.html' title='Icebergs'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-4213846807103997368</id><published>2009-01-10T17:02:00.000-08:00</published><updated>2009-01-12T15:13:42.103-08:00</updated><title type='text'>A filosofia do 'senta e rema'.</title><content type='html'>Vou abrir os trabalhos do ano compartilhando um ensinamento aqui no site. Palavras de luz e sabedoria que vão mudar o seu modo de encarar a vida. É a minha mui humilde contribuição para 2009.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conta a lenda que um dia um jovem rapaz chegou para a sua primeira aula de caiaque. Ele estava, naturalmente, nervoso, como todos nós costumamos ficar quando vamos fazer alguma coisa pela primeira vez. Afligiam a cabeça do mancebo questões do tipo: será que vou dar conta? eu posso virar o barco! eu posso me afogar! eu posso perder a direção e bater no caiaque de outro aluno! ou pior, perder a direção e bater no caiaque de uma aluna! etc, etc, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi nesse estado mental que ele se apresentou ao professor. O mestre, que era um chinês (logo se verá que não por acaso), empurrou tranquilamente o caiaque na direção do rapaz. Este, mal disfarçando a aflição, perguntou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como eu faço?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao que o professor respondeu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Senta e rema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma luz iluminou a mente do jovem, de dentro para fora e também de fora para dentro. De repente, tudo o que parecia nebuloso e difuso em sua vida tornou-se claro como a água sob o casco do seu caiaque. O impossível já não assustava. E o monstro, que era viver, poderia ser vencido. Dali em diante, o rapaz, que transformou o 'Senta e Rema' no seu Pai Nosso, nunca mais se perguntou: "o que eu faço agora?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E você, leitor, continua perdendo tempo com obstáculos criados pela mente, amarras impostas por você mesmo? Aceite de presente o 'Senta e Rema". Não precisa agradecer. Verá como ele se aplica a todas as situações da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mãe, estou grávida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Senta e rema. ( O que significa o seguinte: então aguarde nove meses e evite os bailes funk. Até lá, procure comprar um berço e não se esqueça do pré-natal. Fazer o quê?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou ainda:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não-sei-quem não me ama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Senta e rema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Preciso tomar jeito na vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Senta e Rema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E finalmente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Será que.. Não sei se... E se... Talvez seja melhor....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Senta e rema, dirá o sábio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O 'Senta e Rema' é a carta de alforria do cidadão moderno. Ou melhor, carta de euforia. A vida encarada sem complicações, culpas, ou medos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora voltando ao rapaz da aula de caiaque. Naquele dia ele entrou na água repleto de confiança, cheio de poder e auto-estima. Nada poderia detê-lo, nem mesmo o próprio Netuno e suas artimanhas marinhas. Por isso mesmo ele ficou inconsolável quando virou o caiaque logo no primeiro minuto. E mais ainda quando não conseguiu desvirá-lo e teve que testemunhar, lentamente, o naufrágio da embarcação. Os demais alunos, que singravam o lago em plena harmonia com seus caiaques, como se formassem uma unidade com o equipamento, centauros das águas, olhavam com desprezo para aquela vergonha náutica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Derrotado, humilhado, ofendido no orgulho, o jovem voltou à margem, onde encontrou o professor chinês colhendo peônias. Coberto de tristeza, perguntou ao mestre:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E agora?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já sabemos qual foi a resposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S.: uma observação linguística. Na verdade o mestre chinês dizia "Senta e Lema", mas para não prejudicar o entendimento global de tão sutil filosofia preferimos adotar a grafia em português original. Nada tendo esse fato a ver com o novo acordo ortográfico. N. do T.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-4213846807103997368?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/4213846807103997368/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=4213846807103997368' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/4213846807103997368'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/4213846807103997368'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2009/01/filosofia-do-senta-e-rema.html' title='A filosofia do &apos;senta e rema&apos;.'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-2402894674261880795</id><published>2008-12-24T14:20:00.001-08:00</published><updated>2009-02-03T17:27:08.184-08:00</updated><title type='text'>Lapônia que não me sai do pensamento</title><content type='html'>A noite de natal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você vai estar encurralado, em qualquer canto da casa. O melhor, nessas horas, é assumir seu melhor ar de distraído, quase apaspalhado, e, o mais importante, não encarar ninguém diretamente nos olhos. Mesmo assim, as chances de escapatória são praticamente nulas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma tia velha vai te achar, ainda que você tenha se camuflado no canto escuro e insalubre do jardim. Ela vai te achar e vai te fazer perguntas que você não gostaria de responder nem numa confissão ao papa. Inexoravelmente, ela vai te perguntar onde está sua namorada que ainda não chegou para a ceia. E você será obrigado a responder que não, não tem namorada nenhuma. Ou então esta clássica: "seu emprego tem pagado bem? É que lá em Campo Grande quem trabalha na sua área reclama bastante dos salários". E então você, mais uma vez, se não quiser ser desmascarado pela sua mãe mais tarde, vai ter que responder a dura verdade: não tenho emprego algum, quanto mais salário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso sem falar nos primos bem-sucedidos. Até ontem eles jogavam futebol na rua com você. Mas agora o carro importado e a loiraça que eles exibem o tempo todo durante a ceia os tornam importantes demais para perder tempo falando com os parentes derrotados. Se você quiser, entre na fila para admirar os bancos de couro e a marcha automática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem ainda o tio sabido que vai passar o tempo inteiro dissertando sobre a crise financeira e as terríveis consequências para o Brasil, essa potência do mundo emergente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por isso que o Papai Noel deixa os presentes, mas nunca fica para a festa. Ele sabe o que teria que aguentar. Terminado o serviço, o velho sábio volta correndo para a Lapônia. A Lapônia das imensidões brancas e solitárias. Onde um indivíduo pode passar semanas, meses até, sem encontrar uma pessoa sequer. Onde os pensamentos têm eco. Onde as dores são remoídas até a última lágrima e as alegrias se misturam ao infinito. Onde chega uma hora em que, graças à neve que cai, não se sabe onde termina o céu e começa o chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E principalmente: onde todo dia é noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Lapônia qualquer um vira poeta. Qualquer decepção é motivo suficiente para descrer eternamente da vida e qualquer tristeza vem acompanhada de lágrimas que, tão logo brotam, já viram gelo. Gelo escorrendo pelas maçãs do rosto. Não consigo pensar em beleza maior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, enquanto estiver destrinchando minha coxa de peru, quem olhar para mim verá alguém presente apenas de corpo. A alma estará longe, voando pelas estepes gélidas da Escandinávia. E quando a tia velha perguntar, pela décima vez, por onde anda minha namorada que não chega para a ceia, não hesitarei em responder:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Na Lapônia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não será uma total mentira. A não ser pelo fato de que estarei me referindo não a uma moça de carne e osso, mas a um ideal feito de neve e vazio. Papai Noel, bota a rena no espeto: o senhor pode ter visita em breve.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-2402894674261880795?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/2402894674261880795/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=2402894674261880795' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/2402894674261880795'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/2402894674261880795'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2008/12/lapnia-que-no-me-sai-do-pensamento.html' title='Lapônia que não me sai do pensamento'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-7034337201998499855</id><published>2008-12-17T17:47:00.000-08:00</published><updated>2008-12-17T19:29:01.293-08:00</updated><title type='text'>Um vôo para a história</title><content type='html'>Enquanto cortava o ar, num vôo rasante a centímetros da orelha de George Bush, o sapato do jornalista iraquiano deixava um pé anônimo para tomar seu lugar de honra na história da humanidade. A saga dos homens na Terra se divide em antes do sapato e depois dele. A.S. , D.S.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maioria ainda não assimilou a real importância da sapatada. Natural, grandes acontecimentos turvam a visão, justamente pelo seu tamanho descomunal. Mas quando a poeira das primeiras emoções baixar e as análises migrarem do terreno da piada para o da razão, perceberemos que o gesto do tal jornalista inaugurou uma nova era política e social. A Era da Impotência Esclarecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse novo momento (ou momentum) pelo qual passa a humanidade se caracteriza pela absoluta falta de instrumentos de protesto à disposição do cidadão comum. Vivemos num regime onde as vozes são muito mais sufocadas do que nas sanguinolentas ditaduras do passado.Hoje a repressão é sutil e, por isso, mais eficiente. Desde pequenos somos envolvidos numa intrincada teia de valores sociais, medos e preconceitos que vão nos reger a vida inteira. Em poucas palavras, somos domesticados. Diante dos desmandos e excessos dos poderosos, não somos capazes de erguer um só dedo, tomados que estamos pela inércia dos costumes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os meios pelos quais o povo se fazia ouvir foram se atrofiando, porque ninguém mais quis usá-los. Hoje, pensar em trincheiras é praticamente impossível. Assim como pensar em grandes passeatas, greves estrondosas, piquetes, tomadas de prédios públicos, derrubadas de prédios públicos, prisões de governantes, prisões dos parentes dos governantes. Tudo isso morreu. O que nos resta? O que sobra para um cidadão indignado? Confiar na mídia, que não o representa? Apostar suas esperanças em eleições de fachada? Não. O que lhe resta é atirar o seu sapato. Ele sabe que não vai adiantar nada. Mas pelo menos tentou reavivar a velha chama. Tal é um Impotente Esclarecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo toma tons cada vez mais sombrios. A imagem do sapato, em pleno vôo, é o extertor de uma humanidade que padece dos próprios vícios. Seu último e desesperado suspiro. Mas talvez fosse dessa rajada de ar que o corpo quase entregue precisasse para se reerguer. A sapatada pode ter errado a cabeça de Bush, no entanto, se tiver acertado o coração das pessoas - como atingiu o meu-, terá cumprido seu objetivo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-7034337201998499855?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/7034337201998499855/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=7034337201998499855' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/7034337201998499855'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/7034337201998499855'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2008/12/um-vo-para-histria.html' title='Um vôo para a história'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-5987886619960122461</id><published>2008-12-10T05:16:00.000-08:00</published><updated>2008-12-10T19:38:02.596-08:00</updated><title type='text'>O caminhoneiro dentro de nós</title><content type='html'>As pessoas continuam não sabendo o que fazer da própria vida. Tomam suas decisões baseadas mais em imposições sociais do que na vontade individual. Se dessem maior atenção ao que realmente sentem necessidade de fazer, importando-se menos com o que vão pensar familiares, amigos e demais indivíduos ao redor, grande parte de suas frustrações estariam resolvidas. E os livros de auto-ajuda iriam, ao lado dos divãs, para o purgatório dos utensílios obsoletos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O casamento é um bom exemplo de atitudes que as pessoas tomam levadas pela inércia dos costumes. Chega uma idade em que é estranho a moça ou rapaz permanecerem solteiros. A família faz pressão, os amigos também, mesmo que em tom de brincadeira. O próprio solteirão sente-se em débito consigo, como se estivesse quebrando alguma regra sagrada. Procura o casamento como alguém que deseja quitar uma dívida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Semana passada o IBGE mostrou que um em cada três e meio casamentos no Brasil acaba em divórcio. É porque se trata de uma instiutição falida, incompatível com século XXI? Não, é porque as pessoas erram ao escolher o par. E, tarde demais, descobrem que se juntaram a alguém muito diferente daquilo que tinham imaginado. Fazem a escolha de forma precipitada, levadas pelo o que elas acham que é amor, mas que no fundo pode ser imposição do meio social, conveniência, necessidade de "endireitar-se na vida". Daí resultam as uniões cada vez mais frágeis e efêmeras, tão comuns aos nossos dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fundo, qual é o problema em demorar um pouco para casar, ou não casar nunca? Qual é o problema de não querer fazer uma faculdade, de não querer ter emprego fixo, de não querer ter filhos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas procuram ter uma vida normal, igual a de todo o mundo, ninguém quer parecer uma aberração social. Estudar, arranjar emprego, ter filhos, criá-los, para que então eles possam repetir esses mesmos passos e também os filhos deles, e os netos. A busca é por uma rotina pacata e devidamente controlada, sem espaço para contratempos ou imprevistos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é que isso vai contra uma das necessidades mais elementares do espírito humano, que é viver aventuras. Na história da humanidade essa necessidade está sempre presente, seja na conquista dos oceanos, nas guerras ou nas descobertas científicas . Não há como negá-la. Na alma do burocrata encarcerado duplamente, no escritório e no paletó, grita um caminhoneiro que diz: "deixe tudo para trás, entre numa boléia e percorra o país de norte a sul. Tenha uma amante em cada posto de estrada, brigue a faca com ladrões na divisa do Mato Grosso com Rondônia, e, caso sobreviva, atole na Belém-Brasília. Em suma, seja feliz."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É essa voz que a gente se esforça para sufocar, dia após dia, em nossas rotinas cinzentas e programadas. Mas eu não vou deixar morrer o caminhoneiro dentro de mim e convido o leitor a fazer o mesmo. Afinal, " a vida é curta. Curta." (este último pensamento, do qual se desconhece o autor, foi extraído da traseira de um scania - já estou entrando no clima).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-5987886619960122461?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/5987886619960122461/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=5987886619960122461' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/5987886619960122461'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/5987886619960122461'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2008/12/o-caminhoneiro-dentro-de-ns.html' title='O caminhoneiro dentro de nós'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-6370729024547189939</id><published>2008-11-14T18:50:00.001-08:00</published><updated>2008-11-15T07:30:34.286-08:00</updated><title type='text'>O rapsodo feliz</title><content type='html'>Hoje ninguém mais lembra de uma velha construção que ficava no extremo norte da cidade. Há 30 anos ela deixou de existir. No seu lugar construíram primeiro um cinema, depois nada e finalmente uma igreja. Do cinema ainda restaram uns poucos que se recordam, do terreno baldio também. Mas o antigo edifício, podemos afirmar com toda certeza, foi completamente esquecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era um prédio ao estilo barroco. Ficava no final de uma rua que, de tão mal-iluminada, obrigava o passante a, de noite, caminhar tateando os muros se não quisesse tropeçar e cair. Talvez por isso fosse uma rua bem pouco freqüentada. A verdade é que se contavam histórias muito terríveis daquelas vizinhanças e seria surpreendente alguém resolver passear por ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem se aventurasse, no entanto, encontraria o velho prédio. Os andares superiores, que eram três, ficavam sempre vazios. No térreo funcionava uma taverna. Pendurada à porta havia uma tabuleta dos tempos do Império na qual estava escrito: "o rapsodo feliz".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá dentro ficava o pequeno salão, com umas poucas mesas e um balcão no fundo. Os clientes eram sempre os mesmos, eu estava entre eles. Bebíamos solitários e em silêncio. Um desavisado poderia achar que estávamos rezando e não estaria de todo enganado, porque, de certa forma, era um ambiente de contemplação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas as noites, num canto do salão, uma figura corcunda e completamente envolta em seu manto tocava piano. Dela não se podia ver nenhuma parte do corpo além das mãos que percorriam o teclado. Tocava a noite inteira sem parar e nem mesmo os primeiros a chegar na taverna ou os últimos a deixá-la conseguiam ver aquela criatura em outra posição que não debruçada sobre o instrumento. Era sempre uma música vagarosa e sombria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imaginávamos que o corcunda era o rapsodo que dava nome ao lugar. A parte do 'feliz' ninguém entendia.&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Quando uma noite um sujeito corpulento de bigode, que apesar de ser um dos freqüentadores mais antigos nunca tinha proferido palavra até então, disse o seguinte:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Eu quero ver o rosto daquele pianista. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Falou alto o suficiente para que o salão inteiro ouvisse. De repente todos acordaram de seu transe solitário para prestar atenção ao homem de bigode. Apenas o corcunda parecia estar alheio ao que se passava. A música seguia.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Boa idéia - respondeu um outro sujeito, o da mesa dois. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Uma agitação incomum percorreu o salão. Estavam todos sobressaltados. O homem de bigode e o da mesa dois levantaram-se e caminharam em direção ao corcunda. Os outros acompanhavam a cena paralisados. Da minha cadeira eu gritei 'não!', mas acho que ninguém ouviu. O corcunda continuava tocando com se nada estivesse acontencendo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Os dois homens se aproximaram e agarraram o pianista, cada um segurando um dos braços. A vítima não oferecia a menor resistência. O sujeito corpulento levou a mão ao capuz que cobria o rosto da criatura.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nesse instante eu fechei os olhos e abaixei a cabeça. Só percebi que o rosto tinha sido revelado porque dois ou três caras gritaram perto de mim. Segundos depois, quando tive coragem de reabrir os olhos, o corcunda já estava coberto novamente, sentado em frente ao piano, preparando-se para retomar a música. O sujeito de bigode continuava em pé, imóvel, muito pálido e parecia sem forças para se mexer. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Na noite seguinte, quando voltei à taverna, não encontrei nenhum dos outros clientes. Apenas o corcunda estava lá. Assim que sentei, ele deixou o piano e veio em minha direção. Tive a impressão de já ter ouvido sua voz em algum desenho bíblico:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Todos os dias o homem come o fruto proibido, é assim desde os tempos de Eva. Mesmo aqui em nossa pequena comunidade, nossa taverna, tão pacata e harmoniosa, chegaria a hora fatal. Eu já sabia disso. Mas você me surpeendeu. Você não quis olhar. Seu exemplo é o que venho procurando há milênios. Aceite isto como prova de reconhecimento.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E me estendeu um pedaço de papel marrom, muito semelhante a um bilhete ou passaporte. Em filigrana estava escrito: 'céu'.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Antes que eu pudesse agradecer, o corcunda continuou:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Entendo também que é seu direito, por ter tentado me defender, contemplar aquilo que seus companheiros desnudaram à força. Deseja, bravo amigo, que eu lhe mostre meu rosto?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Recusei e até hoje, trinta anos depois, me arrependo. Mas na época eu não passava de um jovem inseguro e assustado. Depois tentei diversas vezes reencontrar o corcunda, em vão. 'O Rapsodo Feliz' fechou na manhã seguinte à noite em que se passaram esses últimos acontecimentos. Como lembrança, restou o bilhete que ganhei. Até hoje não sei direito para que ele serve. No fundo, algo me diz que não quero descobrir tão cedo. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-6370729024547189939?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/6370729024547189939/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=6370729024547189939' title='30 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/6370729024547189939'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/6370729024547189939'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2008/11/o-rapsodo-feliz.html' title='O rapsodo feliz'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>30</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-2864341638269250720</id><published>2008-11-09T16:46:00.000-08:00</published><updated>2008-11-10T09:32:57.528-08:00</updated><title type='text'>O cavaleiro da esperança</title><content type='html'>Uma das grandes carências do Brasil é não ter um herói de verdade, alguém para se pintar no verso da nota de cem (nosso dinheiro talvez seja o único que vem estampado com animais. Será a onça-pintada o que de melhor a nação já produziu?). Que falta não faz um sujeito montado num cavalo, a espada na mão, colocando a própria vida em risco pela honra da pátria. Um William Wallace, que servisse de referência para as crianças e motivo de orgulho para os velhos. O Brasil infelizmente não tem isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que a história oficial tenta nos empurrar heróis nacionais goela abaixo. Sorte que a população está ficando precavida contra essas artimanhas. O embuste Tiradentes, por exemplo, não engana mais ninguém, nem o mais crédulo aluno de primário. O que foi a inconfidência mineira? Burgueses, dissociados da massa, movidos exclusivamente por interesses econômicos. Nenhuma faisquinha de amor à pátria ou de solidariedade com os oprimidos. Por favor, é muita mesquinharia. Não tem semelhança física com Jesus Cristo que resista à limpidez dos fatos. Tiradentes já era.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A rigor, candidato a grande homem neste país só tivemos um por enquanto, curiosamente relegado por historiadores e governantes : Antônio Conselheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, tudo indica que os dias de penúria chegaram ao fim. É engraçado, mas parece que justamente o século XXI, tão pobre nas artes, na política e em todo o resto, vai dar o primeiro herói de fato ao Brasil. Ou já deu. Aí está o delegado Protógenes Queiroz, da Polícia Federal, pai da já eternizada operação Satiagraha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você ri, leitor? Normal. Criou-se no país o hábito de fazer piadas e de ridicularizar esse homem. "Um maluco que tentou fazer justiça sozinho e acabou metendo os pés pelas mãos". É o que eles querem que nós acreditemos. ( Pelo pronome 'eles' utilizado na frase anterior, entenda-se os abomináveis inimigos da nação, cujos tentáculos abrangem todos os setores da sociedade, desde a televisão até o bar da esquina).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o Protógenes fosse apenas mais um maluco, não estaria sendo, nesse exato momento, limado da própria corporação da qual faz parte, a Polícia Federal. Não teria três de seus apartamentos, um em Brasília, outro em São Paulo, um terceiro no Rio, invadidos na calada da madrugada por agentes da polícia. Ele, como os elefantes da música infantil, incomoda muita gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que fez este homem para, de repente, tornar-se um pária? Ousou enfrentar o temido Daniel Dantas, uma espécie de Al Capone brasileiro, indivíduo que, sou forçado a inferir, tem amigos poderosos. Protógenes fez Dantas dormir duas noites na cadeia. Isso custou ao delegado todo o seu prestígio. "Um maluco que tentou fazer justiça sozinho e acabou metendo os pés pelas mãos"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma luta desigual. De um lado Protógenes, a favor do Brasil. Do outro o Brasil, contra o Protógenes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na época em que estourou a Satiagraha, saiu nos jornais uma transcrição de conversa telefônica entre o Al Capone e um de seus asseclas, na qual eles falavam da possibilidade de subornar Protógenes. Reproduzo-a aqui, não textualmente, mas com o sentido preservado:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Al: Já tentou falar com o tal delegado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assecla: Já. Ele não aceita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Al: Como não aceita? Já tentou falar diretamente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assecla: Não adianta. Com esse delegado não adianta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu quis chorar quando li esse trecho. Olhei ao redor para ver se estava no Brasil mesmo, ou se aquilo era um sonho. Até então nunca tinha ouvido falar de agente público em transcrição de conversa telefônica que recusasse suborno. O sujeito para ter a honestidade reconhecida até pelos bandidos é porque é alguém diferenciado de fato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Protógenes é um idealista, um romântico. Haja vista o nome Satiagraha, importado diretamente da revolução pacífica do Gandhi. A truculência e a impavidez do delegado aliadas à sensibilidade do poeta. Eu não consigo imaginar perfil mais inspirador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos poucos o Brasil aprende a dar valor ao herói que vai nascendo. Hoje de manhã, caminhando por Brasília, vi uma moça vestindo uma camisa estampada com os seguintes dizeres: 'Protógenes Queiroz contra a corrupção'. Isso quer dizer o seguinte: há uma luz no fim do túnel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E para aqueles que acham o nome Protógenes simplesmente mais uma excentricidade de um sujeito já repleto de bizarrices, aqui vai um pouco de etimologia. Proto: início, o primeiro, pioneiro. Genes: do grego genós, significa nascer, origem. Juntando os dois temos: o precursor do futuro, daquilo que vai nascer. E com um pouco de licença poética: o cavaleiro da esperança.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-2864341638269250720?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/2864341638269250720/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=2864341638269250720' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/2864341638269250720'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/2864341638269250720'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2008/11/o-cavaleiro-da-esperana.html' title='O cavaleiro da esperança'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-8246387366880045258</id><published>2008-10-30T13:25:00.000-07:00</published><updated>2008-11-03T20:03:12.901-08:00</updated><title type='text'>Cuidado com as portas</title><content type='html'>Imagino que a formatura na faculdade seja uma época marcante para a maioria das pessoas. Do contrário não veríamos tantos colegas, no último semestre do curso, sempre sorridentes nos corredores, conversando sobre planos futuros, ocupados até a tampa com tarefas que lhes enchem de prazer, como escolher o vestido mais adequado para o dia da festa. Ao observá-los, envoltos nesse turbilhão de alegria e expectativas, não consigo deixar de pensar comigo: lá vai gente feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu que, correndo tudo como se espera, formo dentro de um mês, lamentavelmete não estou vendo graça nisso. Na verdade, é um drama deixar a faculdade para trás. Fico pensando em todas as coisas que restaram por fazer: os livros que não li, a inteligência que não adquiri, o festival de música que não ganhei - e que não participei, uma vez que não toco instrumento algum - e os professores e colegas malas que não xinguei. Agora, faltando um mês para o fim, é pouco provável que essas frustações sejam resolvidas. Carregarei o vácuo para sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que a situação pode ser amenizada. Ainda não descartei sair no braço com uns desafetos no dia da formatura. E também tomar o microfone da mão do orador para expor algumas verdades sobre o "futuro da nação" que estará ali de beca. Vovós, preparem-se para uma colação como nunca viram em todas essas muitas décadas que as senhoras carregam nas costas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para não dizer que minha passagem na universidade não teve seus momentos de fantasia, gostaria de rememorar aqui um episódio pertecente ao já distante primeiro semestre de 2005. Desculpem-me se o tom da narrativa parecer saudosista demais. É que, só hoje o percebo, 2005 ainda não acabou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estava sentado numa dessas beiradas de jardim em que a Universidade de Brasília é pródiga. Conversava com alguns amigos, o Bigode, o Coquinho, o Toupeira e o Sapão, se não me engano. Na nossa frente ficava um banheiro velho, instituição também muito comum na UnB. Logo chegou uma dupla de servidores, vassouras e esfregões na mão, com jeito de que estavam prestes a empreender uma faxina. Eram um homem e uma mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele lembrava o Seu Madruga; ela, Mercedes Sosa. Ambos transpareciam pouco ânimo. Colocaram o carrinho de detergentes na frente da porta do banheiro, para barrar a passagem de um desavisado qualquer que pudesse atrapalhar a limpeza. E entraram no cômodo, ligaram as torneiras, puseram-se a esfregar. Esfregaram por cinco minutos. Lá de fora eu ouvia o ruído das vassouras roçando o piso, a água jorrando pelas paredes, os ralos engolindo a sujeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente Mercedes Sosa saiu do banheiro com um balde para encher, fechando a porta atrás de si. Pachorramente, ela foi até uma torneira ali próxima. Apoiou as mãos nas cadeiras e soltou um grito, aparentemente dirigido ao seu parceiro, lá dentro do banheiro: "não abre a porta não!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As paredes da universidade reverberaram: "não abre a porta não!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher desligou a torneira e rumou de volta para o banheiro. Levava o balde cheio na mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu e meus amigos observávamos aqueles movimentos com a certeza de que algo de grandioso estava prestes a acontecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mercedes chegou perto do banheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu já nem respirava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela inclinou o corpo para trás, ergueu o balde com as duas mãos , uma na alça, outra na base, e, com um golpe rápido, lançou a água em direção à porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso no exato instante em que a maçaneta girou, a porta abriu e a cabeça infeliz de Madruga surgiu perguntando:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que você disse?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas já era tarde. Mercedes não pôde deter o movimento que já havia iniciado. A água do balde, destinada a limpar a madeira da porta, encontrou seu fim nas roupas do faxineiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu falei para não abrir a porta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo aconteceu exatamente como nas comédias baratas. Fiquei feliz de ter presenciado aquela cena. Por dois motivos: primeiramente, percebi que a vida pode ser tão prazerosa como a ficção, não precisamos aceitar a realidade como uma pasmaceira inevitável. E, principalmente, o caso dos dois faxineiros me ensinou uma lição. Nesses derradeiros momentos de faculdade, todos falam das "portas que serão abertas" daqui para frente, mas poucos pararam para pensar o que vão encontrar além delas. Contra esse tipo de equívoco eu já estou prevenido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-8246387366880045258?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/8246387366880045258/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=8246387366880045258' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/8246387366880045258'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/8246387366880045258'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2008/10/cuidado-com-as-portas.html' title='Cuidado com as portas'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-7213849325233107190</id><published>2008-10-08T10:46:00.000-07:00</published><updated>2008-10-10T19:27:10.763-07:00</updated><title type='text'>Palavra de homem</title><content type='html'>Ontem, por obra e acaso de uma aula da faculdade, assisti a um documentário que vai me inspirar para o resto da vida. Chama-se "Nanook do Norte" e mostra a rotina de um esquimó nos confins do Canadá, em plena década de 20 do século passado. Nanook, o protagonista, é um orgulho para o gênero masculino. Inicialmente, ele não se diferencia muito da maioria dos chefes de família mundo afora, porque sua maior preocupação é dar conforto à prole, comportamento muito natural. O que faz de Nanook um exemplo para os machos-alfa da espécie humana está na maneira como ele sustenta os seus. Os filhinhos estão com fome? Papai Nanook caça um leão-marinho para eles. Ou então entra num buraco na neve e sai de lá minutos depois com uma raposa debaixo do braço. Tudo sem o auxílio de arma alguma, claro, exceto um arpão feito com marfim de morsa, confeccionado pelo próprio Nanook. E, no final do dia, depois de passar meia tundra na faca, Nanook constrói um iglu para a família. Isso é que é ser homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perto do Nanook eu me senti menos macho. Resolvi mudar de postura daqui para frente. Na impossibilidade de caçar minha própria comida - não dá para bater no atendente depois de pagar pelo pão - organizei uma lista de princípios básicos que ajudarão todo homem, mesmo cerceado pelo ambiente urbano frufru do século XXI, a ser um macho-alfa digno de um Nanook. Ei-la:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- homem arranja briga em casa para assistir a jogo da segunda divisão. Aliás, ele assina o pay-per-view da série B na TV do quarto e chama os amigos para ver junto, sentados na cama. A esposa, naturalmente, deve ser expulsa para a sala. O macho-alfa nunca vê novela, e se por acidente contrariar essa regra, passa o capítulo inteiro fazendo barulhos com a boca toda vez que aparece uma atriz de shortinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- homem só faz tatuagem se for na prisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- a dieta do homem é composta primordialmente por carne de mamífero, de preferência mal passada. Isso exclui frango, peixe e principalmente esse cúmulo da frescura que é a comida japonesa. Uma única exceção é aberta ao peixe frito, quando, na beira do rio, depois de um dia inteiro de intensa pescaria com os amigos, o macho-alfa se alimenta do merecido fruto de seu trabalho. Jamais toma sucos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- homem não paga mais de dez reais para cortar o cabelo. E nunca, mas nunca mesmo, deve pronunciar expressões como "repique minha franja", "condicionador" ou "ponta dupla". A barba deve andar invariavelmente mal feita e suja de farofa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- homem não entende nada de vinhos. Mas sabe distingüir uma maminha de um contra-filé só de bater os olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- homem só escuta música com violino e piano em dia de casamento ou enterro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- todo homem deve ter um fila chamado Rex, uma Brasília que não funciona encostada na garagem e um chinelo Rider da Copa de 94.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- todo homem deve ter um boneco do Shiryu enfeitando a estante do quarto. (Só um homem de verdade sabe do que eu estou falando)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- um legítimo homem pode até ser delicado com as mulheres, mas nunca delicado como as mulheres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- e principalmente: homem não chora. Mas tem todo direito de derramar umas lágrimas quando a torcida canta o hino do seu time na arquibancada e o Van Dame ganha o torneio no final de 'O Grande Dragão Branco.'&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-7213849325233107190?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/7213849325233107190/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=7213849325233107190' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/7213849325233107190'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/7213849325233107190'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2008/10/palavra-de-homem.html' title='Palavra de homem'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-7349034027189665477</id><published>2008-10-05T21:24:00.000-07:00</published><updated>2008-10-05T22:37:40.770-07:00</updated><title type='text'>Farsa</title><content type='html'>Domingos como hoje são a apoteose do embuste que é a democracia no Brasil. As eleições não servem para o povo escolher seus governantes, ao contrário do que nos é ensinado acreditar. Os mandatários da nação a ela são impostos por um conjunto de forças anterior e maior que o pleito eleitoral. Não somos livres para escolhermos quem bem entendermos. Candidatos que contrariem o gosto da ordem estabelecida dificilmente chegam a concorrer e, caso entrem na disputa, jamais disporão dos meios necessários para se eleger. Se um político participa de uma eleição em condições de ganhar, é porque ele já tem o aval de quem realmente faz as escolhas no país. A eleição serve apenas para o povo legitimar uma opção, não para ser ouvido. Não à toa o comparecimento diante das urnas é obrigatório. Além de se criar um ambiente de saudável atividade democrática, confere-se ao eleito a incontestável corroboração de milhões de votos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Brasil não há alternância de poder, mas de nomes. É tolice achar que as eleições de quatro em quatro anos geram equilíbrio de forças entre os variados setores da sociedade. Entra governante, sai governante, a classe beneficiada é sempre a mesma. Sei que a frase está gasta e pode soar como ladainha revolucionária, mas os donos do poder no Brasil são os mesmos há 500 anos. O próprio Lula, costumeiro usuário da frase, para finalmente conseguir ganhar uma eleição, precisou se adequar, teve que se tornar "um deles". Não tivesse mudado o tom do discurso, ele estava até hoje tentando se eleger para alguma coisa. O Lula não foi eleito pelo povo, mas por um establishment. Por isso essa história de que "só num país com uma democracia de verdade um torneiro mecânico poderia virar presidente" não é tão bonita assim como parece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não sou daqueles que têm raiva da elite política brasileira porque ela é feita de gente rica. Não tenho esse tipo de preconceito e nem acho que um rico é necessariamente um mau governante. O problema da elite que sempre dirigiu o Brasil é que ela, principalmente nos dias de hoje, não tem homens com vocação pública. Governa-se apenas para o interesse próprio e sem nenhum projeto para desenvolver o país. Essa gente preocupa-se exclusivamente em perpetuar-se no poder, zelando pela conservação do modelo de sociedade e pouco se importando com quem vem abaixo de si na pirâmide social. Assim é nossa democracia. A eleição é o ato que coroa todo o embuste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E sabem o que é o pior nisso tudo? O povão sabe que só serve de massa de manobra, mas, por ignorância, leniência ou preguiça prefere não se indignar. Participa comportadamente da farsa. Ele tem perfeita ciência de que os políticos querem votos apenas para se fartar no poder e que, depois de eleitos, viram as costas para a sociedade. Mas o povo não se dispõe a mudar a situação. É a Lei Vampeta aplicada à sociedade. Na época em que jogava no Flamengo o Vampeta, criticado pelas más atuações, deu a seguinte e histórica declaração: " eles fingem que me pagam e eu finjo que jogo". No Brasil acontece coisa parecida. Eles fingem que há uma democracia e a gente finge que acredita.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-7349034027189665477?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/7349034027189665477/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=7349034027189665477' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/7349034027189665477'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/7349034027189665477'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2008/10/farsa.html' title='Farsa'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-3602068912567744880</id><published>2008-09-29T15:47:00.001-07:00</published><updated>2008-10-17T09:53:02.362-07:00</updated><title type='text'>Uma alma em html</title><content type='html'>"O Furor" completa um ano por esses dias. Que a data coincida com o centenário da morte de Machado de Assis é só mais um desses interessantes acasos que a posteridade estudará mais tarde na escola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O importante é que este espaço virtual me divertiu bastante ao longo dos últimos meses. Ainda que o mesmo não possa garantir com relação aos leitores. Sim, inimigos globo afora, eu tenho leitores. Por volta de oito diariamente, segundo o Google Analytics. Se levarmos em conta que um desses leitores sou eu próprio acessando o site do estágio e o outro sou eu acessando de casa, o número que era até satisfatório cai para módicos seis internautas. Considerando ainda que, se um amigo meu qualquer também acessar de casa e do trabalho, então somos apenas quatro heróicos freqüentadores. As possibilidades são infinitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje escrever no blog é uma das minhas atividades de lazer prediletas. Tanto que quando estou sozinho, principalmente dirigindo, tomando banho e naquela hora mágica que por falta de nome melhor vou chamar de ante-sala do sono, fico pensando em possíveis textos para colocar aqui. Minha intenção é fazer as pessoas rirem com o que eu escrevo. Aqueles quatro leitores, no caso. Muita gente pode achar é perda de tempo, bobagem, alienação, e eles talvez estejam certos. Mas eu prefiro achar que essa é a minha maneira de ajudar a salvar a humanidade. Pelo menos é a que dá menos trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E já que entrei na seara das confissões, aqui vai outra: estou cansado de não fazer sucesso na blogosfera. Por muito tempo achei que poderia ser bem recebido pelo público escrevendo sobre pensamentos e histórias que eventualmente me viessem à cabeça. Mas a realidade se mostrou cruel. Os internautas querem ver sentimento num blog, eles têm sede de confissões açucaradas. Demorei um ano, mas finalmente entendi o recado, eu me rendo. Estou pensando em abrir um novo blog, uma espécie de filial sensível de 'O Furor'. Nele eu colocaria textos delicadinhos e poesias róseas, invocando amores partidos e convidando o leitor a mergulhar nesse oceano profundo de tristeza que é a vida. Vocês verão se assim eu não consigo audiência. O novo blog se chamaria ' A Lágrima do Anjo', em conformidade com o turbilhão de emoções que ele deve causar.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brincadeiras à parte, recomendo que todo mundo monte seu próprio blog. É uma maneira eficiente de organizarmos nossos próprios pensamentos e até de nos conhecermos melhor. E, anos mais tarde, temos a possibilidade de reler as postagens antigas e morrer vergonha. Não sei o que pode ser mais construtivo. E se você acha que não tem assunto sobre o qual escrever num blog, faça como eu. Um conhecido tem uma frase assim: "não tem o que dizer, não coloque isso em palavras". Ele deve se contorcer ao ler 'O Furor'. Paciência. Torçamos para que estejamos melhores no segundo aniversário.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-3602068912567744880?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/3602068912567744880/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=3602068912567744880' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/3602068912567744880'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/3602068912567744880'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2008/09/um-corao-em-html.html' title='Uma alma em html'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-2672617185519182991</id><published>2008-09-21T20:08:00.000-07:00</published><updated>2008-09-25T19:50:03.462-07:00</updated><title type='text'>O mato e eu</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_nF_mavx34DU/SNcO7O1Q-rI/AAAAAAAAADc/3E8Ory9RTcM/s1600-h/A+on%C3%A7a+bebe+%C3%A1gua.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5248680301480180402" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_nF_mavx34DU/SNcO7O1Q-rI/AAAAAAAAADc/3E8Ory9RTcM/s320/A+on%C3%A7a+bebe+%C3%A1gua.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; Imagem captada pelas lentes do fotógrafo e lenhador Marcelo Camargo&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Vêem a foto acima? Sou eu bebendo água de córrego. Ela é um cala-boca a todos aqueles que duvidavam do meu apego à natureza. Tomem isto, críticos! Tinha muita gente achando que meu discurso pró vida selvagem era da boca para fora. Quero ver como vão reagir agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Como saberemos se é você mesmo na foto se não dá nem pra ver o rosto?" Ah, por favor! Olhem a cor da camisa! Só três pessoas encaram uma trilha sob o sol da Chapada dos Veadeiros de preto: Batman, Drácula e eu. Três morcegos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto saciava minha sede debruçado sobre o colo da Mãe Natureza, escutei alguns comentários de turistas ao redor:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meu Deus, ele vai pegar um verme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quer dizer: a luta continua, mais urgente do que nunca. Urbanização geográfica, tudo bem. Da alma, jamais!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-2672617185519182991?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/2672617185519182991/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=2672617185519182991' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/2672617185519182991'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/2672617185519182991'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2008/09/o-mato-e-eu.html' title='O mato e eu'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_nF_mavx34DU/SNcO7O1Q-rI/AAAAAAAAADc/3E8Ory9RTcM/s72-c/A+on%C3%A7a+bebe+%C3%A1gua.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-2699068202489154667</id><published>2008-09-15T20:16:00.001-07:00</published><updated>2008-09-21T20:48:10.663-07:00</updated><title type='text'>Queria poder te abraçar - mas não dá</title><content type='html'>Outro dia li no jornal um dado curioso. Falava do ideal de beleza num desses países africanos, eu acho que é a Namíbia. Lá, completamente diferente daqui e do resto do mundo ocidental, a mulher bonita é a obesa. E quanto mais dobras tiver, melhor. Tanto que um dos costumes dos pais e mães locais é empanturrar as filhas de comida desde cedo na infância - num sistema de engorda muito semelhante ao aplicado em gansos destinados a virar foie gras, sempre segundo o jornal. A gravidade da coisa chega ao ponto de as autoridades nacionais precisarem espalhar cartazes e outdoors nas ruas explicando que gordura não faz bem à saúde e que bom mesmo, por mais absurdo que possa parecer, é ser magra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das imagens líricas mais evocadas pelos poetas daquele país, principalmente entre os de maior verve, é a da mulher obesa lutando para tentar subir num camelo. O belo supremo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inspirado pelos bardos da Namíbia, aqui vou eu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria poder te abraçar - mas não dá (é o título do poema)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu amor,&lt;br /&gt;quando te vi rotunda e vacilante&lt;br /&gt;a custo alçando-se às corcovas&lt;br /&gt;Doravante&lt;br /&gt;meu corpo como nunca ardeu&lt;br /&gt;perto do redondo teu&lt;br /&gt;a cada instante&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-2699068202489154667?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/2699068202489154667/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=2699068202489154667' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/2699068202489154667'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/2699068202489154667'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2008/09/queria-poder-te-abraar.html' title='Queria poder te abraçar - mas não dá'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-2253734992527692765</id><published>2008-09-01T10:48:00.000-07:00</published><updated>2008-09-02T11:44:05.643-07:00</updated><title type='text'>A galinha saiu do galinheiro</title><content type='html'>Vivemos tempos difíceis no Brasil, em que já não é mais possível conversar ao telefone sem tomar o máximo de cautela. Felizmente somos um povo criativo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alô?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Está chovendo em Sarajevo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sei. É chuva forte?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Chovendo granizo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tá. Vou levar o guarda-chuva, então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, não. Guarda-chuva, não. Vem de capote.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Beleza. Capote.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Só tem um problema: a galinha saiu do galinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Droga! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pois é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Saiu com o ovo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Droga!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então é isso, cara. Feliz Natal pra você e pra toda a sua família.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pra família também?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Também, também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tá bom. Até mais, Januário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Até ma... Peraí. Você falou meu nome, pô!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Falei não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Falou sim. Você disse: "até mais, Januário".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Agora foi você quem falou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- M...!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sossega, cara. Devem ter muitos Januários no mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas em Brasília provavelmente são poucos... Aliás, Brasília não. Sarajevo. Estou em Sarajevo. Ouviram bem? Sa-ra-je-vo. Sa-ra-je-vo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tum. Tum. Tum...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-2253734992527692765?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/2253734992527692765/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=2253734992527692765' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/2253734992527692765'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/2253734992527692765'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2008/09/galinha-saiu-do-galinheiro.html' title='A galinha saiu do galinheiro'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-1430242317070253052</id><published>2008-08-27T15:28:00.000-07:00</published><updated>2008-08-27T15:32:42.748-07:00</updated><title type='text'>Ética no trabalho</title><content type='html'>Você está no banheiro da repartição. De repente, o chefe aparece no mictório ao lado. Você:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a) cumprimenta com a mão direita e com a esquerda dá continuidade ao que está fazendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;b) cumprimenta com a mão esquerda e com a direita dá continuidade ao que está fazendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;c) aproveita o momento de vulnerabilidade e pede um aumento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-1430242317070253052?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/1430242317070253052/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=1430242317070253052' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/1430242317070253052'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/1430242317070253052'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2008/08/tica-no-trabalho.html' title='Ética no trabalho'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-6483828124462987040</id><published>2008-08-19T11:36:00.000-07:00</published><updated>2008-08-20T15:07:18.825-07:00</updated><title type='text'>Na calada da noite</title><content type='html'>Era madrugada. No alto de uma torre antiga, trancafiado na cela mais escura de todo o edifício, um homem por volta dos cinqüenta anos comia frango assado. Estava apreensivo? Tinha motivos para tal? Uma janela gradeada deixava entrar não mais que uma réstia de luz no cômodo. A lua, que dali podia ser entrevista apenas através das barras de ferro, parecia brilhar quadrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse homem vestia terno - não queremos com isso inferir absolutamente nada, apenas nos preocupamos em pintar o quadro da forma mais fidedigna possível - e tomava seu jantar muito lentamente. De vez em quando, pegava com a mão um pedaço do frango, a coxa ou a asa, e fazia menção de levar até a boca, mas interrompia o movimento no meio do caminho para de repente soltar uma risada. Por vezes era uma risada bem baixinha, quase consigo mesmo, noutros momentos, no entanto, era uma estrondosa gargalhada. Diríamos que se tratava de alguém com vários motivos para ser feliz, se não soubéssemos que o homem em questão estava preso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele não se incomodava nem com os ratos que de vez em quando atravessavam o quarto, nem com os filetes d´água que escorriam das paredes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente o homem ouviu um barulho de passos subindo a escada, cada vez mais próximos. Vinha alguém. Os passos foram chegando perto até que o preso pôde reconhecer o recém-chegado:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Delegado! Não esperava o senhor aqui, a esta hora.  Escuta: aceita um pedaço?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, obrigado. Posso entrar? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O delegado abriu o cadeado, entrou na cela e sentou-se ao lado do preso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tem certeza de que não quer comer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tenho, tenho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meus advogados já chegaram?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Já. Estão lá embaixo com os papéis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ótimo. Olha, delegado, parabéns, viu? Atuação de primeira. Nunca imaginei que um dia eu seria preso. Xilindró mesmo, sabe, com algema e tudo. Tem até rato aqui, olha. Quem diria, rapaz? Homens como o senhor enobrecem o Bra...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu vim aqui te pedir um favor - o delegado a essa altura tinha um ar muito melancólico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Favor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É. Eu queria que você fugisse daqui. Fugisse da prisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fugir? - o homem soltou um riso debochado. Por que eu iria querer fugir, delegado? Daqui a pouco, no mais tardar de manhã cedo, meus advogados vão conseguir a liberação, dentro dos conformes da lei, tudo direitinho. Então pra quê fugir? Pra quê? Não estou te entendendo, delegado. O senhor quer suborno agora? Justo o senhor, tão incorruptível esses anos todos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O delegado suspirou profundamente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não é isso. É pelo bem do país. Se você sair daqui de manhã, pela porta da frente, amparado pela Justiça e pelos mais altos magistrados da nação, sorridente e impecável, inocente como um anjo, vai desferir um golpe muito duro na pouca confiança que as pessoas ainda depositam nas instituições democráticas, entende?. O Brasil já está praticamente desacreditado pela população, as coisas andam por um fio. De repente tudo pode ruir, virar uma terra de ninguém. A gente não pode deixar isso acontecer. Se não... Fiquei a noite inteira pensando nisso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Delegado, o senhor é mesmo um homem exemplar. Me orgulho muito de ter sido preso por alguém assim. Mas não chegou a me comover. Ainda prefiro esperar meus advogados agirem. Aliás, o senhor mesmo disse que eles já estão aí embaixo, então é só questão de tempo e tudo estará terminado. Além do mais, uma fuga só serviria para me complicar com a Justiça. Eu me tornaria um foragido à toa. Mas foi um prazer conhecê-lo, delegado. Seja feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por favor, eu apelo para os seus sentimentos patrióticos. Pense nas criancinhas, o que elas vão achar? "Papai, quando crescer eu quero ser que nem aquele homem ali na TV." "Mas, meu filho, ele é um bandido."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ora, delegado, não me venha com...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha só: ali na parede em frente à janela tem um tijolo falso. É o décimo de baixo para cima e o quinto da direita para a esquerda. Pressione-o até ouvir um ruído. Uma passagem secreta vai aparecer, ela dá para um túnel de cerca de cinco quilômetros que leva até uma rua perto do centro da cidade. Ninguém vai incomodá-lo lá, eu garanto. Pense nas criancinhas, companheiro. Adeus. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O delegado saiu da cela, voltou a trancar o cadeado e desceu as escadas taciturno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na manhã seguinte, quando o carcereiro e os advogados foram levar o habeas corpus do preso, tomaram um grande susto ao descobrirem a cela completamente vazia. Completamente, não. Porque encontraram num canto da parede, na altura do décimo tijolo de baixo para cima e do quinto da esquerda para a direita, os restos espicaçados de um frango assado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-6483828124462987040?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/6483828124462987040/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=6483828124462987040' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/6483828124462987040'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/6483828124462987040'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2008/08/na-calada-da-noite.html' title='Na calada da noite'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-4332623839738202166</id><published>2008-08-16T07:12:00.000-07:00</published><updated>2008-08-16T07:13:43.589-07:00</updated><title type='text'>Dúvidas olímpicas</title><content type='html'>&lt;em&gt;Texto extraído da nossa sucursal de esportes.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De quatro em quatro anos sou acossado pela mesma espécie de enigmas, esta semana tão instigantes que não têm me deixado dormir em paz. Ó gregos, só vocês devem ter as respostas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por que os jogadores de vôlei a cada ponto vão se abraçar no meio da quadra? E por que alguns aproveitam esse momento para aplicar tapinhas em locais pouco convencionais do companheiro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por que quem nunca assiste a esporte de repente aparece como um profundo conhecedor do assunto, versando de nado sincronizado a badmington? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por que as mães e as tias gostam tanto de Ginástica Olímpica?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por que sempre tem uma brasileira que cai da trave? E por que as chinesas nunca caem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quem está dopado? Quem não está? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deveriam criar uma categoria só para a Ednanci?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quão melhor seria o mundo sem o futebol feminino?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cadê o Baloubet du Rue?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O nome da goleira da seleção brasileira de handebol é aquele mesmo? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por que não te calas, Galvão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por que todo brasileiro que ganha medalha teve uma vida sofrida e o que não ganha amarelou ou foi prejudicado pela arbitragem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como é que nenhum jogador nunca desceu a mão no Bernardinho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Onde é que os russos do volêi de praia treinam? Na Sibéria?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que diabos significa carpado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quantas vezes os repórteres vão usar a expressão ´espírito olímpico`? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, finalmente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alguém ainda cai nessa de que o importante é competir?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-4332623839738202166?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/4332623839738202166/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=4332623839738202166' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/4332623839738202166'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/4332623839738202166'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2008/08/dvidas-olmpicas.html' title='Dúvidas olímpicas'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-1934825335513669826</id><published>2008-08-13T16:49:00.000-07:00</published><updated>2008-08-16T05:38:28.417-07:00</updated><title type='text'>Uma tarde entre os ipês</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_nF_mavx34DU/SKN0Z7oOfII/AAAAAAAAADU/r8177qC7X8M/s1600-h/23saturadapeq.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_nF_mavx34DU/SKN0Z7oOfII/AAAAAAAAADU/r8177qC7X8M/s320/23saturadapeq.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5234155180786613378" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A figura aí é uma foto que eu tirei ontem à tarde, na UnB. Faz parte de um exercício que estou impondo a mim mesmo, para adquirir olhar fotográfico, se é que esse tipo de coisa já não nasce com a gente. Sempre que sobra um tempo livre, pego a câmera e abordo um objeto sob vários ângulos, insistentemente, tentando produzir algo que valha a pena. Ontem foi o primeiro dia de "aula". A julgar pelo resultado, exposto acima, vocês devem imaginar o quanto ainda tenho pela frente. De qualquer forma, acho que o mundo se divide em dois grupos de pessoas: os raros que têm olhar fotográfico e a multidão que não tem. Eu queria muito fazer parte do time dos escolhidos, principalmente porque tenho uma veia de artista frustrado que não vai parar de espezinhar enquanto eu não achar um ramo da arte em que me saia mais ou menos bem. Além disso, desconfio que o cara do olhar fotográfico enxerga a vida com enquadramento de cinema. No lugar do olho é como se o sujeito carregasse uma lente. Eu queria ser assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou contar um pouco do meu processo criativo, porque isso também faz parte do aprendizado, segundo atestam alguns mestres que tive o prazer de ouvir ao longo da vida. Tudo começou ontem, depois da aula da manhã, quando eu voltava pra casa e de repente topei com esse ipê -a árvore da foto é um ipê amarelo, Tabebuia serratifolia -, todo florido e dourado. A primeira imagem que me veio à cabeça foi daquelas cerejeiras de filme japonês feudal, com suas pétalas caindo mansamente ao toque do vento. Todo mundo sabe que eu tenho um fraco pelo Japão feudal. Mas aí, olhando melhor, percebi que o referido ipê tinha ainda mais graça que uma cerejeira japonesa, porque ele guardava um contraste muito grosseiro com a seca que castiga Brasília nesta época do ano: achatado entre duas aridezas, o céu sem nuvens e a terra sem grama, o ipê florido parecia uma afronta do cerrado à impiedade de São Pedro. Pensei: "está aí algo que merece uma foto". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma grande parcela da população acha que tirar foto de temas da natureza é demonstração de pieguice. Bobagem. A priori, nenhum objeto é "infotografável". Basta que saibam trabalhá-lo com inteligência. E, aliás, o que pode render melhores fotos do que a natureza? Como pode alguém pensar que uma árvore é coisa tão simples e banal a ponto de beirar o brega? Mas isso não me surpreende porque as pessoas há muito tempo já perderam a dádiva do bom gosto.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei para o local do ipê. Não sei se já tive a felicidade de lhes contar, mas ontem à tarde estive de folga. Cheguei por volta das quatro horas e esperei, porque, como todo detentor de olhar fotográfico sabe, o final da tarde é o momento ideal para se bater uma foto, graças à inclinação dos raios solares que, nessa hora do dia, criam um jogo de luz e sombra riquíssimo nos objetos. O que me levou a pensar o seguinte: fotografar é como caçar uma baleia. É preciso aguardar o exato instante em que o monstro for buscar oxigênio na superfície, deixando seu lombo cachalótico exposto, para então apertarmos o gatilho e torcermos para o arpão encontrar o alvo. O instante em que a baleia sai do seu esconderijo das águas profundas para respirar acontece muito raramente ao longo de um dia. E dura poucos segundos. Daí a importância dos caçadores serem extremamente precisos e pontuais. É o que chamo de momentum baleium, que equivale àquilo que nas belas-artes batizou-se de momentum fotográfico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabem o que é triste nisso tudo? A câmera digital matou o momentum fotográfico. Sem a limitação física do filme e com a facilidade tecnológica, possibilitou ao fotógrafo bater ínúmeros quadros por minuto, sem preocupar-se tanto com o instante crucial. É como se as baleias subissem para respirar e ficassem pairando no ar, minutos a fio, a mercê dos arpões. Lógico que isso criaria uma certa leniência nos caçadores. E cada vez menos um exímio atirador seria necessário, porque afinal as baleias estariam ali dando sopa mesmo que mais cedo ou mais tarde alguém vai acertá-las. Decorre daí uma mediocrização do mercado de caçadores de baleia. É claro que estender essa linha de raciocínio integralmente para o mundo dos fotógrafos pós-câmera digital seria forçar um pouco a barra. Mas não deixa de ser uma metáfora pertinente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Digo mais: a câmera digital está para a fotografia como a metralhadora para a guerra. Nos princípios da pólvora os soldados dispunham de apenas um parco tiro por vez, dada a necessidade de parar e recarregar as armas após cada saraivada. Depois a carnificina era na base da baioneta. Quer dizer, ou o mosqueteiro caprichava bastante no seu tiro, ou então poderia não ter tempo sequer para se arrepender. Com a metralhadora é diferente. Não há esmero, não há magia. É uma torrente de balas, grosseira e exacerbada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu pudesse eleger o maior problema da sociedade de hoje, seria exatemente este: a obsessão pela eficiência. As pessoas gastam todo seu tempo a uma busca desvairada pela excelência, nas diversas áreas da vida. A ciência mesmo evolui com o objetivo de potencializar a capacidade humana, rumo ao máximo da eficácia. Chegamos ao ponto, por exemplo, em que se produzem super-indivíduos, como os atletas biônicos, que batem recordes a cada cinco minutos e as mulheres de laboratório, suas medidas perfeitas, seus contornos irretocáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa turma da máxima eficiência se esquece do fundamental, isto é, que o divertido são as imperfeições. Que o tempero das coisas está no fato de que elas também tenham defeitos, não sejam sempre eficientes, sofram de vez em quando alguma recaída. E se inventassem uma máquina de pescar, que retirasse dezenas de peixes da água por minuto ao simples apertar de um botão? Matariam o prazer da pescaria, que é passar horas esperando um puxão do anzol para depois descobrir que era um pneu furado. A precisão matemática, o rigor da perfeição, fica muito bem em sitemas virtuais, robôs e aberrações do gênero. Na vida real, prefiro as coisas com suas arestas - e graça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terminava de bater as 24 poses do filme, todas elas em torno do referido ipê, quando passou um conhecido. Decerto se trata de um sujeito muito sério e ocupado. Depois de uma breve conversa, em que tomou par da minha tarefa naquela tarde, me disse o seguinte: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você não tem o que fazer. Passar a tarde tirando foto de um ipê...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tabebuia serratifolia - corrigi.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-1934825335513669826?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/1934825335513669826/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=1934825335513669826' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/1934825335513669826'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/1934825335513669826'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2008/08/blog-post.html' title='Uma tarde entre os ipês'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_nF_mavx34DU/SKN0Z7oOfII/AAAAAAAAADU/r8177qC7X8M/s72-c/23saturadapeq.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-4110093071607584679</id><published>2008-07-28T08:13:00.000-07:00</published><updated>2008-07-29T17:21:05.403-07:00</updated><title type='text'>O quintal do mundo</title><content type='html'>Os países, como as pessoas, possuem vocações específicas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Brasil, por natureza, é o quintal do mundo. Foi um ato deliberado que nos levou a esse ponto? Não. Em nenhum momento da história reuniu-se um conselho de notáveis para decidir a vocação da pátria. Tão pouco foi algo imposto pela tirania de governantes. Um dom não se adquire de maneira artificial, ele aflora. O Brasil simplesmente nasceu para isso: ser o quintal do planeta, o latifúndio, o bosque primaveril. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse é um traço tão genuíno e poético que não posso deixar de me orgulhar. Por isso lamento muito a urbanização pela qual o país vem passando. Não a urbanização geográfica, porque ela é um movimento natural da sociedade e, vá lá, traz seus benefícios. O grande mal é a urbanização da alma. Os brasileiros estão cada vez mais longe de sua vocação campestre. Parece que, por medo de parecerem ultrapassadas, as pessoas decidiram se divorciar da natureza. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém mais sabe diferenciar um pirarucu de um pirara; ou uma matrinxã de um jaú; ou um pintarroxo de um pintassilgo. Eu também não sei, o que me deixa muito envergonhado. Aliás, é preciso adicionar urgentemente no currículo das escolas matérias que ensinem o nome e as principais características dos diferentes peixes, passáros, plantas e estrelas. Não quero meu filho sofrendo da mesma ignorância que o pai. Além disso, o brasileiro deve dominar, desde criança, habilidades básicas como ordenhar uma vaca, cavalgar sem arreio, acender uma fogueira e montar uma jangada de taboca em menos de sete minutos.          &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso é tão bem-vinda a reprise da novela Pantanal. Aquilo lá é o Brasil strictu sensu. Não o Leblon das novelas atuais, cheio de gente vestida, carros luxuosos e shoppings. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a gente está num front de batalha, à beira da morte, defendendo o país com a vida, procura no coração lembranças da pátria pelas quais vale a pena lutar. O que motiva mais o soldado: brigar pelos prados verdejantes ou por um complexo de arranha-céus? Na hora decisiva em que meu pelotão estiver defronte às linhas inimigas, naquele momento terrível em que os homens, baionetas em riste, começarem a correr uns ao encontro dos outros, eu gritarei: "Pelas margens do São Francisco!" "Pela asa da graúna!"    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia em que o Brasil esquecer o sertão, esquece também de si mesmo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-4110093071607584679?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/4110093071607584679/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=4110093071607584679' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/4110093071607584679'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/4110093071607584679'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2008/07/o-quintal-do-mundo.html' title='O quintal do mundo'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-1970752602585448021</id><published>2008-07-23T11:44:00.000-07:00</published><updated>2008-07-23T15:08:31.598-07:00</updated><title type='text'>A espada era a lei</title><content type='html'>Olaf costumava montar em seu cavalo e sair mundo afora reparando as injustiças e as maldades que encontrava pelo caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa dessas tardes, às vésperas do inverno, quando cruzava a região erma do alto Reno, Olaf topou com um senhor que açoitava impiedosamente seu vassalo. Aquilo fez ferver o sangue do cavaleiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Opa-lá-lá!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pois não, senhor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ordeno-lhe que pare agora mesmo de surrar esse pobre homem, sob pena de ter que se haver com a fúria de Satiagraha!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Saúde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O quê?! Então desdenhas Satiagraha, a espada mitológica dos reis do norte?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, sim. Uma espada. Eu já devia ter imaginado que o senhor era um cavaleiro andante. Eles abundam nesses tempos. Devo chamá-lo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olaf Elmo de Rena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aristeu de Rotemburgo, às ordens. E este é meu vassalo, Arenque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Salve. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Onde estávamos mesmo, senhor Olaf?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu intimava o senhor a parar de bater nesse homem indefeso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Claro. Afinal é isso que vocês, cavaleiros andantes, fazem: promovem a justiça. Mas será que em algum momento já pararam para pensar que nem em todos os lugares as pessoas querem a justiça? Que em alguns momentos o injusto e o opressor são realmente desejáveis? Por que antes de agir, com seu heroísmo habitual, os senhores não perguntam: "Olá, como vão? Sou um cavaleiro andante. Meus serviços são bem-vindos nesta freguesia?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Atchim!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- De novo a espada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, não, desculpe. É esse vento. Mas continue que o discurso do senhor está bastante bonito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O cavaleiro chega galopando no seu cavalo e me avista açoitando um homem neste campo abandonado. É natural pensar: olha, um desumano, um monstro. Na sua condição de cavaleiro andante, profissão muito honrada, aliás, o senhor sente-se impelido em deter minha violência. Mas olhe lá, vamos conversar antes de tomar decisões precipitadas. Será que este homem, este senhor Arenque, este pobre vagabundo, não consente em tomar a surra que lhe aplico? Será que não aceita ser enxovalhado dessa maneira em paga de um favor ou concessão que lhe fiz? Ou ainda para fugir de castigo maior? A verdade, cavaleiro Olaf Elmo de Rena, é que o próprio Arenque me pediu para tratá-lo nesses termos em que o senhor nos flagrou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas como pode?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acontece que este homem, vassalo de minha família já há alguns anos, fiel cumpridor de seus deveres servis, tem o hábito de freqüentar as tavernas à noite. Todos cultivamos nossos vícios, que fazer? A esposa já lhe deu um ultimato, mas Arenque continua escapando e volta para casa sempre com uma desculpa diferente. Só que na última madrugada ele se excedeu de tal maneira que já é meio-dia e ainda está na rua. Então teve uma idéia. Vai dizer à esposa que foi atacado por um bando de assaltantes. E me chamou para ajudá-lo a tornar a farsa um pouco mais verossímil. Entende agora o que se passava antes de nos interromper, mestre Olaf? Por pouco o senhor e seu ímpeto de herói não estragam o casamento de um homem honesto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oh!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vê como é sutil o mundo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- De fato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Espero que não tenha estremecido demais as suas convicções. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, de modo algum. Vai haver sempre um lugar em que meus braços e minha espada poderão servir a algum injustiçado. Tomarei somente o cuidado de analisar bem a situação e pensar duas vezes antes de desembainhar Satiagraha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Saúde.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-1970752602585448021?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/1970752602585448021/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=1970752602585448021' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/1970752602585448021'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/1970752602585448021'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2008/07/espada-era-lei.html' title='A espada era a lei'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-3758070491128223113</id><published>2008-07-18T08:59:00.000-07:00</published><updated>2008-07-18T09:15:17.170-07:00</updated><title type='text'>O morcego dentro de nós</title><content type='html'>Um sujeito que só traja preto, como se vivesse em luto eterno; inspira-se no morcego - mesmo quando há cisnes no mundo - e se faz conhecer por Cavaleiro das Trevas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é ao Batman que vou assistir hoje à noite. É a mim mesmo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-3758070491128223113?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/3758070491128223113/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=3758070491128223113' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/3758070491128223113'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/3758070491128223113'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2008/07/o-morcego-dentro-de-ns.html' title='O morcego dentro de nós'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-174142084870103918</id><published>2008-07-15T12:07:00.001-07:00</published><updated>2008-07-15T13:43:55.628-07:00</updated><title type='text'>Estrelas</title><content type='html'>O pessoal da firma foi passar o fim de semana numa fazenda. Todo mundo muito animado, festejando até alta  madrugada. De repente o Marcondes puxa a Teresa pelo braço:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tá vendo aquilo ali? É o céu. Olha o tanto de estrela. Teresa, fala sério, você nunca viu um céu tão estrelado assim, já? Aposto que não. Na cidade não tem isso. Na cidade o céu tem uma estrela ou duas. Culpa da iluminação, dos neons, dos faróis. Quem mora na cidade não faz a menor idéia de como o ceú é estrelado. Isso é vida, Teresa? Não saber como são inúmeras as estrelas que existem acima de nós? Milhares de pontinhos luminosos, que na verdade são explosões cósmicas, que na verdade são a pulsação do todo universal, e nós aqui embaixo, ignorantes de toda essa grandeza. Isso é vida? Não é. Não é!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Marcondes, você bebeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, Teresa. Pelo contrário, eu nunca estive tão sóbrio em toda minha vida. É esse céu que me faz enxergar a verdade. A luz lá em cima penetra e clareia minha mente aqui embaixo. Vejo e compreendo tudo. Estrelas, me invadam! Ursa-maior, me  invada, eu a conclamo! Os poetas diriam "milhares de estrelas salpicam o firmamento"; eu digo simplesmente... ou melhor, não digo nada, porque estou estupefato. É isso. Estou sem palavras. Quase não me sinto capaz de articular uma sílaba sequer. Eu cantaria uma ária de Verdi exatamente agora, se conhecesse alguma. Ou dançaria. Mas ainda assim não conseguiria exprimir a milésima parte do meu deslumbramento. Vou lembrar deste instante sublime pro resto da minha vida. Obrigado por compartilhá-lo comigo, Teresa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Marcondes, você tá dando em cima de mim? Tá achando que eu vou cair nesse papo pseudo-poético?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, Teresa, não, você está enganada. Não nego que você seja uma mulher deslumbrante, talvez a mais deslumbrante que eu já tenha visto. Talvez não, você de fato é a mulher mais fascinante que eu já conheci. Nem na TV vi uma igual. Inclusive a única coisa que me motiva a continuar indo para aquele trabalho insuportável é saber que vou te encontrar lá, sentada na sua mesa, metida num terninho preto e de pernas cruzadas. Aliás, Teresa, nunca perca seu jeito de cruzar as pernas, a direita apenas levemente apoiada sobre a esquerda, fazendo força mais na ponta do pé do que nas coxas propriamente ditas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Marcondes!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas Teresa, hoje você não significa nada para mim. Só consigo me concentrar nas estrelas, minhas musas nesta madrugada, desculpe. Você é atraente, mas elas são radiantes. O que posso fazer? Não é demérito ser ofuscada pelo Universo. Oh, como eu queria saber o nome de cada uma das constelações, para poder fazer poesias em homenagem a elas e cantá-las antes de dormir. Oh, como dói não saber como lhes chamar! Vê aquela ali, a grande, formada por umas dez ou doze estrelas? Para mim é Andrômeda, mas pode ser Aquário ou então Órion. Ou então qualquer outra! Houve uma época, remota na história do homem, em que nossos antepassados conheciam a posição exata de cada estrela no céu, bem como seus nomes e suas utilidades para a orientação na savana. Eles se orientavam pelas estrelas, dá pra acreditar? Hoje nós perdemos tudo isso. E o que mais perdemos junto? O que mais? Perdemos a capacidade de contemplar o céu. Hoje, em homenagem aos meus antepassados, eu contemplo o céu. Contemplo e me ajoelho diante de tanta beleza. Venha, Teresa, ajoelhe-se também. Olha, uma estrela cadente! Feche os olhos e faça um pedido!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma hora depois estavam os dois deitados na cama, fumando:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Admite, Marcondes. Você planejou isso. Foi tudo uma estratégia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não foi, juro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-174142084870103918?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/174142084870103918/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=174142084870103918' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/174142084870103918'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/174142084870103918'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2008/07/estrelas.html' title='Estrelas'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-927817012462901197</id><published>2008-07-12T21:13:00.000-07:00</published><updated>2008-07-12T21:14:57.206-07:00</updated><title type='text'>Sabedoria que emana de um tonel - meio vazio</title><content type='html'>O ébrio tem razões que a própria razão desconhece.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-927817012462901197?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/927817012462901197/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=927817012462901197' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/927817012462901197'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/927817012462901197'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2008/07/sabedoria-que-emana-de-um-tonel-meio.html' title='Sabedoria que emana de um tonel - meio vazio'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-2998557446238867802</id><published>2008-07-11T21:33:00.000-07:00</published><updated>2008-07-11T21:45:57.370-07:00</updated><title type='text'>Uma correção e, ao mesmo tempo, uma contribuição</title><content type='html'>No início do ano postei um texto dizendo que era uma vergonha o dinheiro aqui no Brasil ser estampado com animais. E cheguei até a listar algumas personalidades nacionais que poderiam substituir nossa fauna nas cédulas. Perdoem-me, hoje vejo que estava completamente enganado. Se existe um país que tem o direito de pintar animais no dinheiro, esse país é o Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, a escolha de quais animais devem ser homenageados foi errônea. Vai aqui uma sugestão para o Banco Central:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 real: anta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2 reais: capivara&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10 reais: fica a arara mesmo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;20 reais: fica o mico mesmo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;50 reais: fica a onça mesmo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;100 reais: jumento&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-2998557446238867802?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/2998557446238867802/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=2998557446238867802' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/2998557446238867802'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/2998557446238867802'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2008/07/uma-correo-e-ao-mesmo-tempo-uma.html' title='Uma correção e, ao mesmo tempo, uma contribuição'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-2042864878584474351</id><published>2008-07-11T11:47:00.000-07:00</published><updated>2008-07-11T15:24:09.338-07:00</updated><title type='text'>A mulher do protocolo</title><content type='html'>A mulher do protocolo se chamava Candice. Talvez fosse bonita na época em que ainda era a moça do protocolo. E mais risonha. Daquele tempo, mantinha sua dedicação ao trabalho, que permanecia irretocável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Candice trabalhava na presidência da república desde que a capital foi para Brasília. Serviu sob o regime militar e nos vinte anos que se seguiram à redemocratização, sempre com o mesmo afinco, jamais manifestando qualquer preferênca política ou partidária. Por ser discreta, era apreciada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Alvorada diziam que ela era quase tão antiga no palácio quanto as emas do jardim. Um dia, um daqueles bichos, o mais velho, morreu. Ouviram Candice murmurar para as paredes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu a conheci quando ainda era um ovo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Candice desempenhava uma função delicada. Cabia a ela puxar os aplausos do auditório quando uma autoridade terminava seu discurso. Um segundo de atraso poderia deixar um chefe de estado, quem sabe, constrangido, humilhado, com a idéia de que não teria agradado à platéia. Para que fatos lamentáveis assim não ocorressem, existia Candice.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela havia se tornado uma mestre em sua arte. Tinha desenvolvido um tal ouvido que conseguia distinguir o fim de qualquer discurso com vinte e duas palavras de antecedência. Mal o palestrante terminava, o auditório já se desfazia em palmas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não raro ela topava com um desafio. Houve uma vez em que o FHC foi falar sobre o impacto do câmbio flutuante na vida do brasileiro comum para uma platéia composta por alunos da sexta à oitava série. Candice teve que se desdobrar, mas no final o presidente foi aplaudido de pé. Ele mal pôde conter uma lágrima no canto do olho. Candice, então, sentia-se, recompensada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há pouco tempo correu a notícia de que o primeiro-ministro da Buldávia viria ao Brasil fechar acordos importantes sobre etanol. Estava previsto um discurso em Brasília. Candice exasperou-se. Ela não falava buldavo. Tinha feito várias línguas exóticas - romeno, grego, russo, suomi -, mas não o buldavo. Como foi cometer esse erro? Agora estava perdida, porque não conseguiria identificar o exato momento em que terminaria o discurso do primeiro-ministro. E não haveria palmas. E sem palmas, corria-se também o risco de não haver acordos sobre etanol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Candice não perdeu tempo. Como tinha ainda duas semanas antes da visita oficial, mergulhou nos livros. Estudava dia e noite. Contratou um professor da embaixada. Respirava, comia e bebia em buldavo. Ao cabo de dez dias, já tinha um domínio razoável do idioma.    &lt;br /&gt;    &lt;br /&gt;No dia do pronunciamento do primeiro-ministro, Candice estava em perfeita tranqüilidade. Tanta confiança provinha de extrema dedicação, marca registrada de sua conduta ao longo de todos esses anos. Observou que o auditório estava cheio. "Tanto melhor. Mais palmas". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro-ministro não se alongou por mais de dez minutos. Antes mesmo de pronunciar a última sílaba da última palavra - que era Zvratska, "obrigado" em buldavo - os apluasos já ribombavam pela sala. Candice corou de orgulho. Mas notou que, curiosamente, o primeiro-ministro não ficou satisfeito como ela imaginava. Diria até que ele estava em certa medida contrariado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À noite um assessor da presidência da república bateu à porta do quarto de Candice. Foi dizer que o presidente brasileiro e o primeiro-ministro buldavo estavam muito chateados com a reação do auditório após o discurso. Na Buldávia, bater palma era um gesto ofensivo, porque, nos mais de trezentos anos em que os buldavos foram escravos dos otomanos, era assim que os amos chamavam os subordinados. O presidente esperava que a senhora do protocolo - o assessor escandiu bem essas últimas palavras - soubesse desse particular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim o assessor estendeu um papel a Candice. Era a exoneração. Candice estava destituída do seu cargo no protocolo. No entanto, em reconhecimento aos serviços prestados ao longo dos últimos anos, o presidente lhe concedia uma nova função no palácio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daquele dia em diante Candice passou a trabalhar no estábulo das emas. Ela não sabia explicar, mas desconfiava que estava mais contente ali.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-2042864878584474351?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/2042864878584474351/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=2042864878584474351' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/2042864878584474351'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/2042864878584474351'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2008/07/mulher-do-protocolo.html' title='A mulher do protocolo'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-7930314316853648432</id><published>2008-07-03T12:57:00.000-07:00</published><updated>2008-07-03T14:00:01.757-07:00</updated><title type='text'>A mar</title><content type='html'>Foi só no domingo, vendo um filme no cinema, que me dei conta de um fato aterrador, mas para o qual nunca dirigimos a devida atenção. Uma questão que, se não tem grandes implicações materiais, descortina um olhar surpreendentemente cristalino sobre a vida. É como se repentinamente passássemos a enxergar luzes onde antes só havia trevas e fumaça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A constatação não poderia ser mais simples: atinei, pela primeira vez, que, em francês, o substantivo "mar" vem na forma feminina, e não na masculina, como em português, por exemplo. La mer. Justo e óbvio. O mar é uma mulher, é preciso ser um ogro para não percebê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca a afirmação de que se conhece um povo pela língua falada se mostrou tão procedente como agora. Os franceses historicamente estão na vanguarda do pensamento universal. Ter partido deles a idéia de tratar o mar como uma mulher não surpreende. Decepcionante é notar que os portugueses, cujo passado glorioso é praticamente indissociável das ondas, da espuma e da água salgada - a ponto de terem escrito a respeito as seguintes palavras "Ó mar salgado/ Quanto do teu sal são lágrimas de Portugal?" - tenham esse tempo todo se dirigido a ele como a um homem, um sujeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os portugueses desvendaram a superfície dos sete mares. Os franceses, a alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós, brasileiros, não precisamos ficar reféns do legado de nossos patrícios. Doravante, os leitores só me verão escrever A Mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em tempo: a mar é uma mulher, mas nem todas as mulheres são como a mar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-7930314316853648432?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/7930314316853648432/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=7930314316853648432' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/7930314316853648432'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/7930314316853648432'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2008/07/mar.html' title='A mar'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-5073450439292984904</id><published>2008-06-27T10:38:00.000-07:00</published><updated>2008-06-27T15:48:03.303-07:00</updated><title type='text'>Enólogos</title><content type='html'>Uma das principais marcas dos nossos dias é a crítica de vinhos altamente especializada. Ela está no rádio, na televisão e nas festas de família, graças a algum cunhado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como chegamos a isso? Por que tanta degeneração? Onde foi que a civilização errou? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O momento decisivo foi, claro, a Revolução Francesa. Os insurgentes combateram a monarquia, o direito divino, os privilégios do primeiro estado, mas se esqueceram do fundamental: dissociar, na cabeça das pessoas, a idéia de nobreza da de prestígio social. Assim, a burguesia tomou o poder, mas a maneira nobre de se portar continuou regendo a elite mundo afora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A nobreza foi vencida. Seu poder de fascinação, não. E como tudo aquilo que sobrevive a uma reviravolta social, se fortaleceu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso hoje, quando alguém procura afetar importância, saca de algum gesto grã-fino. Como discorrer sobre um vinho para a namorada:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Este tinto não te parece meio social-democrata, amor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Com leves notas de totalistarismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que vivemos numa época de exageros, onde tudo é elevado à última potência. E não há limites. Desconfio de já ter ouvido o seguinte diálogo na fila da padaria:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tenho um Cabaret du Croissant que me lembra Machado na fase romântica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oh!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já perdi a esperança de que algum dia voltemos a encarar os vinhos como apenas uma bebida. Ou as músicas pelo o que elas são, e não pelo que nos forçamos a enxergar nas entrelinhas. Tenho um amigo que percebe uma clara alusão à revolução russa de 17 em toda obra de arte, mesmo que tenha sido produzida antes do século XX. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encaremos uma pedra no meio do caminho como nada mais que uma pedra no meio do caminho. Sob pena de, num futuro não muito distante, as pessoas começarem a não se entender em mais nada. E os diálogos tornarem-se completamente inviáveis:       &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bonita camisa, Nadja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que você quer dizer com isso? Que meu decote é tão chamativo que você não consegue parar de olhar? Ou que a camisa é feia, mas não tem problema porque você quer mesmo é me ver sem ela? Ou o engraçadinho está sugerindo que ganhei a camisa de presente do chefe, o que deixaria bem claro que, como afinal dizem por aí, eu tenho um caso com ele?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-5073450439292984904?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/5073450439292984904/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=5073450439292984904' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/5073450439292984904'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/5073450439292984904'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2008/06/enlogos.html' title='Enólogos'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-8912181804908694997</id><published>2008-06-25T14:12:00.000-07:00</published><updated>2008-06-25T15:47:23.075-07:00</updated><title type='text'>Ana Alieksandronova</title><content type='html'>A vida inteira nunca estive realmente sozinho, mesmo nos momentos em que parecia não haver mais ninguém. Meu medo estava sempre ali, à espreita, aguardando a hora de roubar a cena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desconfio que ele me acompanhe desde o dia em que nasci, numa já distante e chuvosa madrugada de dezembro. Quando chorei ao deixar o útero, foi o pavor de ver todo aquele instrumental cirúrgico ao redor que me fez chorar, e não o tapa do médico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro como se fosse ontem dos suores que me acossavam à noite, na época de criança. Morria de medo que gárgulas viessem assombrar o quarto. Cheguei a ver um, em certa ocasião, mas ele se desculpou, entrou no armário e disse que era engano. A partir daí insisti com minha mãe para transferir o fox paulistinha para dentro de casa. Então eram três que passavam a madrugada em claro: eu, Rex e meu medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para muitos a transição da infância para a adolescência significa deixar o mundo da fantasia para trás. Comigo foi mais ou menos assim. Meus medos migraram dos seres míticos para os de carne e osso. Passei a tremer só de pensar em assaltantes, professores, palhaços de semáforo, chefes de gangues da escola e tudo o mais que pudesse me bater, humilhar ou causar vergonha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais recentemente na linha da vida, houve ainda uma outra transformação na natureza de meus medos, sutil, mas determinante. Agora temo as pessoas em geral. Todas elas. Não precisam mais exercer um ofício amedrontador ou representar uma classe em especial. Nem serem absurdamente feias ou portarem um revólver. Basta serem pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De tão íntimo que somos, e ciente de que vamos passar o resto da vida juntos, decidi batizar meu medo de Ana Alieksandronova, para facilitar a relação. Escolhi um nome russo, porque tem mais a ver com nós dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso reconhecer que Ana Alieksandronova já me salvou algumas vezes. Como na época em que me impediu de acompanhar o primo Douglas no vôo de asa delta. Não aconteceu nada com o Douglas. Mas comigo, quem pode garantir que não seria diferente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todavia Ana começa a se tornar um incômodo insuportável demais. Não nego que de vez em quando me flagro pensando em expulsá-la. Mas quando olho para aquela carinha, aquele sorriso cativante, simplesmente toda coragem se esvai. Vou ter que pedir uma ajuda para a minha força de vontade, o Nestor. Só que ele é meio indolente e, ao contrário de Ana, não me visita quase nunca. Da última vez que o vi, Nestor estava de malas prontas para a Bahia e passou lá em casa só para dizer que não ia levar o celular. Isso já faz oito anos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-8912181804908694997?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/8912181804908694997/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=8912181804908694997' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/8912181804908694997'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/8912181804908694997'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2008/06/ana-alieksandronova.html' title='Ana Alieksandronova'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-1173975329299780297</id><published>2008-06-23T10:16:00.000-07:00</published><updated>2008-06-25T14:05:23.625-07:00</updated><title type='text'>Peçanha dá novas mostras de sua argúcia</title><content type='html'>Assistindo aos jogos da Eurocopa, inquietou-me uma questão, que ora não tem me deixado dormir. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebi que, na festa das arquibancadas, torcedores da maioria dos países usam um adorno típico de sua nação para enfeitar a cabeça. Adorno que, a um só tempo, diz muito sobre a história, a cultura e o espírito do país. Por exemplo: torcedores gregos que se fantasiam com elmos espartanos. Ou os espanhóis e seus chapéus de toureiro. Italianos com os louros de César. Nórdicos e o capacete viking, de chifres. Alemães com os chapeuzinhos de tirolês.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acionei a mente para achar qual seria o enfeite de cabeça típico do Brasil.  Vasculhei. Muito assustado, cheguei a isto: "acho que o torcedor brasileiro é um dos poucos que não têm nada próprio de seu país que sirva como capacete, elmo, chapéu ou coisa do gênero". O que é uma tristeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem o chapéu de cangaceiro, mas ele não abrange todo o país, apenas uma região, o nordeste. Pensei ainda na estrutura de frutas que encimava a Carmem Miranda. Também isso não capta a essência do Brasil. O que sobra? O que sobra?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levei essa questão para o amigo Peçanha, filósofo e cabelereiro, certo de que ele, sábio como uma coruja, encontraria uma solução para o caso. Eis suas palavras:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meu caro, antes de se exasperar com o quê colocar em cima da cabeça, o brasileiro precisa primeiro preocupar-se em botar algo dentro dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A diferença que não faz ter um gênio por perto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-1173975329299780297?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/1173975329299780297/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=1173975329299780297' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/1173975329299780297'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/1173975329299780297'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2008/06/peanha-d-novas-mostras-de-sua-argcia.html' title='Peçanha dá novas mostras de sua argúcia'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-8698047380431372663</id><published>2008-06-04T21:01:00.000-07:00</published><updated>2008-06-10T22:15:11.158-07:00</updated><title type='text'>Totó Evski, o cãozinho suicida</title><content type='html'>Às vezes a vida parece um fardo pesado demais. Até mesmo para um animal de estimação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era o que sentia o frágil Totó Evski, o cãozinho suicida. E epiléptico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele tinha um sonho: enforcar-se na última árvore da Amazônia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bonita imagem. Duas existências diametralmente opostas convergindo para o fim ao mesmo tempo. O titã verde e a insignificância cinzenta (era essa a cor do cãozinho). O universo e o átomo caindo juntos no abismo. O pulmão do mundo, pelo qual todos chorariam, e a vergonha da criação, de quem nem as pulgas sentiriam falta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De imaginar coisas belas assim seus olhinhos de canino marejavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Totó Evski tinha arroubos de escritor de vez em quando.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-8698047380431372663?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/8698047380431372663/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=8698047380431372663' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/8698047380431372663'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/8698047380431372663'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2008/06/tot-evsky-o-cozinho-suicida.html' title='Totó Evski, o cãozinho suicida'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-5951997604772373347</id><published>2008-05-23T11:20:00.000-07:00</published><updated>2008-05-23T18:01:54.530-07:00</updated><title type='text'>Lágrimas de sangue</title><content type='html'>Prelúdio:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre quis postar um texto com esse título. E eis que depois de nove meses de blog surge uma oportunidade. Não é a melhor das oportunidades, reconheço. Mas vai saber quando (e se) surgirá outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, o texto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece que faz mais ou menos umas três semanas que meu olho esquerdo, na metade compreendida entre o canto interno e a íris, ali onde deveria predominar a coloração branca como as nuvens, está terrivelmente vermelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E sempre que me olho no espelho, esperançoso de que tudo tenha voltado ao normal, surpreendo-me ao constatar que continuo na mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que seria isso, meu Deus?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que não vou ao médico para descobrir. Uma vez li num livro que só existem três tipos de pacientes: aqueles que não estão doentes, mas vão ao médico porque acham que têm alguma coisa; aqueles que até têm algum problema, mas se curariam de qualquer jeito, mesmo que não procurassem o especialista e, finalmente, aqueles que estão tão doentes que não fará diferença alguma se forem ou não ao médico. Eu, que já era bastante contrário a freqüentar consultórios, achei o respaldo teórico que me faltava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vasculho por minha conta as causas que estariam por trás de tão misterioso sintoma. Submeto-as a vocês. Se houver alguém que tenha chegado a diagnóstico diferente, por favor não deixe de me alertar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olho esquerdo vermelho. Causas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a) A crise dos 22. Nesse período da vida, para aqueles que insistem em não fugir para o campo, somos acossados por uma série de chateações. O corpo reage de diversas formas: em uns cai o cabelo, noutros falha a sanidade, numa minoria excêntrica enrubescem os olhos. (Numa minoria mais excêntrica ainda ocorrem os três sintomas juntos e ainda outros mais)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;b) A baixa umidade relativa do ar. Por que não? Só porque nasci em Brasília não significa que estou imune à seca. É verdade que a vida inteira escarneci de quem apresentava reações à poeira e outras frescuras, mas e daí? Sou humilde o suficiente pra admitir que também me tornei sensível a essas intempéries. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;c) E agora a melhor e a mais provável hipótese. Na realidade, nem sei por que ainda sustento as outras, de tanto que estou convencido de que é esta a verdadeira. Meu olho está vermelho senão graças ao fato de que finalmente estou me tornando um vampiro. Já era tempo. Espero ser um morto-vivo simpático e elegante. Obrigado a todos que me incentivaram e me deram o apoio necessário para chegar até aqui. Eu não teria conseguido sem vocês.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-5951997604772373347?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/5951997604772373347/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=5951997604772373347' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/5951997604772373347'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/5951997604772373347'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2008/05/lgrimas-de-sangue.html' title='Lágrimas de sangue'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-4243283932317562445</id><published>2008-05-22T14:02:00.000-07:00</published><updated>2008-05-23T11:22:32.589-07:00</updated><title type='text'>Índios</title><content type='html'>Muita gente acha que os índios brasileiros são uns selvagens. Discordo. Acontece é que estão muito mal assessorados. Precisam urgentemente de um personal civilizator, o profissional perfeito para tirar alguém da barbárie sem que a pessoa perca a originalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falta, por exemplo, alguém para lhes dizer que aquela indumentária do neolítico tardio está totalmente ul-tra-pas-sa-da. Salvos os seios de fora, nada do que os índios usam combina com a nossa urbano-modernidade. Fica muito difícil de aceitá-los assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra coisa: aqueles cabelinhos. Por Tupã! Não é porque o sujeito mora numa tribo que obrigatoriamente ele vai ter que aparar as madeixas debaixo de uma cuia. Sem contar que esse papo de corte à la Papa-Capim pode até funcionar para crianças dos zero aos três anos de idade, mas não num índio de verdade, porque aí já vira pleonasmo capilar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, se os índios realmente querem ter voz ativa na sociedade - causa muito justa, uma vez que são tão brasileiros como todos nós, diria até mais, porque estavam aqui antes mesmo do Brasil chegar - estão muito enganados pensando que vão conseguir isso retalhando o pessoal a golpes de facão. Não discuto o método, que é até bem eficiente e econômico. O problema é que vai ter sempre alguém da imprensa dita séria&lt;br /&gt;classificando o gesto como "coisa de bárbaros". E nós sabemos que contra essa classe de profissionais não adianta lutar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os índios têm é que mudar o tom do diálogo. Num país de lordes, a sofisticação do discurso faz muita diferença. Em vez de perderem tempo brigando por questões arcaicas como terras, preservação de rios e outras bobagens silvícolas, deveriam concentrar esforços em adaptar a pauta de reivindicações ao Brasil pós-Investment Grade. Peçam ações na Bolsa. Peçam uma alíquota de 0,8 por cento sobre operações financeiras que seja revertida integralmente para a reforma de ocas. Quero ver se não vão angariar o apoio de setores significativos da sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os índios são ao mesmo tempo uma minoria oprimida, exótica e representativa das raízes do Brasil. É muito fácil gostar deles. Mas eles precisam colaborar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-4243283932317562445?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/4243283932317562445/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=4243283932317562445' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/4243283932317562445'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/4243283932317562445'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2008/05/ndios.html' title='Índios'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-2230121062679628858</id><published>2008-05-05T10:55:00.000-07:00</published><updated>2008-05-05T21:01:40.784-07:00</updated><title type='text'>Idiossincrasias do ano 2028</title><content type='html'>- Pai?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que coisa estranha é esta aqui na foto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É um jacaré, filho. Um animal que habitava o planeta antes do grande aquecimento de 19.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Uau!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você iria gostar dele. Tinha uma cauda gigantesca, escamas por todo o corpo e uma mandíbula tão forte que conseguia arrastar qualquer tipo de presa pra dentro da água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nossa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pai?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hum?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E o que era água?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*   *   *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pai?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A professora disse que você não vai para o céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E por que ela diria um negócio desses?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Porque você toma comprimidos de células-tronco, feitos de bebezinhos mortos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acho que a professora está exagerando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu também. Depois que inventaram o tele-transporte nem o céu é um lugar tão inacessível assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*   *   *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pai?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Diga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como foi que o Venerável Rei perdeu o dedinho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Num acidente, há muito tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Na época do primeiro golpe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Na época do segundo golpe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Também não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Foi na época da Guerra do Etanol?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, foi antes de tudo isso. Foi no tempo em que ainda existiam jacarés.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-2230121062679628858?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/2230121062679628858/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=2230121062679628858' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/2230121062679628858'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/2230121062679628858'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2008/05/idiossincrasias-do-ano-2028.html' title='Idiossincrasias do ano 2028'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-4295903109230147447</id><published>2008-04-25T11:17:00.000-07:00</published><updated>2008-04-25T12:11:12.023-07:00</updated><title type='text'>Uma fraqueza</title><content type='html'>Os vampiros, já o dissemos mais de uma vez, são criaturas atrozes. Felizmente têm um ponto fraco, sem o qual já teriam dominado o mundo há algum tempo: mulheres com orelhas de elfa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cito o caso de Clondike Wallace, renomado morto-vivo da Renascença, cuja fúria e destemor lhe teriam valido um império inteiro não fosse sua respiração falhar e as forças lhe abandonarem toda vez que Natasha se aproximava num raio de pelo menos dez metros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Natasha tinha singulares orelhas de elfa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui é necessário um esclarecimento: orelhas de elfa de modo algum devem ser confundidas com orelhas de duende. Há um abismo enorme as separando. As primeiras são singelas e levemente afuniladas no cimo; as segundas são excessivas e grotescas, orbitando a uma certa distância da base, o que lhes dá um aspecto curiosamente cubista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vampiros, como bem sabemos, preferem a arte clássica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles têm ainda um outro gosto muito peculiar, provavelmente herdado dos velhos condes dos Baixos-Cárpatos, condes estes muito heterodoxos em matéria de preferências: mulheres com dentes de castor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse último caso, pelo menos há certa fundamentação metafísica. Porque o beijo dos caninos proeminentes encaixaria à perfeição na anatomia dentária da castorzinha, e vice-versa. E isso, para o amor, é bonito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-4295903109230147447?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/4295903109230147447/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=4295903109230147447' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/4295903109230147447'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/4295903109230147447'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2008/04/uma-fraqueza.html' title='Uma fraqueza'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-3499310041773085448</id><published>2008-04-25T10:41:00.000-07:00</published><updated>2008-04-25T11:13:56.886-07:00</updated><title type='text'>São Balão</title><content type='html'>Dedicar a vida a cuidar da alma do próximo é um gesto fraterno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas dedicar a morte para trazer um pouco de graça ao mundo é divino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O padre nos afasta do pecado. O humorista, do tédio. Quando esses dois se fundem numa pessoa só, sai um santo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso nós, que em matéria de religião não esperamos o intermédio de terceiros, já acolhemos em nosso altar a figura de São Balão, o padroeiro do riso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vôo rumo ao nada, só agora me dei conta, é uma metáfora. Assim deve ser a alma, livre, sem roteiros pré-estabelecidos, brincalhona, limitada senão entre estas duas paredes:o céu e o mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes não enxergamos tais verdades. Obrigado, São Balão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-3499310041773085448?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/3499310041773085448/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=3499310041773085448' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/3499310041773085448'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/3499310041773085448'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2008/04/so-balo.html' title='São Balão'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-377574754861115370</id><published>2008-04-14T21:02:00.000-07:00</published><updated>2008-04-19T15:41:27.107-07:00</updated><title type='text'>Diário de uma ocupação 4</title><content type='html'>Capítulo IV&lt;br /&gt;O quadragésimo quinto dia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Edmond está irreconhecível. Os aspectos físicos são os que primeiro saltam aos olhos: a imensa barba onde antes havia um queixo pudico, a cabeleira desgrenhada, uma barriga recém conquistada. Mas talvez as maiores mudanças tenham acontecido no interior deste jovem homem: havia agora um brilho no olhar, em substituição à mansidão exagerada de outrora. Edmond entrou no gabinete cordeiro, sairia raposa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde o terceiro dia de ocupação ele era o líder moral do movimento. Naquela crítica noite em que os insurgentes estavam acuados no gabinete, sem ter como resistir e nem como empreender uma fuga honrosa, Edmond trouxe-lhes a salvação. Caminhou até a estante de livros e pressionou " O Conde de Monte-Cristo". A passagem secreta se abriu. Um canal direto com o exterior, livre da fiscalização policial, estava estabelecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comida, bebida, roupa de cama, artigos de higiene. Nunca mais os ocupantes passariam por privações. O gabinente poderia ficar tomado por meses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A situação arrastou-se de tal modo que o reitor não teve outra escolha senão a renúncia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No quadragésimo quinto dia foi realizada a desocupação. Edmond saiu carregado nos braços de seus companheiros.&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;*** &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Numa tarde dessas, Edmond corria no parque quando topou com a última pessoa no mundo que esperava encontrar: o reitor.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;- Olá! Mas não é o jovem noivo? Você está diferente, rapaz! Essa barba, esse cabelo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;- Olá, reitor. Tudo bem?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;- Graças a Deus.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;- Eu não sabia que o senhor também corria.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;- Ah, na minha idade não temos muita escolha. Ou fazemos algum exercício, ou...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;- Escuta - disse Edmond - espero que o senhor não tenha ficado chateado com tudo que aconteceu. Quero dizer, eu também participei da ocupação, até cheguei a liderar o movimento...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;- Não, que isso! Não precisa dar explicações. As coisas acontecem exatamente como deveriam. Está escrito. Quem somos nós para querer diferente? Eu estou bem, de verdade, estou bem.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;O reitor bebe um gole d´água e continua:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;- Aliás, eu também tenho um negócio pra te contar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;- Me contar?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;- Isso. Casei com a Natasha.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;- Não brinca!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;- Sério. Naquele dia, quando eu saí da reitoria, corri direto para a igreja. Eu sabia que você iria ter problemas para chegar na hora marcada, por isso fui avisar sua noiva e os convidados. Mas quando vi a Natasha, toda de branco, caí perdidamente apaixonado. Aproveitamos a igreja decorada e o padre a postos para casar ali mesmo. Foi bonito.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;O reitor e Edmond se olharam com aquela expressão que costumamos fazer quando pensamos "como é incrível a vida!".&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;- Minha esposa é a revolução - disse Edmond.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Os dois trocaram um aperto de mãos verdadeiramente afetuoso. Eles estavam para sempre ligados por um laço maior que o parentesco ou a amizade: o destino. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Despediram-se e já iam se afastando quando o reitor virou para trás e disse:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;- Você usou a passagem secreta, não foi?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;- Foi.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;- Será que você não encontrou uma caneta bico-de-pena perdida lá dentro? Acho que deixei cair na pressa da fuga.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;- Não, não encontrei nenhuma.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;- Ah.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;E nunca mais se viram na vida.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-377574754861115370?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/377574754861115370/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=377574754861115370' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/377574754861115370'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/377574754861115370'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2008/04/dirio-de-uma-ocupao-4.html' title='Diário de uma ocupação 4'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-8004951114038490276</id><published>2008-04-10T12:04:00.001-07:00</published><updated>2008-04-19T15:15:14.064-07:00</updated><title type='text'>Diário de uma ocupação 3</title><content type='html'>Capítulo III&lt;br /&gt;O segundo dia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Edmond acordou de seu abismo só na manhã seguinte. Foi uma voz que o despertou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Picanha mal-passada, vai?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em que lugar adorável tinha se transformado o gabinete do reitor! Não era mais aquela sala de despachos impregnada da desolação que tão bem caracteriza os ambientes onde a burocracia se instala. A vida agora pulsava ali. Grande parte dessa transformação era devida ao animado grupo que confraternizava em torno da churrasqueira, perto da grande janela. Também contribuíam a roda de samba e o futebol de sabão improvisado no tapete persa. Edmond, apreciando o cenário, quase se esqueceu de que era um infeliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Contra o quê estamos protestando? - perguntou ao rapaz que lhe oferecia picanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Contra o reitor. A gente só sai daqui quando ele renunciar ao cargo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto passou o pãozinho com alho e Edmond não pensou em mais nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tarde inteira transcorreu mui deliciosamente. O próprio Edmond custava a acreditar, mas ele se divertia. Aquelas pessoas ali, seus novos camaradas, irmãos em armas, não eram, no final das contas, gente tão estranha assim. Ele estava até fazendo amizades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha, por exemplo, o Ubiratan, um exímio tocador de violão. Sua especialidade era compor músicas de desagravo ao Médici. Belíssimas canções. O general se aborreceria bastante se ainda estivesse vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra figuraça era o Tudesco, romeno da Valáquia, radicado no Brasil aos 14 . Isso sem falar no Tumba, no Xenofantes, na Tigresa, no Carlinhos - que dizia-se, era ninja - no Jessé e no Gata- Magra, o líder, cujo anel não levava a figura de uma caveira, como havíamos pensado, e sim o próprio retrato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final da tarde Edmond, no seu íntimo, agradecia por aquelas companhias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele queria retribuir a calorosa acolhida. De alguma maneira ajudar o movimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A oportunidade não tardou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De madrugada, justamente na crítica hora em que os ânimos flertam com o desepero, Gata-Magra reuniu o conselho de guerra. A situação era emergencial. Os ocupantes perdiam força numa velocidade insustentável. Como a rampa que dava para o gabinete do reitor estava bloqueada por agentes da polícia, era impossível renovar o estoque de alimento, bebida e objetos de higiene. A revolução iria morrer de inanição. Ou os estudantes descobriam uma alternativa para fazer seus insumos chegarem à sala ocupada, ou estariam fadados ao fracasso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Edmond pediu a palavra:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu tenho a solução.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-8004951114038490276?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/8004951114038490276/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=8004951114038490276' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/8004951114038490276'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/8004951114038490276'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2008/04/dirio-de-uma-ocupao-3.html' title='Diário de uma ocupação 3'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-6991364730310642729</id><published>2008-04-07T11:41:00.000-07:00</published><updated>2008-04-19T15:13:32.647-07:00</updated><title type='text'>Diário de uma ocupação 2</title><content type='html'>Capítulo II&lt;br /&gt;a primeira tarde&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando Edmond entendeu o que estava acontecendo - o que não levou mais de cinco minutos -, quando viu que tinha se metido, por puro acaso, no meio de uma manifestação estudantil contra o reitor, foi até capaz de rir. Teria chorado se pudesse antever o desfecho. Porém achou graça no início. Só não tinha conseguido que assinassem sua trasferência, mas tudo bem. Isso poderia ser resolvido numa outra hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levantou-se e caminhou para o rumo da porta arrombada. Dois estudantes de sentinela lhe barraram a passagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que Edmond simplesmente não recorreu à violência, acertou dois chutões nos tornozelos dos sentinelas e saiu correndo porta afora? Porque era um civilizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resolveu procurar o líder dos estudantes, o sujeito do anel de caveira. Foi encontrá-lo reunido com o conselho de guerra:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olá, desculpe interromper. O senhor me parece sensato. Ótimo. Escuta: eu não faço parte do seu grupo. Estava aqui conversando com o reitor e de repente...vush! dá pra acreditar? Que coisa, rapaz! Só que eu tenho um casamento, o meu, daqui a pouco. Preciso ir embora, entende? Dá pra pedir praqueles dois lá na porta me deixarem passar? É o meu casamen...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nossa esposa é a revolução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o pobre Edmond, que já tinha comprado o champanhe da lua-de-mel, de uma hora para a outra se vê metido nesta desagradável relação poligâmica, onde dividia a parceira (não uma mulher, um ideal obscuro) com uma centena de estudantes que ele nunca tinha visto na vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrou-se do celular. Ligou para a Natasha e contou a ela todas as desventuras do dia. Desde a fuga do reitor até a porta arrombada e finalmente o gabinete ocupado. E disse para a noiva que talvez não pudesse chegar à igreja na hora marcada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Calhorda. - E não atendeu mais o telefone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Edmond mergulhou nesse estado de catatonia profunda, que os poetas chamam simplesmente de abismo. Adotaremos tal nomeclatura.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-6991364730310642729?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/6991364730310642729/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=6991364730310642729' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/6991364730310642729'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/6991364730310642729'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2008/04/dirio-de-uma-ocupao-2.html' title='Diário de uma ocupação 2'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-8198396152585218282</id><published>2008-04-07T10:37:00.001-07:00</published><updated>2008-04-19T15:14:04.454-07:00</updated><title type='text'>Diário de uma ocupação 1</title><content type='html'>Capítulo I&lt;br /&gt;O primeiro dia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia do seu casamento, Edmond acordou cedo, porque tinha ainda negócios a resolver antes da cerimônia. O primeiro deles era na universidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui colocamos um comentário: se o noivo tivesse optado por cortar o cabelo, dar os últimos retoques no terno ou lustrar os sapatos antes de ir à universidade, nada de desagradável teria lhe acontecido naquele dia. Mas quem pode adivinhar as vontades do destino?&lt;br /&gt;Edmond de nada desconfiava. Era feliz na sua ignorância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vez na universidade, procurou o guichê que atendia aos alunos da graduação:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É aqui que eu consigo a transferência pro campus de São Tristão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Motivo da transferência, senhor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Casamento. Minha futura esposa mora lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nesse caso o senhor deve procurar o departamento de emigração, no prédio da reitoria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim fez Edmond.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o departamento de imigração infelizmente nada podia fazer por Edmond. O rapaz deveria procurar a subsecretaria do aluno que troca de estado civil (SATEC). A Sheila da SATEC lamentou muitíssimo, mas o caso era competência do Seu Macedo do almoxarifado, o verdadeiro responsável por aquele tipo de demanda. Tampouco ali Edmond conseguiu o documento de que precisava. Passou ainda em vários outros escritórios até que finalmente foi levado ao gabinete do reitor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quer dizer que você se casa hoje? Meus parabéns.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Obrigado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deixa que eu assino logo esta autorização de transferência. Você deve estar louco pra voltar pra casa. Ah, eu me lembro do dia do meu casamento. Era uma ansiedade rapaz... rá, rá ... uma ansiedade...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse ponto da conversa uma estranha luz vermelha piscou no fundo do gabinete. A tranqüilidade até então reinante na fisionomia do reitor foi substituída por certa inquietação. Ele caminhou até a estante de livros. Com a caneta, deu um toque na lombada do "O Conde de Monte Cristo". Uma passagem secreta surgiu na parede em frente. O reitor correu para ela e antes de desaparecer dentro do túnel escuro, virou-se para Edmond e sussurou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Boa sorte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A passagem se fechou. De algum lugar dentro das paredes ecoavam os passos acelerados do reitor, cada vez mais distantes. A tudo Edmond assistia embasbacado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dez segundos transcorreram sem que o rapaz conseguisse esboçar reação alguma. No décimo-primeiro ele soltou um grito, porque viu a porta do gabinete ser arrombada e dar passagem a uma horda de estudantes furibundos. Um jovel com anel de caveira, talvez o líder do grupo, subiu na mesa e gritou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É isso galera! A reitoria tá ocupada! Ninguém entra e ninguém sai!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Edmond consultou o relógio e percebeu que faltavam seis horas para o casamento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-8198396152585218282?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/8198396152585218282/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=8198396152585218282' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/8198396152585218282'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/8198396152585218282'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2008/04/dirio-de-uma-ocupao-1.html' title='Diário de uma ocupação 1'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-2654675828130549783</id><published>2008-04-07T10:37:00.000-07:00</published><updated>2008-04-19T15:33:17.375-07:00</updated><title type='text'>Lobato, do além, sorri</title><content type='html'>Rapaz, que coisa! Descobriram outro mega poço de petróleo nos mares do Brasil. Daqui a pouco a gente encosta em Dubai. E então todo brasileiro médio poderá ter seu próprio harém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é como vaticinou meu amigo desembargador Dominique: essa história está com cara de que vai melar. Vejo pelo menos três possibilidades bem plausíveis de fracasso, dada a vocação para a lambança que afamou este país:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1- Na hora de furar a barreira pré-sal, depois de muito alarde em torno de uma tecnologia única no mundo que os engenheiros da Petrobrás desenvolveram em parceria com técnicos da Unicamp, a máquina dá um clamoroso pau, sai furando todo o fundo do mar e deixa vazar bilhões de litros de petróleo para o oceano. Os peixes morrem; os corais morrem; as baleias morrem; as tartarugas morrem; as sereias morrem. O óleo foge de controle e afeta também os ecossistemas marinhos do Pacífico, do Índico e de todo o resto do Atlântico. Os danos ambientais são irreversíveis. As potências mundiais ficam coléricas e declaram embargo econômico ao Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2- Digamos que a tal máquina funcione direitinho e consiga extrair todo o conteúdo adormecido debaixo da insondável barreira pré-sal. Mas, quando os técnicos vão analisar a qualidade do produto, eis a surpresa: não era petróleo, e sim um líquido escuro e viscoso qualquer que dali em diante seria cartesianamente batizado de pós-sal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3- E agora a hipótese mais melancólica - e também a mais provável: o país não consegue desenvolver tecnologia nenhuma para extrair o petróleo do fundo do mar. E todo aquele tesouro jaz ali, intocável, enquanto a economia aqui na superfície fica contando os centavos pra fechar o ano no azul. A nação inteira chora seu infortúnio a cada dia que o preço do barril bate novo recorde no mercado munidal. De quatro em quatro anos um presidente se elege prometendo tirar " nem que seja com minhas próprias mãos" a redenção da pátria debaixo daqueles sete quilômetros de água. Nenhum êxito. Milhões de caçadores de fortuna deixam Serra Pelada e outros rincões de pobreza para tentar a sorte em alto-mar. É a corrida do ouro brasileira. A nova Califórnia. Uns morrem afogados, outros explodem com a pressão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As mães-de-santo são convocadas. Elas descobrem o problema. É tudo praga do Monteiro Lobato. Bonecas Emílias são atadas junto às oferendas para Iemanjá. Das culminâncias do além uma voz gargalha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-2654675828130549783?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/2654675828130549783/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=2654675828130549783' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/2654675828130549783'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/2654675828130549783'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2008/04/lobato-do-alm-sorri_07.html' title='Lobato, do além, sorri'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-1915658048529498155</id><published>2008-04-03T14:45:00.000-07:00</published><updated>2008-04-03T15:34:44.057-07:00</updated><title type='text'>O Lucas gosta do mar</title><content type='html'>Alguns bebês dão a impressão de serem espíritos de sábios irreverentes refugiados num corpo recém-nascido por mera zombeteirice. Enquanto suas mãozinhas, pezinhos e bracinhos denotam a mais cândida inocência, o olhar dessas feras não engana: há um maroto ali. Ficamos diante deles como se encarássemos um diabrete de auréolas e asas de anjo. Que gracinha!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim é meu pequeno primo Lucas, que faz um ano hoje, para júbilo completo da família.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira vez que eu o segurei nos braços ele contava cinco meses. Na ocasião pensei: “esse rapazinho tem o jeito de um velho eremita. Decerto erraram na idade.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lucas não tem os impulsos naturais de todo bebê. Diante de um objeto curioso, como um controle remoto ou um cabide, não tem vontade de arremessar, bater no chão ou colocar na boca - ele observa. Quando viu chover pela primeira vez, ficou 45 minutos sentado imóvel em frente à janela aberta. Assim que cessaram os pingos, virou a cabecinha para o lado e disse, na linguagem dos bebês: "acabou."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela noite chorei de comoção porque vi que ainda nascem contempladores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No início do ano o pequeno esteve na praia com os pais. Ligaram de lá alardeando a notícia: "o Lucas gosta do mar". A mim não supreendeu. É claro que ele iria gostar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-1915658048529498155?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/1915658048529498155/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=1915658048529498155' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/1915658048529498155'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/1915658048529498155'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2008/04/o-lucas-gosta-do-mar.html' title='O Lucas gosta do mar'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-7440663151605853286</id><published>2008-03-28T10:31:00.000-07:00</published><updated>2008-03-28T19:28:13.459-07:00</updated><title type='text'>Esses romanos são loucos</title><content type='html'>Não pretendo direcionar o pensamento do leitor para esta ou aquela conclusão. Limito-me a apresentar os fatos. Cada um julga como bem lhe aprouver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segue aqui um diálogo entreouvido há 2000 anos, numa esquina de Roma, mais próxima das catacumbas do que recomendava o bom juízo da época. Era alta madrugada:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Quo vadis?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Vade Mecum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Longa pausa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ó tempora! Ó mores!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alea jacta est.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- In nomine Patris...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ...et Filii...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ... et Spiritus Sancti...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Amen.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apertaram-se as mãos e tomaram caminhos opostos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-7440663151605853286?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/7440663151605853286/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=7440663151605853286' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/7440663151605853286'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/7440663151605853286'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2008/03/esses-romanos-so-loucos.html' title='Esses romanos são loucos'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-5410834117617089193</id><published>2008-03-24T09:15:00.001-07:00</published><updated>2008-03-24T10:35:34.028-07:00</updated><title type='text'>Seres macabros, feitos terríveis(ou 14 dias depois)</title><content type='html'>Que força sinistra é essa, capaz de destruir até a mais firme das resoluções do espírito?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que impregna de verdades a vida já tão carente de fantasia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que, com a indiferença do açougueiro e a certeza do cirurgião, arranca dos homens a felicidade como se fosse uma verruga insolente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A esse monstro, cavalheiros, convencionou-se chamar Segunda-Feira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-5410834117617089193?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/5410834117617089193/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=5410834117617089193' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/5410834117617089193'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/5410834117617089193'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2008/03/seres-macabros-feitos-terrveis.html' title='Seres macabros, feitos terríveis(ou 14 dias depois)'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-4059583121042976990</id><published>2008-03-10T11:45:00.000-07:00</published><updated>2008-03-11T10:34:40.062-07:00</updated><title type='text'>Troco</title><content type='html'>Aproveitando o momento, os touros também resolveram aplicar o princípio da reciprocidade contra os espanhóis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pamplona nunca mais será a mesma.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-4059583121042976990?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/4059583121042976990/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=4059583121042976990' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/4059583121042976990'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/4059583121042976990'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2008/03/toma-l-d-c.html' title='Troco'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-3022485362477316835</id><published>2008-03-08T15:12:00.000-08:00</published><updated>2008-03-09T16:42:47.509-07:00</updated><title type='text'>A batalha de Coachalpa Teotucán</title><content type='html'>Vejo com profundo pesar minguarem as chances de uma guerra generalizada na América do Sul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma oportunidade única de sacudir a apatia que há muito tempo paralisa este continente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, sem dúvida, seria o empurrão que faltava para tornar " O Furor" um blog conhecido no mundo todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis o tipo de reportagem que me colocaria na vanguarda do jornalismo de guerra, levaria o nome Vítor Matos para os lares mais remotos do globo e mataria de inveja os correspondentes no Oriente Médio:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Colinas de Coachalpa Teotucán, a 500 km do norte de Quito&lt;/strong&gt; - &lt;em&gt;O sol se levanta para o sexágesimo quinto dia de guerra. À luz da manhã foi confirmado aquilo de que no crepúsculo já se desconfiava: a linha negra avançando no horizonte, à esquerda do acampamento colombiano, é mesmo o exército da Guiana Francesa que vem se juntar à batalha. Aqueles homens trajam chapéus tricornos, à moda Napoleão, e isso inspirou certo terror nos adversários.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Na planície ainda jazem os soldados paraguaios, completamente dizimados na tarde anterior. Coitados. Travavam uma luta encarnecida contra os uruguaios quando suas armas, surpreendentemente, começaram a falhar. Seriam falsificadas? Não posso garantir.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Entrementes, já se ouvem as primeiras movimentações da manhã. No ar, paira uma sensação de que hoje será um dia decisivo para a guerra. Depois de dois meses marcados por mortes e fúria, talvez um desenlace. É impossível, todavia, prever quem sairá vencedor e até mesmo se haverá algum.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Uma bomba explodida entre as linhas peruanas e bolivianas indica que, para aqueles lados do campo de batalha, a luta recomeçou. Da minha posição estratégica posso ver o exato instante em que os argentinos decidem tomar parte no tumulto. Eles estão fazendo catimba, o que irrita bastante os adversários. Alguém grita que Pelé é melhor que o Maradona. A coisa fica cruel.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;No céu azul de Coachalpa Teotucán a aeronáutica chilena, toda ela composta por condores especialmente treinados, faz manobras ameaçadoras. Aqui embaixo, na terra, os calores da guerra envolvem os exércitos do continente inteiro. O espetáculo é, a um só tempo, desolador e fascinante.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Os brasileiros estão mal, muito mal, graças à altitude. Apenas a divisão Tapioca, comandada pela ministra Dilma Rousseff, dá sinais da bravura e intrepidez que caracterizam nosso povo. Montada em seu quarto-de-milha negro e empunhando uma espada dos tempos do Império, tal qual um Duque de Caxias, Dilma conduz seus homens numa avalanche de fúria e destemor pelas formações inimigas. Ao fundo entoam Vandré. Este repórter não pôde conter as lágrimas. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Ocorre que, mesmo a despeito de toda a glória, chega uma hora em que a guerra começa a entediar. Os homens sentem falta de casa e morrer pela pátria já não soa tão heróico como no início. É o momento ideal para selar um armistício. Mas, nesse ambiente de bravos que é o campo de batalha, quem pisaria em cima do próprio orgulho em nome da paz? Quem teria a grandeza de apertar a mão do inimigo? Enfim, quem daria voz ao sentimento geral e colocaria um fim àquele massacre que, afinal, já não empolgava mais ninguém?&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Pressentindo que a carcomida guerra precisava apenas de um leve sopro para ruir inteira, me dirigi a uma elevação mais ou menos no centro do vale. Já contavam quatro horas da tarde. Os soldados largaram as armas para acompanhar meus passos . O silêncio abateu-se sobre as colinas de Coachalpa Teotucán. Ciente de que àquela altura todo um continente punha os olhos sobre mim, enchi os pulmões e bradei com os punhos em riste:&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;-Por que não te calas? &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;O barulho das palmas e os urros de viva fizeram vibrar as montanhas ao redor como nem os tiros de canhão e a marcha dos exércitos tinham conseguido até então. Como um César em triunfo, voltei para Quito carregado nos braços daqueles valorosos soldados. Agora já não havia mais rivalidade e os inimigos de até poucas horas atrás tinham se tornado aliados na honrosa tarefa de me transportar como a um rei. Na última noite antes de voltarmos todos para casa, houve um grande churrasco de confraternização e um amigo-oculto para selar a paz. Os sul-americanos eram irmãos novamente.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Apenas a Venezuela teimava em continuar disparando metralhadoras nas agora vazias e silenciosas colinas de Coachalpa Teotucán.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-3022485362477316835?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/3022485362477316835/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=3022485362477316835' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/3022485362477316835'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/3022485362477316835'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2008/03/batalha-de-coachalpa-teotucn.html' title='A batalha de Coachalpa Teotucán'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-4819145636693539465</id><published>2008-03-05T13:08:00.000-08:00</published><updated>2008-03-05T13:10:33.923-08:00</updated><title type='text'>Celúlas-tronco</title><content type='html'>Se a discussão das células-tronco ficar girando em torno dos parâmetros para definir o início da vida, então o impasse corre o risco de nunca sair do lugar. Porque estabelecer o momento exato em que começa a vida humana não é um procedimento simples que possa ser submetido a criterização objetiva. O ideal seria adotar uma convenção - baseada em critérios científicos, até onde a ciência alcançar, e no bom-senso -, mas a radicalização do debate impede qualquer decisão definitiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ambos os lados da contenda têm sua dose de razão. Se a Igreja afirma que a vida começa na concepção, como refutá-la? Que instrumentos a ciência oferece capazes de negar esse argumento? Ao mesmo tempo, é plausível admitir também que a vida poderia começar apenas depois da formação do sistema nervoso, por exemplo. Por que não? Se a sociedade pretende encontrar a solução desse dilema na ciência ou na fé, vai nadar em hipóteses inconsistentes e vagas. O mais certo é deixar se manifestar a razoabilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Brasil deveria estabelecer um período dentro do qual o embrião estaria passível de ser extraído para pesquisas (ou então para o aborto): 10 semanas após a concepção, por exemplo. Na 11ª semana o amontoado de células já é inviolável. Acho que seria um caminho satisfatório.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa polêmica toda, foi surpreendente a pesquisa, divulgada ontem, mostrando que 75% da população do Brasil é favorável a estudos com células-tronco de embriões. Não sei não. Acho que o brasileiro é muito retrógrado - mais do que a gente pensa – para dar apoio tão maciço a uma questão dessa natureza. Em todo caso, se a pesquisa realmente estiver de acordo com a realidade, é sinal de que se experimenta algum avanço por aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cabe ao tribunal consolidar esse passo para frente. Ou manter o país, por mais um tempo, na retaguarda do pensamento mundial.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-4819145636693539465?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/4819145636693539465/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=4819145636693539465' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/4819145636693539465'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/4819145636693539465'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2008/03/cellas-tronco.html' title='Celúlas-tronco'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-614819905104720036</id><published>2008-02-25T20:24:00.000-08:00</published><updated>2008-02-25T21:09:36.805-08:00</updated><title type='text'>O belo também não tem vez</title><content type='html'>No Oscar de domingo eu estava torcendo por duas coisas: que Desejo e Reparação ganhasse o melhor filme e que Onde os Fracos não têm Vez não saísse do teatro como o grande vencedor da noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Na verdade eu torci também - e fervorosamente - para que a mocinha da tradução simultânea conseguisse acompanhar o que era dito na festa).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdi em todas. Desejo e Reparação peca por ser bonito. O cinema (as artes, em geral) está enamorado da aspereza. A busca pela racionalidade e a aversão ao sentimentalismo exagerado levam a crítica a condenar tudo aquilo que não apresente doses cavalares de secura e crueza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que retratar o lado animalesco do ser humano com um filme animalesco não chega a ser um golpe genial.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-614819905104720036?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/614819905104720036/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=614819905104720036' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/614819905104720036'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/614819905104720036'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2008/02/o-belo-tambm-no-tem-vez.html' title='O belo também não tem vez'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1107168364647966450.post-8391622058483191284</id><published>2008-02-22T19:20:00.000-08:00</published><updated>2008-02-22T19:33:44.609-08:00</updated><title type='text'>Talvez não seja uma idéia tão má assim</title><content type='html'>A independência de Kosovo gera precedentes perigosos, inclusive para o Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aposto que tem  gaúcho achando que abriu-se uma brecha para pôr em prática o ideal farroupilha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De imediato, vejo uma desvantagem em seperar o Rio Grande do Sul do resto do Brasil: perderíamos o Ronaldinho na seleção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E uma grande vantagem: o Dunga iria embora junto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Colocando na balança, até parece um bom negócio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não vamos nos precipitar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1107168364647966450-8391622058483191284?l=ofuror.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ofuror.blogspot.com/feeds/8391622058483191284/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1107168364647966450&amp;postID=8391622058483191284' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/8391622058483191284'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1107168364647966450/posts/default/8391622058483191284'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ofuror.blogspot.com/2008/02/talvez-no-seja-uma-idia-to-m-assim.html' title='Talvez não seja uma idéia tão má assim'/><author><name>Vítor Noronha Matos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08718539248910692307</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
